
Delaminação é a formação de bolhas de ar nos vidros blindados. Isso ocorre quando o policarbonato – produto que compõe o vidro blindado junto com poliuretano - descolava do vidro com o tempo. O vilão do processo era a diferença do coeficiente de dilatação térmica dos materiais que eram usados, até então, na blindagem do vidro. Processo sem volta, o descolamento geralmente aparecia após dois anos da blindagem. Como a segurança ficava comprometida, a única solução era trocar os vidros e desembolsar de R$ 15 mil a R$ 18 mil por um conjunto de vidros novos.
A descoberta tem tudo para revolucionar o setor no Brasil, o país com o maior número de empresas especializadas neste tipo de serviço no mundo, onde são blindados cerca de 350 veículos por mês. Em seguida estão México, Colômbia e Venezuela. O resultado mais imediato para o consumidor está no aumento da garantia do produto que saltou de 2 para 5 anos. Com o domínio dessa nova tecnologia, a Inbra já planeja exportar para o México, Colômbia e Venezuela.
O desafio foi encontrar um material com as mesmas características do vidro e que tivesse um comportamento igual ao ser submetido a variações de temperatura, o que faz com que suas moléculas sejam comprimidas ou expandidas. A solução para construir o Space Glass foi encontrada no Hard Poliurethan, que é um material termoplástico constituído de poliuretano.
"O novo processo não delamina, pois o Hard Poliurethan acompanha o coeficiente de dilatação térmica do vidro. A placa é mais flexível, mas oferece a mesma segurança. O custo é o mesmo do policarbonato e a transparência continua em 75%", afirma o engenheiro Eduardo Rodrigues Silva, responsável pelo processo. Para ter sua resistência comprovada, o Space Glass foi submetido a testes balísticos na presença da reportagem do Jornal Veículos. O vidro blindado com Hard Poliurethan resistiu a disparos de armas como Magnum 44, 357 Magnum e 38.
Fabricação – No processo de blindagem, os vidros originais, com 3 mm de espessura, são substituídos por vidros de 21 mm. Para eliminar a distorção óptica, outra queixa dos proprietários de veículos blindados, é utilizado um equipamento scanner, desenvolvido na própria Inbra, que mede todos os pára-brisas. O software trabalha com câmeras para tirar a subjetividade do olho humano.
Para detectar o grau de distorção no vidro já acabado, o programa se utiliza de cálculos matemáticos. O sistema funciona de maneira automatizada, transformando a imagem transmitida por uma câmera em esferas. Inédito na América Latina, o equipamento consegue reduzir os níveis de distorção para a metade dos índices permitidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Quanto custa? – Qualquer modelo de veículo pode ser blindado, embora o custo ainda seja elevado. Existem vários níveis de blindagem, mas o mais convencional no Estado de São Paulo é o 3 A, que suporta projéteis disparados por armas como 9 mm, calibre 12 e Magnum 44.
Blindar um Toyota Corolla, um dos modelos mais solicitados atualmente, com proteção nível 3 A, tem um custo, na Inbra, de R$ 45 mil. A blindagem da picape Fiat Strada, que teve muita procura no ano passado, sai por R$ 27,5 mil. O mais blindado em 2003, no entanto, foi o Golf. Após o trabalho de blindagem, o veículo ganha em torno de 100 a 180 kg, o que significa perda no desempenho dos carros. Ter motor potente, portanto, é necessidade básica.
Cuidados Especiais – Como são pesados, não se deve bater a porta do carro com os vidros abaixados. Isso pode trincá-los ou danificar o sistema de abertura e fechamento. O ideal é bater as portas com os vidros fechados.
Vidros blindados com policarbonato não devem ficar muito tempo sob o Sol, pois o processo de delaminação pode ser acelerado à medida em que o veículo é exposto ao choque de temperatura. Quanto mais alta a temperatura, maior é a chance do produto dilatar e desgrudar do vidro. "O Space Glass, no entanto, pode ficar exposto ao Sol", diz o engenheiro Eduardo Rodrigues Silva.
Carros blindados não exigem manutenção especial durante o tratamento estético "Todos os produtos utilizados podem ser passados no vidro", afirma Silva.
O grupo – Fundado há 25 anos em Mauá, o grupo Inbrafiltro é formado por cinco empresas: Inbrafiltro, Inbratêxtil, Inbrablindados, Inbraglass e Inbraaerospace. O grupo também atua no segmento de proteção balística pessoal com coletes à prova de balas, capacetes de combate e escudos balísticos. A Inbrablindados, por sua vez, é responsável pela blindagem total de veículos. A proteção do habitáculo é garantida pela aramida, composto sintético derivado do nylon e fabricado pela própria empresa.
A Inbraaerospace cuida do segmento de aviação. São produzidas peças em material composto, blindagem de fuselagem de aviões militares e das portas dos cockpits de aeronaves civis. Entre os clientes da empresa estão a Embraer e a Helibrás.
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