Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 21 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Só S.Bernardo e Ribeirão
cumprem lei da merenda


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

09/05/2011 | 07:22


 

Quando, semana passada, São Bernardo firmou acordos com 18 cooperativas, somando R$ 8,8 milhões em investimentos, tornou-se a segunda cidade da região a cumprir a lei federal que determina que 30% dos produtos da alimentação escolar devem ser adquiridos de produtores da agricultura familiar.

Das sete cidades do Grande ABC, apenas São Bernardo e Ribeirão Pires conseguiram selecionar produtores que tivessem preço viável e qualidade para concorrer com os grandes fornecedores. Mesmo assim, esta última costuma comprar de cooperativas do Rio Grande do Sul e do Interior de São Paulo.

Santo André, que conta hoje com dois fornecedores da agricultura familiar localizados no Interior de São Paulo, afirmou ter dificuldades para alcançar a meta do governo federal. Um dos motivos apontados é o fato de o Grande ABC ser um centro urbano com pouca produção agrícola familiar, o que encarece o frete e torna os preços menos competitivos.

O preço também é problema em Diadema, que divulgará nos próximos dias o terceiro chamamento público para os produtores .

No primeiro, embora 16 fornecedores tenham retirado o edital, apenas um apresentou preço, mas acima do previsto. Já no segundo, o valor do fornecedor de arroz da agricultura familiar foi superior ao estabelecido na ata de registro de preço, o que também impediu a realização de contrato.

São Caetano já abriu chamamento duas vezes, em 2010 e novamente neste ano. No ano passado, ninguém foi selecionado. Agora, o procedimento ainda se encontra em andamento, assim como em Mauá, que abriu a chamada pública neste mês.

 

A PLANTAÇÃO

Quando uma criança da rede municipal de ensino de São Bernardo come arroz, feijão, salada e carne, não imagina o caminho que o alimento percorreu até chegar ao prato. É um percurso que requer cuidado e paciência, mas, principalmente, amor pelo que se faz.

É o caso de Motoaki Kawano, 74 anos, que tem uma pequena propriedade no bairro Cooperativa, em São Bernardo. Ele foi um dos cerca de 1.000 agricultores, de 18 cooperativas, que assinaram semana passada contratos com a Prefeitura para fornecer produtos para a alimentação escolar.

Motoaki e sua mulher, Eiko Kawano, 70, produzem 780 pés de alface hidropônica por dia. A hidroponia é a técnica de cultivar plantas sem solo, na qual as raízes recebem uma solução que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta.

A produção começa com a semente revestida, uma pequena bolinha verde que parece um remédio homeopático colorido. Essa bolinha é colocada em uma bandeja quadriculada, cada quadrado com um pouco de terra. Até brotar, leva cerca de dois dias, quando as alfaces estão do tamanho da unha do dedo mindinho de um bebê.

Com algumas semanas, a planta deixa a terra e vai para longos canos que ficam em dez estufas. É por meio desses canos que as raízes recebem água e nutrientes. Para o pé de alface ficar pronto para venda, leva cerca de 60 dias. “Tudo depende da temperatura. Quando está quente, a alface cresce mais rápido”, disse Motoaki. É preciso ter paciência, o que não falta para o filho de japoneses que herdou o terreno do pai, também agricultor.

Quando a alface está pronta para ser vendida, dona Eiko e dois ajudantes ensacam o vegetal com a ajuda de um balde com o fundo cortado. “Assim é mais fácil de colocar a alface no saco, e tem menos contato com as mãos”, explicou ela, que usa luvas para embalar o alimento.

Motoaki vende cada pé de alface a R$ 1,20. Tem contrato com mercados e quitandas e, a partir de agora, com a Prefeitura. “É uma segurança pra gente, que sabe que vai ter o pagamento em dia”, afirmou. Apenas três produtores da região atenderam os requisitos para fornecer alimentos para a merenda. Os demais são do Interior de São Paulo e do Paraná.

 

 

O TRAJETO

Ao sair da propriedade de seu Motoaki e de outras propriedades espalhadas pelo Estado de São Paulo, os alimentos são transportados de caminhão até as escolas da rede municipal de São Bernardo.

O Diário acompanhou a chegada de um desses caminhões, vindos do Ceasa, já que os contratos com os fornecedores da agricultura familiar foram assinados na segunda-feira e terão início a partir das próximas semanas. As verduras e frutas foram entregues na Emeb Otílio de Oliveira, no Rudge Ramos.

Ao chegar ali, os alimentos que vão para o prato da criançada são conferidos por olhos atentos. A cozinheira Neuza Irene Priori Sorbara, 53 anos, coloca os óculos para não deixar passar nenhum detalhe.

Seu trabalho é acompanhado pela nutricionista responsável pela cozinha, Terezinha Pereira Milhomem, 47. Elas pesam e observam as condições de frutas, legumes e verduras.

Cenouras grandes demais e acelga com folhas machucadas são devolvidas. “A orientação é que elas façam isso mesmo: não está bom, tem de voltar. Mas temos menos problemas no caso da agricultura familiar, pois os produtos são de melhor qualidade”, disse a nutricionista da Secretaria de Educação Thaís Lopes Costa.

 

A PREPARAÇÃO

Está na hora de colocar a mão na massa, ou melhor, nas panelas. Na Eemeb são servidas duas refeições por dia, uma às 10h20 e outra às 13h. Também são servidos lanches de pão com manteiga e leite, às 7h e às 16h.

Tudo é feito pelas mãos habilidosas de Neuza e seus ajudantes, que são de uma empresa terceirizada pela Prefeitura. “Hoje tem carne de panela com molho de tomate, arroz, feijão e salada. A comida aqui é feita com amor, as crianças lambem os beiços”, garantiu.

A escola desenvolve desde o início do ano projeto para estimular a alimentação saudável. “Antes os alunos traziam salgadinhos e refrigerantes de casa. Agora orientamos os pais a mandar só fruta e estimular o filho a comer na escola”, explicou a coordenadora pedagógica da Otílio, Michele Peres da Cruz, 28.

 

NO PRATO

 

Na Escola Municipal de Ensino Básico é a criançada que decide quanto quer comer: há um balcão no esquema self service para que elas se sirvam sem nenhuma ajuda.

Os tradicionais pratos azuis de plástico foram substituídos por pratos de vidro. “Até os menorzinhos, de 6 anos, escolhem o que querem sozinhos, com a orientação dos professores”, explicou Michele Peres da Cruz.

Ieda Tuani da Silva, 10 anos, está na 4ª série e almoça todos os dias na escola. “Acho uma delícia, não tem nada que eu não gosto”, disse.

O coleguinha Felipe Marques Rodrigues, 8, concorda. “A tia cozinha bem”, elogiou.

Com a barriga cheia, os alunos estão prontos para aprender e brincar a tarde toda.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;