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Vovó passa 'DNA do Xadrez' à bisneta

Ari Paleta/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marco Borba
Do Diário Grande ABC

30/08/2009 | 07:00


A austríaca Margareth Giorghe, 90 anos, passou mais do que o código genético à bisneta Gabriela, de três anos. Aos poucos espalha conhecimento à pequena por meio do xadrez.

"Quase todos os dias ela é quem aponta para o tabuleiro e me chama. Já sabe até onde deve colocar cada peça. Ela gosta. Acho que adquiriu esse dom meu", diz, orgulhosa, a ex-funcionária da Volkswagen.

Embora o xadrez esteja no sangue da família, só Margareth participa de competições.

Refugiada, chegou ao Brasil em 1948 e somente a partir de 1960, época em que começou a trabalhar na Volks, passou a disputar torneios. Ela representava a empresa nas competições realizadas todo ano, no 1º de maio (Dia do Trabalho), contra funcionários de outras montadoras.

A vovó era supervisora de vendas e se aposentou até 1979. No entanto, mesmo longe da atividade profissional continuou a jogar, agora como representante de São Bernardo nos Jogos Regionais e Abertos do Interior.

"Disputei os Regionais e os Abertos pela última vez em 2000. Agora não dá mais, em razão da idade. Se pudesse, continuaria", disse Margareth.

A presença em torneios agora é esporádica. No mês passado, a aposentada ficou em quinto lugar em torneio que homenageou a amiga Ottile Grohmann, com quem formou dupla durante alguns anos.

Ottile faleceu em 2003, aos 86 anos. O torneio leva o nome da dupla: "Margareth e Otille".

"O torneio é póstumo, mas é bom lembrar que eu ainda não morri (risos)", brinca Margareth.

Segundo a ex-funcionária da Volks, antes de defender São Bernardo, Ottile representou São Caetano. "Sinto muita saudade. Fomos a dupla dinâmica do xadrez."

Em setembro, Margareth participa de um torneio para idosos (acima de 60 anos), em Caraguatatuba. Por ser estrangeira, nunca disputou torneios nacionais.

"Nos anos 1970 fui campeã paulista duas vezes. Participei como convidada", conta.

Filha de uma família de oito irmãos (quatro homens e quatro mulheres), Margareth aprendeu a jogar com o pai, aos 8 anos. "Todos nós aprendemos. Naquela época vivíamos dias difíceis, por causa da guerra (Segunda Guerra Mundial)."

Margareth chegou ao Brasil como refugiada, em 1948. "Eu era casada na época, e vivíamos com minha sogra, que era húngara. No pós-guerra, os húngaros e os tchecos eram perseguidos pelos russos. Ela pediu ajuda a uma organização mundial, que oferecia ajuda a refugiados e depois de um certo tempo o pedido foi aceito."

Apenas as três irmãs de Margareth ainda estão vivas e moram na Áustria. Ela mora com o filho Eugênio, avô da pequena Gabriela. A outra filha, Gertraud, 68 anos, vive nos EUA. "Gostaria de ver minhas irmãs e minha filha ao menos mais uma vez. Ia a cada dois anos, mas agora não dá mais pelo risco de trombose", conta.

Para Margareth, o xadrez a tem ajudado a manter a lucidez. "Encaro o xadrez como uma diversão, não como um desafio."



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