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Wanderley Martins se afasta da CPI do Narcotráfico

22/03/2000 | 22:54
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O deputado Wanderley Martins (PDT) pediu afastamento nesta quarta-feira da Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. O deputado decidiu deixar a comissao depois da divulgaçao da informaçao de que seu ex-assessor, o agente da Polícia Federal Luís Benício Ramos Brivat, participou, no final do ano passado, do esquema de extorsao ao traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Wanderley, que pretendia inicialmente deixar apenas seu cargo de sub-relator sobre o narcotráfico no Rio, foi pressionado pelo comando da comissao a se desligar da CPI.

A gravaçao mostra policiais civis do Rio, entre eles o entao assessor do deputado, extorquindo dinheiro do traficante. A fita foi entregue à comissao do Ministério Público do Rio que investiga as denúncias contra a banda podre da polícia feitas pelo ex-coordenador de Segurança Luiz Eduardo Soares.

Isençao - "Estou pedindo meu afastamento para que a comissao tenha isençao na apuraçao da verdade", desabafou o deputado, após uma sessao secreta em que foi aconselhado a deixar a CPI. "Mas nao saio de cabeça baixa. Saio de cabeça erguida", acrescentou. Delegado da Polícia Federal licenciado, Wanderley Martins sustenta que nao cometeu crime, a nao ser confiar no seu assessor que, em dezembro, tomou posse como agente federal em Sao Paulo. "Quase caí da cadeira quando soube disso", disse. O presidente da comissao, Magno Malta (PTB-ES), disse que "a CPI tem obrigaçao de cortar na própria carne para manter a credibilidade". O afastamento de Wanderley Martins começou a ser articulado pela manha, quando Malta e o relator da comissao, Moroni Torgan (PFL-CE), aconselharam o deputado fluminense a deixar a CPI. Wanderley, que queria apenas abdicar da relatoria do Rio, acabou cedendo à pressao e pediu o afastamento temporário.

A intençao do deputado é ficar fora da CPI até que a comissao conclua as investigaçoes sobre o narcotráfico no Rio. Wanderley Martins é acusado também de ter mantido, entre 1994 e 1995, movimentaçao bancária incompatível com sua renda de delegado da PF. O caso, que começou a ser investigado por uma subcomissao da CPI, será remetido à Receita Federal. Segundo o deputado Paulo Baltazar (PSB), Wanderley será chamado para se explicar ao fisco.

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Convocaçao - Luís Benício, o Luisinho, é acusado de tentar extorquir dinheiro de Beira-Mar durante uma incursao de agentes da Polícia Civil do Rio ao interior do Mato Grosso, em agosto do ano passado. Em um longo telefonema, os policiais exigiram dinheiro para aliviar a situaçao de Beira-Mar. A conversa entre o traficante e os policiais foi gravada pela Polícia Federal e encaminhada à CPI. Luisinho, que à época trabalhava como assessor parlamentar de Wanderley e como informante da polícia, também teria tentado intermediar um acordo para que Beira-Mar prestasse depoimento à polícia.

A CPI aprovou a convocaçao de Luisinho e mais nove policiais acusados de envolvimento com Beira-Mar. A CPI decidiu também convocar o chefe de Polícia do Rio, Rafik Louzada. Nesta quinta-feira, a comissao espera tomar o depoimento do secretário de Segurança, Josias Quintal.




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