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Código Opus Dei


Rosângela Espinossi
Do Diário do Grande ABC

19/03/2006 | 09:57


O professor de matemática da USP (Universidade de São Paulo), Antonio Carlos Brolezzi, 41 anos, de Santo André, viveu dez anos como numerário do Opus Dei, controversa entidade católica autorizada pelo Vaticano, que passou a ser mais comentada e conhecida a partir do best-seller Código Da Vinci, de Dan Brown. No próximo mês, ele coloca um pouco mais de brasa na fogueira suscitada por denúncias de ex-participantes da Obra (como também é conhecida devido à sua tradução do latim, Obra de Deus), com o lançamento do livro Memórias Sexuais no Opus Dei (Panda Books, preço a definir).

O caráter do livro, segundo Brolezzi, é expor a intimidade da Obra e as principais "tentações" vividas por ele na década em que passou no centro do Opus Dei em São Paulo. Ele "apitou" (termo criado pelo fundador Josemaría Escrivá, que demonstra quando a pessoa aceita a vocação divina para entrar para a instituição) aos 20 anos. Seis meses depois, queria desistir, mas só conseguiu sair uma década depois. Se estivesse lá hoje, 19 de março, dia de São José, teria de renovar, por devoção (pois já tinha feito a incorporação definitiva chamada de "fidelidade"), o compromisso assinado cerca de um ano e meio depois de apitar e que define a incorporação jurídica formal à Obra.

No período passado lá, ele afirma ter se mortificado por pensar em sexo - o celibato é exigido para os numerários e numerárias -, ter feito uso, como todos os integrantes devem fazer, do cilício (uma coleira com pinos de metal colocada na perna duas horas por dia), da disciplina (autoflagelação com chicote de nós, uma vez por semana, ou mais) e de ter de vestir para dormir, por poucos dias, um macacão antimasturbação. "Eles nos seduzem e fazem acreditar que aquele mundo é maravilhoso e que nossa vocação é virar santo. Com isso, tiram tudo da gente: o salário, a família, a alma", diz Brolezzi.

Somente 10 anos depois que saiu, hoje casado pela segunda vez, com uma filha de 1 ano e à espera de outro que nascerá em agosto, resolveu contar suas angústias como numerário. "Precisei fazer isso para que outras pessoas não passem pelo que eu passei sem saber. Se quiser entrar para a seita, pois considero o Opus Dei uma seita, pelo seu fanatismo, que entre sabendo o que acontece lá. É meu dever como educador". 



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Código Opus Dei

Rosângela Espinossi
Do Diário do Grande ABC

19/03/2006 | 09:57


O professor de matemática da USP (Universidade de São Paulo), Antonio Carlos Brolezzi, 41 anos, de Santo André, viveu dez anos como numerário do Opus Dei, controversa entidade católica autorizada pelo Vaticano, que passou a ser mais comentada e conhecida a partir do best-seller Código Da Vinci, de Dan Brown. No próximo mês, ele coloca um pouco mais de brasa na fogueira suscitada por denúncias de ex-participantes da Obra (como também é conhecida devido à sua tradução do latim, Obra de Deus), com o lançamento do livro Memórias Sexuais no Opus Dei (Panda Books, preço a definir).

O caráter do livro, segundo Brolezzi, é expor a intimidade da Obra e as principais "tentações" vividas por ele na década em que passou no centro do Opus Dei em São Paulo. Ele "apitou" (termo criado pelo fundador Josemaría Escrivá, que demonstra quando a pessoa aceita a vocação divina para entrar para a instituição) aos 20 anos. Seis meses depois, queria desistir, mas só conseguiu sair uma década depois. Se estivesse lá hoje, 19 de março, dia de São José, teria de renovar, por devoção (pois já tinha feito a incorporação definitiva chamada de "fidelidade"), o compromisso assinado cerca de um ano e meio depois de apitar e que define a incorporação jurídica formal à Obra.

No período passado lá, ele afirma ter se mortificado por pensar em sexo - o celibato é exigido para os numerários e numerárias -, ter feito uso, como todos os integrantes devem fazer, do cilício (uma coleira com pinos de metal colocada na perna duas horas por dia), da disciplina (autoflagelação com chicote de nós, uma vez por semana, ou mais) e de ter de vestir para dormir, por poucos dias, um macacão antimasturbação. "Eles nos seduzem e fazem acreditar que aquele mundo é maravilhoso e que nossa vocação é virar santo. Com isso, tiram tudo da gente: o salário, a família, a alma", diz Brolezzi.

Somente 10 anos depois que saiu, hoje casado pela segunda vez, com uma filha de 1 ano e à espera de outro que nascerá em agosto, resolveu contar suas angústias como numerário. "Precisei fazer isso para que outras pessoas não passem pelo que eu passei sem saber. Se quiser entrar para a seita, pois considero o Opus Dei uma seita, pelo seu fanatismo, que entre sabendo o que acontece lá. É meu dever como educador". 

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