
Roger Seymour, professor de biologia da Universidade de Adelaide, e seu colega Harvey Lillywhite, da Universidade da Flórida, consideram físicamente impossível que os dinossauros de pescoço longo tenham tido esse comportamento.
Segundo os cientistas, a única posiçao de pescoço possível para estes dinossauros era a horizontal, devido ao tamanho de seu coraçao e à taxa metábolica.
Em um artigo publicado na revista Atas da Sociedade Real de Londres, o professor Saymour admite que a maioria dos paleontólogos pensa que os dinossauros de pescoço longo levantavam a cabeça, mas assinala ter reunido elementos que tendem a provar o contrário.
Seymour pesquisa há 24 anos as características cardíacas e a pressao arterial de répteis, aves e mamíferos, a fim de determinar a influência da pressao arterial na espessura das paredes do coraçao.
Seus estudos mostraram que o tamanho do coraçao dos animais depende de dois fatores: a distância entre o coraçao e a cabeça e o fato de o animal ter sangue frio ou quente.
No jornal da Universidade de Adelaide, Roger Seymour explica que, para funcionar, o organismo dos dinossauros de pescoço longo deveria dispor de um coraçao extremamente grande e denso. O cientista concluiu que os dinossauros de pescoço longo nao podiam levantar a cabeça por três motivos:
``Primeiramente, essa posiçao nao deixaria espaço suficiente para o coraçao do animal; em segundo lugar, o coraçao teria que utilizar, neste caso, mais energia do que o resto do corpo; finalmente, as paredes do pescoço seriam mecanicamente inoperantes, já que necessitariam de uma energia muito maior do que a necessária para irrigar essa parte do corpo'.
``Nós reconhecemos que estes animais puderam ter um pescoço vertical com uma irrigaçao garantida por um coraçao menor, mas apenas no caso de uma baixa taxa metabólica, característica dos répteis de sangue frio', explicou Seymour. ``Mas inclusive neste caso o coraçao seria relativamente denso e ineficaz no bombeamento do sangue necessário', acrescentou.
``O debate sobre a temperatura do sangue dos dinossauros já dura 30 anos, mas, sem dúvida, a taxa metabólica dos animais de pescoço longo nao será conhecida realmente nunca', comentou o cientista australiano.
De todo modo, ``parece pouco provável que estes animais tenham sido capazes de levantar a cabeça do modo que costuma ser mostrado', concluiu.
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