A própria Prefeitura admite que as 800 famílias vivem em área de risco. “Os moradores estão sobre material em decomposição que pode ceder a qualquer momento. Como o lixão está desativado há muito tempo, não há quase produção de gases”, disse Cheila Aparecida Gomes Bailão, diretora do Departamento de Resíduos do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental).
O Ministério Público determinou a retirada de toda a favela Espírito Santo (1,4 mil famílias). A Prefeitura questionou a promotoria e afirma, por meior de um laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que apenas as famílias que vivem sobre o antigo lixão precisam ser retiradas. A administração alega não ter onde instalar as famílias, por isso propôs um acordo com o Ministério Público, que prevê um prazo de quatro anos para a remoção dos moradores. Neste período, comprometeu-se a evitar o adensamento da favela e a fazer ações sociais e de infra-estrutura para a população local.
Ainda não há previsão de quando as famílias poderão ser removidas da área de risco. “Calculamos que serão necessários de R$ 14 a R$ 15 milhões para retirar as pessoas, comprar o terreno e construir unidades habitacionais”, disse Selma Scaramboni, assistente do Departamento de Habitação da Prefeitura.
Segundo Selma, é necessário um financiamento externo para construir uma alternativa habitacional para os moradores da área. “Não temos terrenos disponíveis na cidade. Mesmo utilizando unidades verticais, ainda não pudemos definir onde iríamos instalá-los”, disse. As outras 600 famílias que vivem na favela ficam num local com possibilidade de reurbanização, segundo a Prefeitura.
Area de risco – O fato de morar em cima de uma grande montanha de lixo, divide os moradores – muitos não acreditam nos perigos a que estão expostos. “Já ouvi falar que era área de risco, mas desde que eu moro aqui (há seis anos), nunca vi nada disso. A gente precisa é de melhorias como água, luz e esgoto”, disse o desempregado Manoel Ferreira de Jesus, 28 anos.
A dona de casa Vanusa Fernandes de Oliveira Santos, 28 anos, participou da invasão da área há oito anos. “Estava tudo coberto de mato e terra. A gente limpou e fez as casas. A gente cavava para fazer a construção e encontrava entulho, sacos de lixo e restos de pneus do antigo lixão”, contou.
A faxineira Aleniusa Araújo dos Santos, 31 anos, gostaria que a Prefeitura removesse as famílias para outro local. “É perigoso. Pode acontecer um desabamento ou uma explosão, por causa dos gases. Só moro aqui porque não tenho como pagar aluguel”, disse.
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