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Pesquisa mapeia drogas
do 'boa noite, Cinderela'


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

10/01/2011 | 07:15


Você está em uma festa, segura um copo de bebida e dança ao som da música. Um estranho se aproxima, coloca um líquido no seu copo e você continua bebendo, sem se dar conta. Então, perde a consciência de seus atos, a capacidade de discernimento, apresenta dificuldade de resistir a ameaças, se sujeita a ordens de estranhos e pode até mesmo apagar. Você foi vítima do golpe conhecido do boa noite, Cinderela.

O objetivo é auxiliar a polícia na identificação das drogas utilizadas no golpe durante investigações de assalto e estupro. O aluno do curso de mestrado em Química da UFABC (Universidade Federal do ABC) Diogo Lima da Silva, 24 anos, realiza desde 2009 estudo que pretende desenvolver um teste rápido de detecção das substâncias em bebidas.

Com orientação da professora Elizabete Campos de Lima, o trabalho mapeou as três principais drogas usadas no golpe: GHB (ácido carboxílico), GBL (um derivado desse ácido) e 1,4-Butanodiol. A diluição é feita em três tipos de bebidas: água, refrigerante e energético.

As drogas foram cedidas pela Polícia Científica de Santo André ou vieram de amostras apreendidas em Mogi das Cruzes. "A eletroforese (processo de separação de substâncias) foi o método que obteve melhores resultados com as drogas quando diluídas em água. O próximo passo é fazer a separação quando a substância está diluída em refrigerante ou energético", destacou Silva.

As drogas utilizadas no boa noite, Cinderela permanecem de uma a duas horas no sangue e 12 horas na urina. "Por isso é importante desenvolver método que auxilie a polícia, permitindo que bebidas suspeitas possam ser analisadas com rapidez", explicou o pesquisador.

Perigo

Para ser vítima do golpe, basta ingerir dois gramas de qualquer uma dessas substâncias. Com 0,7 grama, porém, é possível sentir efeitos semelhantes à ingestão de álcool, como euforia e maior sociabilidade. Por isso, essas drogas são utilizadas também por jovens em raves e casas noturnas, comercializadas como ecstasy líquido.

A quantificação das drogas em amostras apreendidas pode ajudar a polícia a traçar rotas do tráfico. Uma das possíveis utilizações do trabalho desenvolvido na UFABC é determinar a origem das drogas apreendidas, por meio da composição de cada amostra.

O trabalho de Silva foi um dos 12 escolhidos para se apresentar no 2º Encontro Nacional de Química Forense, que ocorreu no início de dezembro em Ribeirão Preto e reuniu os principais pesquisadores da área do Brasil e Exterior, além de peritos federais e estaduais e estudantes.

Não largar copo na mesa ou no balcão ajuda a evitar golpe

Não há estatísticas sobre o boa noite, Cinderela no Grande ABC. A Secretaria de Segurança Pública explicou que o golpe é, geralmente, um meio para cometer delitos como sequestros, roubos, estupro, e por isso cada ocorrência é registrada conforme o crime cometido.

Segundo o especialista em segurança pública Jorge Lordello, há dois grupos básicos de ocorrências relacionadas à prática de dopar as vítimas: com fins econômicos e sexuais. "Há casos em que o criminoso pretende assaltar a vítima, roubar a casa ou o carro. Em outros, os golpistas querem dopar a pessoa para abusar sexualmente.

E o que fazer para se proteger? Para Lordello, a pessoa não deve deixar de se divertir em festas e baladas, mas precisa ficar atenta. "Não se pode abandonar o copo na mesa ou no balcão do bar e depois voltar para pegá-lo. Também é indicado segurar a bebida com uma mão e tampar o bocal com a outra, para evitar que estranhos coloquem alguma substância ali". Aceitar bebidas de outras pessoas, nem pensar.

O especialista alertou ainda que se deve ter cuidado com estranhos nas baladas. "Aceitar ou dar carona pode ser extremamente perigoso. É melhor anotar o telefone ou e-mail e conhecer melhor a pessoa antes de se relacionar", destacou



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