
"Não é assim. Não depende da minha vontade. Depende dos instrumentos que vão acontecer lá. Vou ver como vai ser no plenário", afirmou Cunha em entrevista coletiva antes de seguir para a sessão. Ele lembrou que, durante o governo do ex-presidente Lula, o ex-deputado e atual prefeito de Salvador, ACM Neto, apresentou requerimento que obrigou o então presidente da Casa a colocar em votação a convocação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
Como mostrou mais cedo o Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, líderes do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade apresentaram nesta terça-feira requerimento de convocação de Marcelo Castro para, oficialmente, prestar esclarecimentos no plenário da Câmara sobre as ações e combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e febre chikungunya.
Opositores admitem, contudo, que o verdadeiro objetivo é tentar constranger o ministro e, dessa forma, inibi-lo a deixar o cargo temporariamente para apoiar a recondução de Leonardo Picciani (RJ) à liderança do PMDB na Casa. Picciani é o candidato preferido do Planalto e concorre com Hugo Motta (PB), apoiado pela ala pró-impeachment do PMDB e pelo presidente da Câmara.
Embora tenha reconhecido que é Castro tem direito a deixar o mandato temporariamente, Cunha voltou a criticar a possibilidade de o ministro deixar o cargo para apoiar Picciani, em meio à epidemia de microcefalia - doença que, segundo especialistas, é causada pelo zika. Para Cunha, Castro estará dando mais importância à política do que ao Brasil caso se licencie.
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