Da AE/Arquivo

Terminou por volta das 19h30 desta terça-feira o segundo dia do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar a menina Isabella em março de 2008. O perito baiano Luiz Eduardo Carvalho, testemunha de acusação do casal, falou durante cerca de 30 minutos no Fórum de Santana, Zona Norte da Capital paulista.
O médico-legista Paulo Sérgio Tieppo Alves, que examinou o corpo da menina Isabella, foi a segunda testemunha a depor nesta terça-feira. Durante cerca de 3 horas, ele reafirmou que a garota foi agredida antes de cair do 6º andar do Edifício London.
Por meio de fotos, Tieppo Alves reforçou a tese de que Isabella sofreu esganadura e que, antes de cair do 6º andar, foi arremessada ao chão com força. Ainda de acordo com o médico-legista, o que ocorreu dentro do apartamento foi tão ou mais decisivo para a morte da garota do que a queda do prédio, que foi amortecida pela grama.
Após o encerramento das atividades desta terça-feira, o advogado de defesa do casal Nardoni, Roberto Podval, afirmou que não é possível provar que Alexandre e Anna Carolina foram os responsáveis pela esganadura de Isabella. "Ainda que seja possível provar que ela tenha sido asfixiada, não há como comprovar que tenha sido por eles [o pai e a madrasta]", disse.
Culpados - A delegada do 9º DP (Distrito Policial), Renata Helena da Silva Pontes, foi a primeira testemunha a ser ouvida hoje. Ao juiz Maurício Fossen, que preside o júri, ela disse que já esteve em 136 locais de crime em sua carreira e que só indiciou o casal porque "tem 100% de certeza que eles cometeram o crime".
Durante a oitiva, a delegada afirmou, ainda, que Alexandre questionou o trabalho da perícia desde a noite do crime. Renata disse que esteve presente no prédio onde o casal Nardoni morava, na noite do crime, e que não encontrou com o pai de Isabella. Depois, o acusado chegou ao prédio acompanhado do pai, Antônio Nardoni, e teria perguntado: "Já prenderam o ladrão? Já pegaram as impressões digitais?".
A delegada relatou ainda que embora Alexandre tenha afirmado que o apartamento tivesse sido invadido, ele não contou isso à polícia quando prestou depoimento. Na ocasião, ele disse que alguém teria usado uma cópia da chave para entrar no apartamento.
Por conta do atraso nos depoimentos, a oitiva da perita do Instituto de Criminalística Rosângela Monteiro, prevista para ocorrer hoje, foi transferida para esta quarta-feira.
Apoio - A autora de novelas Gloria Perez esteve na plateia do fórum acompanhando o julgamento desde às 14h. Ela acompanhou a sessão durante dois depoimentos. "O carnaval que a defesa está tentando fazer está caindo por terra", analisou. "O último depoimento (do legista Paulo Sérgio Tieppo Alves) foi demolidor", disse.
Ela também afirmou que o depoimento da delegada Renata Pontes "foi muito bom", e que a testemunha estava muito segura. Gloria disse que veio prestar solidariedade à avó de Isabella, Rosa Maria Cunha de Oliveira, e que acompanha a história como mãe.
O crime - Isabella de Oliveira Nardoni, 5 anos, foi morta na noite de 29 de março de 2008. A perícia concluiu que a menina foi atirada do sexto andar do prédio onde moravam seu pai, Alexandre, sua madrasta, Anna Carolina, e dois filhos pequenos do casal, na Vila Isolina Mazzei, Zona Norte de São Paulo. O crime comoveu o País e ganhou grande repercussão.
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