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Lendas e encantos de Santarém


Heloísa Cestari
Do Diário do Grande ABC

02/09/2010 | 06:09


Uma curiosa disputa, baseada na lenda do boto que vira homem ao sair da água para seduzir moças bonitas, começa hoje na cidade de Santarém. Considerada um dos mais importantes eventos do calendário festivo paraense - ao lado da Marujada, em Bragança, e o Círio de Nazaré, em Belém - a Festa do Sairé (originalmente grafada Çairé, com cedilha, para horror dos lexicógrafos) mistura elementos profano-religiosos em cinco dias de procissões embaladas por shows, rituais indígenas, torneios folclóricos e ritmos tipicamente paraenses, como carimbó, marambiré, lundu e desfeiteira.

O apogeu da brincadeira é a disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-rosa pela preferência popular. Qualquer semelhança com a briga entre os bois-bumbás de Parintins (AM), no entanto, é mera coincidência. Até porque, embora o confronto dos cetáceos tenha sido introduzido só em 1997, a festa santarena data de muito tempo antes, quando os portugueses colonizaram as regiões do Médio e Baixo Amazonas.

Provavelmente criado por jesuítas para facilitar a catequese dos índios, o Sairé consiste em um semicírculo de madeira que narra o relato bíblico do dilúvio: o grande arco representa a arca de Noé; os doces e as frutas, a abundância de alimentos existentes na arca; o algodão e o tamborim, a espuma e o ruído das ondas durante os 40 dias de dilúvio; e os espelhos, a luz do dia. Os três semicírculos simbolizam a Santíssima Trindade e as três cruzes, o calvário, com Jesus Cristo crucificado entre os ladrões.

Também há quem acredite que o símbolo tenha sido criado pelos próprios índios borari, antigos habitantes da vila, na tentativa de imitar os escudos lusitanos. Seja lá como for, o resultado é um misto de manifestações culturais únicas, que, de acordo com estimativas da prefeitura de Santarém, deverá atrair cerca de 100 mil visitantes à vila de Alter-do-Chão a partir do dia 13.

PREPARATIVOS
O rito religioso começa uma semana antes da festa, quando moradores intitulados de mordomos e procuradores embrenham-se mata adentro para escolher os dois mastros que serão carregados em procissão pelos moradores. Um deles é levado por um cortejo só de mulheres e o outro, por homens.

À frente, saracoteia a saraipora, que conduz o símbolo do Sairé ao lado dos rufadores de caixa, que tocam e cantam os hinos.

Nos demais dias da festa, os grupos se reunirão, ao meio-dia, para um breve ritual em torno dos mastros. Na segunda-feira, 13, os participantes fazem a varrição quando todos os personagens se reúnem em um barracão para se despedir do Sairé e da Coroa e seguem para a derrubada dos mastros. Em seguida, é celebrada a cecuiara, almoço de confraternização com pratos típicos da cozinha santarena.

TURISMO
Entre as opções de passeios em Santarém, estrelam os roteiros de barco até o ponto onde ocorre o fascinante encontro das águas do Tapajós com as do Rio Amazonas, reconhecido pela National Geographic Society como o maior do mundo em volume e extensão. Devido às diferenças de densidade, temperatura e velocidade, as águas dos dois rios não se misturam.

Em setembro, o período de seca também propicia a formação de belíssimas praias de areia branca na Vila de Alter-do-Chão, com direito à presença de botos e ao aparecimento do Lago Verde, que no auge do verão fica separado do rio por uma imensa barra fluvial de cerca de um quilômetro de extensão.

Cachoeiras, igarapés e ilhas povoadas por jacarés, macacos, tartarugas e pássaros próprios da Amazônia completam o fascinante cenário, que fez os navegadores portugueses passarem de conquistadores a conquistados, transformando a região num berço querido.



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