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Piora nota em Português
de alunos do Ensino Médio

25/05/2011 | 07:56
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os alunos do 3º ano do Ensino Médio das escolas estaduais do Grande ABC tiveram pior desempenho em Língua Portuguesa no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) de 2010, comparando com 2009.

Dos cerca de 22.331 alunos que realizaram a prova, 35,85% tiraram nota insuficiente, aumento de 8,85% em relação à avaliação de 2009, quando houve a participação de 22.558 estudantes. No Estado, foram 37,9%, ano passado e 30,8% em 2009.

De acordo com o Saresp, a classificação significa abaixo do básico, quando os alunos demonstram domínio insuficiente dos conteúdos, competências e habilidades desejáveis para o ano em que se encontram.

DGABC

Em Matemática, foram 57,1% com nota insuficiente, uma queda de 0,6% comparado a 2009. No Estado foram 57,7% e 61,8% nos mesmos períodos em 2009. O Saresp também avalia Ciências e redação.

Para especialistas, os resultados revelam que as escolas estão aquém das metas para garantir habilidades mínimas ao estudante que vai ingressar na universidade ou no trabalho.

"São diversos fatores, como a má formação e a falta de valorização dos professores e baixa qualidade do material didático, que levam a essas notas", afirmou a professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da USP Sílvia Colello.

Para ela, uma saída para melhorar o resultado é oferecer apoio ao profissional e na sua formação, além de auxiliar alunos com dificuldades. "Às vezes, um aluno que está no 3º ano tem defasagens do ano anterior. Nesse caso, deveria ser oferecido um reforço."

A coordenadora do curso de Pedagogia da UniABC, Luzia Miranda de Araújo Lioi, avaliou que o resultado de Língua Portuguesa é reflexo do aprendizado no Ensino Fundamental. "O aluno já vem com dificuldades no domínio da interpretação, de escrita e leitura. Além disso, a linguagem usada nas redes sociais na internet pode contribuir. O mau desempenho em Português afeta as demais disciplinas."

Para ela, o ensino da Língua Portuguesa precisa se aproximar do cotidiano do aluno, assim como Matemática. "Houveuma grande discussão pedagógica a respeito da Matemática, que passou a lidar mais próximo da realidade dos estudantes."

Para o professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavar, o resultado aponta para uma juventude que não alcançou o objetivo da escola, que é o aprendizado. "O abaixo do básico dá para dizer que são estudantes que passaram cerca de 11 anos na escola, mas estão saindo com conhecimento pela metade."

Em nota, a Secretaria do Estado de Educação explicou que não há como dissociar o resultado da necessidade de mais professores efetivos, uma vez que a rotatividade de profissionais atrapalha o aprendizado. No início da atual gestão foram contratados 9.300 professores.

 

Para entidade, resultado mostra sucateamento

O presidente da Associação Regional dos Estudanres Secundaristas do Grande ABC, Vinícius de Carvalho, avaliou que o resultado do Saresp mostra o sucateamento das escolas. "Temos ausência de professores, escolas abandonadas. São diversos fatores que deixam o jovem desinteressado."

Para a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Maria Izabel Azevedo Noronha, é preciso trabalhar a importância da avaliação com os estudantes. "O resultado dá um diagnóstico do que é preciso ser feito para mudar esses números. Mas também é preciso avaliar o domínio dos demais conteúdos."

O Diário conversou com alguns estudantes, que consideraram a avaliação como algo importante. "Quando fiz a prova, achei que tinha questões que não tinha visto em sala de aula. Além disso, muitos não se dedicam", disse a universitária de Santo André Gabriella Arrojo Buso, 18, que fez o Saresp em 2009.

Para o estudante de Santo André Victor Fantini, 18, a avaliação é um treino para o Enem. "Como estou no 3º ano, é importante para me preparar mais para o Enem." Já para o colega Jonathan Torres, 18, a apostila poderia ser melhor. "Os professores se aprofundam mais, para que todos possam compreender e se preparar melhor para os exames."




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