
Passado quase um ano do susto provocado pela primeira onda de gripe suína, os brasileiros ganharam, na semana passada, uma arma poderosa para prevenir a doença: a vacina contra o vírus Influenza A (H1N1). No entanto, o fato de a campanha do Ministério da Saúde não se estender a toda população deixou muitas pessoas com dúvidas sobre o critério adotado pelo governo.
"Por que não vão vacinar pessoas acima de 40 anos? Pago meus impostos como todo mundo e não tenho esse direito?", perguntou uma internauta em um e-mail enviado ao Diário. A mesma indagação pode ser feita por pessoas entre 2 e 19 anos, grupo também não contemplado pela imunização gratuita.
O Ministério da Saúde argumenta que, além de não haver disponibilidade da vacina em escala mundial para suprir a demanda, os laboratórios esbarram na limitação da capacidade de produção e entrega do produto antes do início da segunda onda da doença, esperada para o início do inverno — no ano passado, a doença fez mais de 2 mil vítimas fatais no País.
Com 113 milhões de doses adquiridas, o Brasil teve de eleger nesse primeiro momento os grupos mais vulneráveis à Influenza A. Integram a lista aqueles já definidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) —trabalhadores de saúde, gestantes, população indígena e portadores de doenças crônicas —, bem como os mais afetados na primeira onda de contágio, o que explica a inclusão de crianças de seis meses a 2 anos de idade e pessoas de 20 a 39 anos.
O médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina do ABC Munir Ayub explica que tal estratégia não visa evitar o contágio, mas sim diminuir o risco de complicações e o número de mortes associadas à doença. "A vacina reduz de 70% a 80% a chance de contrair o vírus. Isso não quer dizer que a pessoa estará completamente imune", observou.
O especialista ressalta, ainda, que a vacina é apenas um dos instrumentos de prevenção à gripe. De acordo com ele, a continuidade de medidas adotadas no ano passado, como lavar bem as mãos, deixar o ambiente ventilado e levar a mão à boca ao tossir ou espirrar são importantes para evitar a proliferação do vírus.
Clínicas privadas — A vacina contra a Influenza A (H1N1) deve chegar às clínicas privadas em meados de abril. Ainda não foi definido o valor do produto, mas já se sabe que quem pagar pelo serviço será imunizado, em uma única dose, contra as gripes tradicional e suína.
A imunização contra a gripe A é contraindicada somente a bebês menores de seis meses e a quem tem alergia importante a ovo.
Confira o calendário da campanha de vacinação:
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Grupo |
Período |
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- Trabalhador de saúde |
8 a 19 de março |
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- Grávida em qualquer idade gestacional |
22 de março a 2 de abril |
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- População de 20 a 29 anos |
5 a 23 de abril |
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- População com mais de 60 anos com doenças cônicas |
24 de abril a 7 de maio |
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- População de 30 a 39 anos |
10 a 21 de maio |
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