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Os 500 anos do Brasil sao retratados em cartuns


Gislaine Gutierre
Da Redaçao

09/02/2000 | 20:53


  Seis cartunistas do Grande ABC e outros 15 de diversas partes do país se reuniram para mostrar, por meio de seus desenhos, uma perspectiva bem-humorada e crítica sobre os cinco séculos de história do Brasil. O registro desse trabalho está no livro Humor Brasil 500 Anos (Virgo, 144 págs., R$ 7), que terá um pré-lançamento neste sábado, em Sao Paulo, durante as comemoraçoes do Dia do Quadrinho Nacional.

A idéia de publicar a obra surgiu como forma de driblar as dificuldades de ingressar formalmente no mercado literário e de obter espaço nas livrarias. Os cartunistas Mário Mastrotti, de Sao Caetano, e Cerito, de Sao Bernardo, perceberam entao que a melhor saída seria realizar uma produçao independente.

Em fevereiro do ano passado, portanto, Mastrotti começou a chamar os amigos mais próximos, da mesma profissao, para realizar um projeto em sistema cooperativo. Cada um desembolsou uma quantia pré-definida, teve espaço para publicar cinco cartuns, e recebeu 30 exemplares para comercializaçao. "O que mais me surpreendeu foi a alegria e o prazer que todos tiveram em participar", diz Mastrotti, que coordenou o projeto. Segundo ele, o principal objetivo nao foi obter lucro, mas expor um pouco do trabalho de cada um. "A maioria trabalha como jornalista, publicitário ou designer e nao vive de fazer cartuns", argumenta.

Por uma questao de orçamento, todos os cartuns foram feitos em preto-e-branco, mas a liberdade de criaçao foi absoluta. Por isso, Humor Brasil 500 Anos se transformou em uma rica compilaçao do pensamento desses cartunistas sobre os fatos e as pessoas que marcaram os 500 anos de Brasil. A obra ganhou capa de Antonio Carlos Pires, de Santo André, e prefácio de Sonia Bibe Luyten.

Indios, portugueses, políticos e personalidades sao figuras recorrentes nas criaçoes. Mastrotti, por exemplo, faz uma brincadeira com a chegada de Pedro Alvares Cabral ao Brasil, colocando até Dom (Leonardo) Di Caprio de braços abertos na proa da embarcaçao. Cerito focalizou basicamente os índios. O cartunista Taco X, de Curitiba, ventila algumas hipóteses sobre o que seria do país se ele fosse descoberto por ingleses, judeus, turcos ou ETs. Mais poético, Djalma Lúcio, do Maranhao, desenhou um mapa do Brasil formado pelos corpos das principais raças: o índio, o branco e o negro.

O baiano Gilmar, que mora em Santo André desde 1974, pôs até os sem-terra na brincadeira. Em um desenho, ele mostra a caravela de Cabral com uma pessoa anunciando: "Terra à vista!". E, em um barco pequeno, os sem-terra gritam em coro: "Eêêba!".

Mas a crítica fica mais forte nos traços de Pecê, que mora em Sao Caetano. "Sempre achei que o desenho com uma crítica social, simplesmente, fica uma coisa rancorosa e chata. Por isso optei por usar o sarcasmo e a ironia", explica. Em seus desenhos, ele mostrou índios, corruptos brasileiros, negros, latifundiários e miseráveis da cidade.

O cartunista Peixe, de Sao Bernardo, também nao poupou aqueles que fizeram a história - ruim - do Brasil, e desenhou a famosa dupla Collor e PC bem unida na corrupçao, mas já planejando trair um ao outro.

Humor Brasil 500 Anos também deve ser lançado no Grande ABC, provavelmente em abril, em local a ser definido. Por enquanto, quem quiser adquirir um exemplar terá de contatar o grupo pelo site www.humorbrasil.8m.com ou pelo telefone 4226-4396. Outra opçao é ir ao pré-lançamento nesta quinta, a partir das 12h, na sede da ABRA (Academia Brasileira de Artes), que fica na rua Vergueiro, 1.681, em Sao Paulo.



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Os 500 anos do Brasil sao retratados em cartuns

Gislaine Gutierre
Da Redaçao

09/02/2000 | 20:53


  Seis cartunistas do Grande ABC e outros 15 de diversas partes do país se reuniram para mostrar, por meio de seus desenhos, uma perspectiva bem-humorada e crítica sobre os cinco séculos de história do Brasil. O registro desse trabalho está no livro Humor Brasil 500 Anos (Virgo, 144 págs., R$ 7), que terá um pré-lançamento neste sábado, em Sao Paulo, durante as comemoraçoes do Dia do Quadrinho Nacional.

A idéia de publicar a obra surgiu como forma de driblar as dificuldades de ingressar formalmente no mercado literário e de obter espaço nas livrarias. Os cartunistas Mário Mastrotti, de Sao Caetano, e Cerito, de Sao Bernardo, perceberam entao que a melhor saída seria realizar uma produçao independente.

Em fevereiro do ano passado, portanto, Mastrotti começou a chamar os amigos mais próximos, da mesma profissao, para realizar um projeto em sistema cooperativo. Cada um desembolsou uma quantia pré-definida, teve espaço para publicar cinco cartuns, e recebeu 30 exemplares para comercializaçao. "O que mais me surpreendeu foi a alegria e o prazer que todos tiveram em participar", diz Mastrotti, que coordenou o projeto. Segundo ele, o principal objetivo nao foi obter lucro, mas expor um pouco do trabalho de cada um. "A maioria trabalha como jornalista, publicitário ou designer e nao vive de fazer cartuns", argumenta.

Por uma questao de orçamento, todos os cartuns foram feitos em preto-e-branco, mas a liberdade de criaçao foi absoluta. Por isso, Humor Brasil 500 Anos se transformou em uma rica compilaçao do pensamento desses cartunistas sobre os fatos e as pessoas que marcaram os 500 anos de Brasil. A obra ganhou capa de Antonio Carlos Pires, de Santo André, e prefácio de Sonia Bibe Luyten.

Indios, portugueses, políticos e personalidades sao figuras recorrentes nas criaçoes. Mastrotti, por exemplo, faz uma brincadeira com a chegada de Pedro Alvares Cabral ao Brasil, colocando até Dom (Leonardo) Di Caprio de braços abertos na proa da embarcaçao. Cerito focalizou basicamente os índios. O cartunista Taco X, de Curitiba, ventila algumas hipóteses sobre o que seria do país se ele fosse descoberto por ingleses, judeus, turcos ou ETs. Mais poético, Djalma Lúcio, do Maranhao, desenhou um mapa do Brasil formado pelos corpos das principais raças: o índio, o branco e o negro.

O baiano Gilmar, que mora em Santo André desde 1974, pôs até os sem-terra na brincadeira. Em um desenho, ele mostra a caravela de Cabral com uma pessoa anunciando: "Terra à vista!". E, em um barco pequeno, os sem-terra gritam em coro: "Eêêba!".

Mas a crítica fica mais forte nos traços de Pecê, que mora em Sao Caetano. "Sempre achei que o desenho com uma crítica social, simplesmente, fica uma coisa rancorosa e chata. Por isso optei por usar o sarcasmo e a ironia", explica. Em seus desenhos, ele mostrou índios, corruptos brasileiros, negros, latifundiários e miseráveis da cidade.

O cartunista Peixe, de Sao Bernardo, também nao poupou aqueles que fizeram a história - ruim - do Brasil, e desenhou a famosa dupla Collor e PC bem unida na corrupçao, mas já planejando trair um ao outro.

Humor Brasil 500 Anos também deve ser lançado no Grande ABC, provavelmente em abril, em local a ser definido. Por enquanto, quem quiser adquirir um exemplar terá de contatar o grupo pelo site www.humorbrasil.8m.com ou pelo telefone 4226-4396. Outra opçao é ir ao pré-lançamento nesta quinta, a partir das 12h, na sede da ABRA (Academia Brasileira de Artes), que fica na rua Vergueiro, 1.681, em Sao Paulo.

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