Economia Titulo Crédito
Nova lei do consórcio faz
três anos e satisfaz agentes

Entre mudanças que a lei implementou está a chance
de o consumidor participar de consórcio de serviços

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC
06/02/2012 | 07:49
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A nova lei do consórcio brasileiro completa três anos hoje. E de lá para cá, tanto as administradoras, que são as empresas que gerenciam as cotas, quanto os consorciados têm apresentado satisfação com o setor. Entre as principais mudanças que a Lei 11.795 implementou está a possibilidade de o consumidor participar de consórcio de serviços. Ou seja, os prêmios terão fins como Educação, festas, viagens e até cirurgias plásticas.

A Abac (Associação Brasileira de Consórcios), entidade representante das administradoras, ainda organiza os números do acumulado de 2011. Mas segundo o presidente da associação, Paulo Roberto Rossi, a expansão deve acompanhar o ritmo apresentado até outubro, com talvez alguns pontos percentuais de desaceleração. Nos primeiros dez meses do ano passado os resultados cresciam aos dois dígitos. As vendas de novas cotas aumentaram 20,7%, próximo a 2 milhões de contratações. O volume de negócios expandiu 20%, atingindo R$ 62 bilhões. E o total de participantes ativos, cerca de 4,6 milhões de clientes, ampliou 13%. "Mas nós continuamos trabalhando, mesmo por conservadorismo, com expectativa de crescimento entre 7% e 9% para este ano, que já seria bastante positivo, quase o dobro da expansão do PIB (Produto Interno Bruto)", garante Rossi.

"Esses resultados mostram que o consumidor está confiante no sistema. Ele encara a modalidade com as suas características", diz Rossi, destacando que é necessário planejamento financeiro para fazer consórcio, já que o prêmio, ou dinheiro desejado, não sai após a assinatura do contrato, como em financiamentos.

Mas esperar o resultado do sorteio não foi um problema para o operador de CPD David Rufino Botte. Morador de São Bernardo, ele já contratou três cotas de R$ 10 mil no segmento de serviços. "E foram muito rápidas as contemplações. Gostei muito", afirma. Ele foi sorteados logo nas primeiras assembleias dos grupos que participou e pretende entrar em consórcio para comprar um veículo no futuro.

"O bom do consórcio de serviços é a flexibilidade", observa Rossi, da Abac. Isso porque se o consorciado contrata cota para pagar em 24 meses, com objetivo de casar, ele pode mudar de ideia durante esse período e realizar uma viagem com o prêmio, explica o executivo.

Enquanto em um empréstimo pessoal ou um financiamento o consumidor consegue o dinheiro logo após a aprovação do crédito e a assinatura do contrato, no consórcio o dinheiro só sai por meio de sorteio ou se o participante der o maior lance para liquidar sua dívida com o grupo.

Por outro lado a taxa de administração é bem menor do que qualquer modalidade de financiamento. Rossi diz que para consórcios de serviços, a média é de 9,3% ao ano, contra 48,2% de média do crédito pessoal, segundo o BC.

Ele acrescenta que uma cota para aquisição de veículo custa, em média, 3% ao ano, e de imóveis 2,42% ao ano, contra média de 26,2% ao ano dos financiamentos de veículos e 12% para aquisição de imóveis com recursos direcionados.

 

Administradoras comemoram resultados

 

Enquanto a entidade que representa as empresas ainda reúne informações, algumas administradoras já fecharam suas contas e comemoram crescimentos de dois dígitos.

O Consórcio Nacional Embracon anunciou que sua carteira de clientes ampliou 20% no ano passado em relação ao ano anterior. E o volume de vendas atingiu cerca de R$ 3 bilhões, aumento de 14% em relação a 2010. Neste ano, a empresa pretende aumentar em cerca de 20% o resultado, para R$ 3,5 bilhões.

Bem próximo foi o resultado da Rodobens Consórcios. A administradora informa que atingiu os R$ 3 bilhões em volume de negócios no ano passado. O resultado representou alta 10% em relação ao registro de 2010.

Em nota, o diretor geral da Rodobens Consórcio, Ronald Macedo Torres, avaliou que os bons resultados do setor ocorreram pela maior confiança do consumidor brasileiro na economia, o que proporciona elevação na intenção de consumo com pagamentos em longo prazo.

Para 2012, o executivo diz que a previsão é de atingir R$ 3,4 bilhões em volume de vendas, resultado que representa incremento de cerca de 13%.




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