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PMDB rompe com PT após 13 anos de aliança

Em encontro de quatro minutos na Câmara Federal, cúpula do partido formalizou, por votação simbólica, rompimento com o governo Dilma


Fabio Martins
Do Diário do Grande ABC

30/03/2016 | 07:00


Com gritos de ‘Fora, PT’ e ‘Brasil para frente, Temer presidente’, o PMDB anunciou ontem formalmente o rompimento político com o governo Dilma Rousseff (PT) depois de 13 anos de aliança, iniciada no quinto mês da primeira gestão do ex-presidente Lula (PT). Em encontro que durou apenas quatro minutos, na Câmara Federal, a cúpula do partido oficializou, por meio de votação simbólica, a ruptura, dizendo-se agora independente no Congresso e que entregará todos os cargos da máquina pública – ainda seis ministérios e cerca de 600 postos. O plenário contou com mais de 100 integrantes da executiva nacional. A decisão pela saída se deu por aclamação. Todos os presentes levantaram a mão em aprovação ao desembarque.

Não houve discursos das lideranças durante o ato. Apenas o senador Romero Jucá (PMDB), ex-líder do governo Dilma, usou o microfone na atividade. Ao lado do correligionário e presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ele colocou uma moção, do total de 11 na pauta, que tratava de a legenda desvincular-se imediatamente do governo – todas referiam-se ao afastamento. A proposta havia sido apresentada em convenção nacional da sigla, dia 12, com hiato de até 30 dias para a batida de martelo. “A partir de hoje (ontem) nesta reunião histórica para o PMDB, que se retira da base do governo, ninguém no País está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do partido. A decisão está tomada”, sentenciou Jucá.

Até segunda-feira, o PMDB ocupava sete cadeiras no primeiro escalão da administração federal. O ex-deputado Henrique Eduardo Alves, um dos peemedebistas mais próximos de Temer, antecipou-se à decisão do diretório e entregou o cargo de ministro do Turismo. Por enquanto, não houve confirmações das demais saídas na Esplanada. Filiados da legenda encabeçam as Pastas de Aviação Civil, Agricultura, Portos, Ciência e Tecnologia, Minas e Energia e Saúde. A primeira área, inclusive, foi cedida ao deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG), após a sigla, na convenção, indicar que não aceitaria novas funções comissionadas.

Em sua fala, Jucá destacou que eventual desobediência a essa definição do diretório deve ensejar instauração de processo de ética contra filiado, conforme artigo 26 do estatuto da legenda. O PMDB sinaliza pedido de expulsão aos ‘rebeldes’. A direção da sigla adiantou, no entanto, que, apesar da debandada, Temer se manterá no posto. Recém-reeleito presidente nacional do partido, ele, que não compareceu ao ato de separação com o PT, pode ser um dos principais beneficiários do processo de impeachment de Dilma, já em tramitação na Câmara.

O Planalto teme que o anúncio possa desencadear efeito dominó, o que pode ser determinante para a derrocada na votação do afastamento de Dilma. Fato é que a decisão aumenta a crise política. O PMDB tem a maior bancada do Legislativo federal, com 68 deputados. Apesar deste cenário, o apoio ao governo nunca foi unânime dentro da sigla. Sob a tutela de Cunha, por exemplo, a Câmara emplacou seguidas derrotas com aval a projetos desfavoráveis a Dilma, além de instauração da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras.

Dilma se reuniu, à noite, com ministros para traçar tática para enfrentar momento delicado. O ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidência, Jaques Wagner (PT), falou que a saída do PMDB da equipe abre caminho para “repactuação” com outros partidos da base do governo.

Lideranças da região endossam posicionamento da nacional

Leandro Baldini

Principais lideranças políticas da região filiadas ao PMDB endossaram o posicionamento nacional da legenda de romper de maneira oficial com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Prefeito de São Caetano, Paulo Pinheiro (PMDB) argumentou que a posição formal adotada pela sigla, encabeçada pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), marca posição “a favor da cidade e do País”, colocando-se “a favor da verdade e da eficiência das gestões públicas e suas instituições”. “Agora é olhar para frente, não voltar ao passado e percorrer o caminho do bem, com ampla apuração das denúncias e irregularidades e com a justa punição aos responsáveis”.

Chefe do Executivo de Ribeirão Pires, Saulo Benevides (PMDB) vê acerto no caminho definido pela legenda. “Acredito que o PMDB esteja tomando decisão que beneficiará a população como um todo”, pontuou, ao acrescentar que não é favorável somente ao afastamento da petista. “Não posso negar que o governo da presidente é importante aliado a Ribeirão. Sou contra a sua destituição.”

Em terceiro mandato na Assembleia Legislativa, Vanessa Damo (PMDB) falou “em momento histórico” ao defender “fielmente” a postura dos dirigentes peemedebistas. “Tudo foi bem acertado. O posicionamento e o momento. Mostrou, acima de tudo, que o partido está em sintonia com o desejo da população. Foi a primeira ação para ajudar o País a retomar o crescimento”, disse. 



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