
Padre Léo Pessini, da comissao de Saúde da CNBB, confirmou que já viu "pelo menos 20 casos de padres soropositivos" no Brasil. "Nao adianta esconder esta situaçao. É uma realidade. O pior é que há muita discriminaçao, inclusive entre pessoas que se dizem apóstolos de Cristo", disse o padre. Segundo ele, nao há estatisticas oficiais a respeito.
O primeiro caso que se tornou público, pelo menos nos bastidores da Igreja, foi o do padre Benedito de Jesus Batista, que morreu em decorrência da Aids em 1991. Na época, ele trabalhava junto ao entao Arcebispo de Sao Paulo, D. Paulo Evaristo Arns.
Padre Batista assumiu perante as autoridades apostólicas e à paróquia que era soropositivo. "Padre Batista escolheu ser tratado em um hospital público, quando o caso poderia ser escondido em alguma instituiçao particular", disse Pessine. Padre Batista foi enterrado em uma capela particular dentro do Cemitério do Araxá, em Sao Paulo.
A reportagem da Globo mostrou vários casos de portadores de HIV na Igreja. Um ex-seminarista de Pernambuco disse que foi afastado no momento em que seus superiores souberam da doença. "Ele (o superior) me disse que nao era bom para o Estado ter um aidético na Igreja", disse. Ele tenta na Justiça o direito de voltar ao seminário. "Uma atitude como esta nao combina com uma instituiçao que prega a misericórdia".
Foi mostrado ainda o caso de dois padres de Manaus, que foram acolhidos pela Igreja. Irmao Henrique, soropositivo há quatro anos, e Frei Anselmo Araújo, há oito, continuam a exercer o sacerdócio. "Nunca fiquei desamparado", garantiu Araújo.
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