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Cláudio Marzo volta a SP com peça de Sam Sheppard

20/03/2000 | 16:13
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O ator Cláudio Marzo está de volta aos palcos paulistanos, onde começou sua carreira teatral em 1962, no Teatro Oficina. Ele estará ao lado da atriz Mika Lins na peça "Fábula de um Cozinheiro", de Sam Sheppard & Joseph Chaikin, que estréia no dia 2, no Teatro Hilton. "É um texto muito bonito, um poema a duas vozes", diz Cláudio Marzo.

No espetáculo dirigido por William Pereira, de "O Livro do Desassossego", Marzo intepreta um homem condenado por assassinato que recebe na cadeia a visita de uma jovem jornalista, por quem acaba por apaixonar-se. Cláudio Marzo começou sua carreira teatral no Oficina, onde participou do elenco de espetáculos como "Pequenos Burgueses, Toda Donzela Tem um Pai Que É uma Fera" e "Andorra". Os seguidos sucessos como ator de novela o obrigaram a mudar para o Rio, em 1965, onde passou a integrar o Teatro Carioca de Arte, um grupo politizado que levava espetáculos aos subúrbios.

Em 40 anos de carreira, iniciada em 1959 na extinta TV Tupi, Cláudio Marzo já interpretou dezenas de personagens no teatro, no cinema e na televisao. Entre os mais recentes trabalhos teatrais está um inesquecível Getúlio Vargas na peça "O Tiro Que Mudou a História', dirigida por Aderbal Freire-Filho, no Rio. "O ator precisa voltar ao palco", diz Marzo. "O teatro é onde ele se exercita de verdade, porque a televisao o condiciona a um tipo de representaçao que, com o tempo, o limita."

Mas o palco nao foi sua única alternativa ao trabalho na televisao. No cinema participou de 14 filmes, entre eles "Nunca Fomos Tao Felizes", de Murilo Salles, e "O Homem Nu", de Hugo Carvana. E, na TV, além de trabalhos marcantes como o José Leôncio e o Velho do Rio, na novela Pantanal, participou também de minisséries, entre elas "Quem Ama nao Mata".

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Foi o ator e diretor Antônio Abujamra quem o fez ler "Fábula de um Cozinheiro" pela primeira vez. "Ele disse que tinha um personagem maravilhoso para mim." Mas quem havia descoberto o texto de Sam Sheppard e Joseph Chaikin e decidido pela montagem havia sido a atriz Mika Lins. "Li uma matéria no Estado sobre essa peça que havia estreado no festival de Atlanta em 1996 e fiquei interessada pelo tema", diz a atriz, que conseguiu os direitos da montagem meses depois.

Mika faz uma jornalista que vai vasculhar a vida de um prisioneiro - personagem de Marzo - acusado de ter envenenado um homem, e o homem errado. "É um texto sutil, cheio de ambigüidades, a partir de oito entrevistas entre o assassino e a jornalista", diz Mika.

O assassino vivido por Marzo - o autor nao deu nome aos personagens - passou a vida perseguindo sua vítima. Uma perseguiçao que tem origem na história de seus ancestrais. Ele já nasceu com a tarefa de matar um homem que, supostamente, seria o tataraneto de um outro homem que matou a mula de seu tataravô. "A peça tem uma estrutura quase policial."

Prisao - O personagem já está na meia-idade quando, finalmente, identifica e envenena o homem destinado a morrer, um freqüentador do restaurante no qual o assassino trabalhava como cozinheiro. A jornalista, mulher igualmente aprisionada a uma perseguiçao - a busca do pai que nunca conheceu -, interessa-se pela notícia do homem preso após matar o homem errado, ou seja, um inocente que nada tinha que ver com o alvo procurado por toda uma vida.

"Eu nunca fui um apaixonado por esse neo-realismo americano, pelas peças e roteiros de Sam Sheppard e nao aceitaria o convite se a peça tivesse aquela típica carcaça realista", diz o diretor William Pereira. Como Marzo, ele considera a intensa força poética uma das principais qualidades do texto. "E a peça tem um final epifânico, um encontro do mito com a fome ancestral."

"É uma peça sobre o amor", afirma Marzo. "E sobre o quanto a vida pode ser difícil; a gente passa a vida inteira perseguindo alguma coisa e, quando percebe, a vida passou e há tanto a fazer." Segundo o ator, o público poderá fazer um paralelo com suas próprias vidas e perseguiçoes. "Depois de cumprir o seu destino e libertar-se, o meu personagem descobre o amor e esse amor o transforma, mas já é tarde demais."




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