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Alexandre Nardoni alega inocência ao júri

Do Diário OnLine
Com AE
25/03/2010 | 17:42
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Alexandre Nardoni foi interrogado nesta quinta-feira, no fórum de Santana, Zona Norte da Capital paulista, das 10h45 às 16h25. Durante o depoimento, o réu chorou ao menos três vezes e negou ter matado a filha. Os jurados se mostraram sensibilizados com a emoção do acusado.

O depoimento foi marcado pelo conflito entre o Nardoni e o promotor Francisco Cembranelli. O réu tentava responder de forma monossilábica, e na maior parte das vezes dizia não se lembrar de detalhes, inclusive sobre aqueles que já tinha citado em depoimentos anteriores.

Em algumas partes, o pai de Isabella enfrentou o promotor: "Não coloque palavras na minha boca". Outras vezes, dizia para a acusação: "Isso não tem pertinência". O juiz interveio. "O senhor responda a pergunta, se eu achar impertinente, indefiro", disse Maurício Fossen.

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Um dos maiores embates se deu quando o promotor perguntou por que Nardoni não socorreu a filha quando chegou ao térreo e não havia ninguém em volta da menina. "Não sei dizer. Porque ela estava no chão naquele momento. Quando eu cai em si (sic), o seu Lúcio (vizinho) dizia para não mexer nela", disse Alexandre ao relembrar a noite do dia 29 de março de 2008.

O réu respondia às perguntas de forma nervosa e evasiva. A defesa usava a estratégia de perguntar ao promotor em que página do processo estavam as afirmações que ele usava para interrogar Nardoni. O promotor rebateu dizendo que isso era feito para dar tempo do réu pensar. No final, Cembranelli começava a dizer a página em que se baseava antes de perguntar.

Em outro momento, quando perguntado por que não falou com Anna Carolina Jatobá, sua esposa, após a morte de Isabella, respondeu: "A situação era embaraçosa, eu tinha perdido o chão. Não sabia nem que rumo tomava. Havia perdido a coisa mais valiosa que eu tinha".

Outro ponto em que o clima do interrogatório esquentou foi quando Cembranelli perguntou por que o réu estava usando óculos: "Eu nunca vi o senhor de óculos, começou a usar agora?". Nardoni respondeu: "o senhor não me conhece". Foi a vez do juiz intervir e pedir para ele responder a pergunta - o réu disse apenas que não enxergava bem de longe. "A ponto de não sair lágrima quando chora?", provocou o promotor. O juiz, então, voltou a se manifestar, pedindo ordem.

Versão - Esta é a primeira vez que Alexandre conta ao júri sua versão para o crime, ocorrido na noite de 29 de março de 2008, no Edifício London, onde ele morava com a mulher e os dois filhos do casal. Interrogado pelo juiz Maurício Fossen, o pai de Isabella destacou que a versão apresentada contra ele "não existe e é mentirosa".

Alexandre lembrou um episódio a respeito da filha. Segundo ele, ao chegar na Santa Casa recebeu da médica a notícia de que Isabella havia morrido. Quando chegou perto da maca e viu a criança, disse que começou a repensar vários fatos de sua vida. Um deles era a luta que havia travado para que a mãe concebesse Isabella. "Briguei com a mãe de Ana Carolina de Oliveira porque ela queria que a criança fosse abortada", disse.

Neste momento, o avô materno de Isabella, o comerciante José Arcanjo de Oliveira, deu risada diante da afirmação e se mostrou alterado. Ele foi contido pelo filho Leonardo, um dos irmãos de Ana Carolina Oliveira.

Alexandre lembrou também que no dia seguinte ao crime esteve no 9º Distrito Policial a pedido da delegada Renata Pontes - que prestou depoimento na terça-feira. O réu conta que foi levado para uma sala isolada e colocado em uma cadeira. Ali, foi cercado por investigadores e enfrentou uma sessão de xingamentos.

"Reclamei com o delegado Calixto Calil, mas ele também me disse palavras de baixo calão. Todos ali bateram na mesa, jogaram copos e garrafas em cima de mim, e uma lixeira. Eu não entendia por que estavam fazendo aquilo comigo."

Relacionamento - Em um dos trechos do depoimento, o juiz questionou Alexandre sobre seu relacionamento com Anna Carolina Jatobá. Ele respondeu que os dois viviam muito bem e que passaram por discussões como qualquer casal. Fossen, então, pediu para saber como seriam essas discussões. "Coisas bobas, como eu querer jogar futebol e ela achar que aquela hora não é correta", explicou.

O magistrado perguntou se eles costumam se xingar. "Eu nunca xinguei minha esposa. Acho que ela algumas vezes me xingou, não lembro. Mas ela tem a voz tão alta que as pessoas acham que ela está brigando."
Mãe - Antes de começar o julgamento, por volta de 10h40, a mãe do réu, Maria Aparecida Nardoni, se aproximou da bancada com a filha Cristiane e pediu para Alexandre olhar para elas. Presente ao julgamento pela primeira vez, Maria Aparecida bateu no peito, segurando um terço, e chorou. No mesmo instante, Alexandre olhou para a mãe e também se emocionou.

Em seguida, quando começou a sessão, Maria Aparecida foi retirada da sala pelo marido, Antônio Nardoni, por não conseguir segurar o choro.

Entenda o 4º dia de júri - A sessão desta quinta-feira foi aberta com o depoimento de Alexandre Nardoni ao juiz Maurício Fossen. Ao meio dia, o réu começou a ser interrogado pelo promotor Francisco Cembranelli. Em seguida, ele estará à disposição de seu advogado de defesa, Roberto Podval, para então ser aberta a sessão de perguntas dos jurados. Estes devem escrever a questão em um papel e entregá-lo a Fossen, que decidirá se ela deve ser feita. Anna Carolina Jatobá, que aguarda do lado de fora, deve ser interrogada em seguida.

Ainda hoje, pode ocorrer uma acareação entre o casal e a mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, que segue isolada em uma sala no fórum, a pedido da defesa dos réus.

A madrasta de Isabella foi a primeira a chegar ao fórum, por volta das 8h40. Um minuto mais tarde, o comboio trazendo Alexandre Nardoni entrou pela porta lateral do prédio, como nos outros dias. Hoje, excepcionalmente, Roberto Podval, que ontem foi vaiado e chegou a levar um chute de um homem, não entrou pela porta principal do fórum, nem deu declarações à imprensa.

Desde o início do julgamento, na segunda-feira, foram ouvidas pelo júri sete testemunhas: a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira; a delegada Renata Pontes, responsável pelo inquérito do crime; o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo; o perito Luis Eduardo Carvalho, que veio da Bahia convocado pela Promotoria; a perita do IC (Instituto de Criminalística) Rosângela Monteiro, que fez o laudo da morte de Isabella; o jornalista Rogério Pagnan e o escrivão de polícia Jair Stirbulov. Apenas os dois últimos foram arrolados pela defesa, que inicialmente convocou 17 testemunhas.




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