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Desaceleração da economia faz inflação perder força em março

IPCA acumulado em 12 meses voltou a um
dígito, porém ainda é o mais alto desde 2003

09/04/2016 | 07:15
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Ari Paleta/DGABC
Ari Paleta/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no País, fechou em 9,39% no acumulado de 12 meses até março. A taxa, que é 0,97 ponto percentual inferior à de fevereiro, volta ao patamar de um dígito após quatro meses. Por outro lado, o índice ainda é o mais alto para março desde 2003, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“É uma boa notícia, mas que foi provocada por uma má notícia. O lado positivo é que a inflação volta a dar sinais de controle. O aspecto negativo, entretanto, é que isso é causado pela recessão”, pondera o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia.

Balistiero avalia que já é possível cogitar que a inflação feche o ano dentro do teto da meta estipulada pelo Banco Central, de 6,5%. A meta é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo (entre 2,5% e 6,5%, portanto).

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O professor destaca que o retorno do IPCA para baixo dos dois dígitos pode repercutir positivamente no mercado, como sinal de aumento da credibilidade na política econômica do governo. “Porém, isso vai depender dos próximos passos da Selic (taxa básica de juros). Se o Banco Central reduzi-la muito intensamente nos próximos meses, os investidores poderão entender que a situação está saindo do controle novamente.” Por outro lado, o Conselho Federal de Economia defende que a taxa já comece a ser reduzida (leia abaixo).

No início de 2013, a Selic, que hoje está em 14,25% ao ano, chegou a 7,25%. De lá para cá, a inflação subiu gradativamente. O aumento nos juros é uma medida recorrente para conter a elevação de preços, já que as linhas de crédito se tornam mais caras e escassas, fazendo com que haja menos demanda e, consequentemente, os aumentos sejam contidos.

MENSAL - O índice mensal ficou em 0,43% – queda de 0,47 ponto percentual ante fevereiro e de 0,89 ponto percentual na comparação com março do ano passado. Foi a taxa mais baixa para março desde 2012. O analista econômico do IBGE Jefferson Mariano destaca que a desaceleração foi puxada pelos preços do grupo de habitação, que apresentaram deflação de 0,64%. “Dentro desse setor, houve impacto nos contratos de aluguel, que ficaram mais baratos em razão da crise no mercado imobiliário, e da redução nas tarifas de energia elétrica.”

A conta de luz teve diminuição em março depois que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) alterou a bandeira tarifária vermelha para amarela, reduzindo de R$ 3 para R$ 1,50 o valor excedente para cada 100 quilowatts-hora consumidos. A tarifa ficará ainda mais barata em abril, já que, a partir do dia 1º, passou a vigorar a bandeira verde, quando não há adicional. A mudança é decorrente da melhora no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. No auge da crise hídrica, o governo teve de acionar as termelétricas, cujo custo de operação é mais alto.

Por outro lado, o grupo de alimentação e bebidas teve alta de 1,24% em março, provocado, principalmente, pelas frutas, que subiram, em média, 8,91%. Sem contar as altas nos cereais (2,11%), nas farinhas (1,73%), no açúcar (2,12%) e nas verduras e hortaliças (2,34%). O excesso de chuvas prejudicou a colheita e, por isso, diversos itens ficaram mais caros.

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que rege o reajuste de diversas categorias, acumulou 9,91% em 12 meses.


Conselho de Economia defende queda de juros

O Cofecon (Conselho Federal de Economia) defendeu ontem a redução da Selic, a taxa básica de juros da economia.

Atualmente, em 14,25% ao ano, a Selic foi mantida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central nas últimas cinco reuniões. Segundo o Cofecon, a queda, em março, da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), justifica uma redução da taxa básica.

O IBGE informou ontem que a inflação ficou em 0,43% em março, após registrar 1,27% em janeiro e 0,9% em fevereiro. O índice também foi o melhor para meses de março desde 2012. “Esse resultado ratifica que as causas da forte elevação do IPCA em 2015, quando alcançou 10,67%, não mais estão presentes”, alegou o Cofecon em nota. De acordo com o comunicado, os efeitos do reajuste de preços administrados, como os da gasolina e da energia, bem como o repasse de preços causado pela alta do dólar, já acabaram.

“Ademais, o impacto da queda da massa salarial, da desaceleração do crédito e da atividade econômica concorrem para a contenção na variação dos chamados ‘preços livres’”, acrescentou o Cofecon. Para a entidade, o País não enfrenta problema de inflação de demanda e, por isso, não haveria justificativa para manter a Selic no patamar atual.

O Cofecon lembra da retração de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto – soma dos bens e serviços produzidos em um País) em 2015 e afirmou que a política monetária contribuiu para a queda da atividade econômica. “(Isso) Pode, inclusive, se repetir em magnitude similar em 2016, com reflexos adversos sobre a geração de emprego e renda da família”, diz a entidade.  (da ABr)




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