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Mulheres iraquianas teriam sido estupradas em Abu Ghraib


Da AFP

28/05/2004 | 10:37


Associações de defesa dos direitos humanos afirmaram nesta sexta-feira que detentas iraquianas foram vítimas de humilhações e estupros na prisão de Abu Ghraib e algumas cometeram suicídio ou foram assassinadas por suas famílias para "lavar a honra". De acordo com o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), 30 mulheres estavam presas no local em outubro de 2003.

"Uma ex-presa, que identifiquei pela letra P, me contou sobre o estupro de sua companheira de cela em Abu Ghraib", contou Imán Khamas, que coordena em Bagdá a organização não governamental International Occupation Watch Center. Fundada em 2003 e financiada por ONGs internacionais, a entidade se dedica a reunir informações sobre as violações dos direitos humanos durante a ocupação do Iraque.

"A vítima me afirmou que foi violentada 17 vezes em um mesmo dia por policiais iraquianos na frente de soldados americanos. Ela ficou inconsciente durante 48 horas", relatou Khamas.

Mohamed Daham al-Mohamed, presidente da União de Detentos, uma associação iraquiana fundada no ano passado para fiscalizar o destino dos presos da coalizão e da era de Saddam Hussein, disse ter recebido o testemunho de uma jovem que ajudou sua irmã — mãe de quatro filhos e presa em dezembro — a cometer suicídio há três semanas, depois de ter sido estuprada várias vezes pelos guardas penitenciários de Abu Ghraib diante de seu marido.

A irmã contou que foi levada a uma cela, onde viu seu marido amarrado. "Um soldado americano o obrigava a olhar para a esposa enquanto tirava a roupa dela", segundo o relato da jovem citada por Mohamed.

"Ela disse que foi violentada enquanto seu marido repetia sem cessar 'Alá akbar' (Deus é maior). Quando foi libertada, suplicou à sua irmã que a ajudasse a morrer para não ter de enfrentar o olhar de seu marido quando ele fosse libertado", disse Mohamed.

Três jovens camponesas da região sunita de Al-Anbar, que saíram grávidas de Abu Ghraib, foram assassinadas por suas famílias pouco depois da libertação. O drama foi relatado de forma separada por Khamas, Mohamed e Hoda Nuaimi, professora de Ciências Políticas na Universidade de Bagdá e militante dos direitos humanos.

Questionado sobre as acusações, o general americano Mark Kimmit, subchefe das operações militares no Iraque, afirmou que o departamento de prisões da coalizão "não está a par das informações". "Recebemos relatos sobre abusos cometidos pela policia iraquiana em suas prisões, mas não em Abu Ghraib", acrescentou.



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Mulheres iraquianas teriam sido estupradas em Abu Ghraib

Da AFP

28/05/2004 | 10:37


Associações de defesa dos direitos humanos afirmaram nesta sexta-feira que detentas iraquianas foram vítimas de humilhações e estupros na prisão de Abu Ghraib e algumas cometeram suicídio ou foram assassinadas por suas famílias para "lavar a honra". De acordo com o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), 30 mulheres estavam presas no local em outubro de 2003.

"Uma ex-presa, que identifiquei pela letra P, me contou sobre o estupro de sua companheira de cela em Abu Ghraib", contou Imán Khamas, que coordena em Bagdá a organização não governamental International Occupation Watch Center. Fundada em 2003 e financiada por ONGs internacionais, a entidade se dedica a reunir informações sobre as violações dos direitos humanos durante a ocupação do Iraque.

"A vítima me afirmou que foi violentada 17 vezes em um mesmo dia por policiais iraquianos na frente de soldados americanos. Ela ficou inconsciente durante 48 horas", relatou Khamas.

Mohamed Daham al-Mohamed, presidente da União de Detentos, uma associação iraquiana fundada no ano passado para fiscalizar o destino dos presos da coalizão e da era de Saddam Hussein, disse ter recebido o testemunho de uma jovem que ajudou sua irmã — mãe de quatro filhos e presa em dezembro — a cometer suicídio há três semanas, depois de ter sido estuprada várias vezes pelos guardas penitenciários de Abu Ghraib diante de seu marido.

A irmã contou que foi levada a uma cela, onde viu seu marido amarrado. "Um soldado americano o obrigava a olhar para a esposa enquanto tirava a roupa dela", segundo o relato da jovem citada por Mohamed.

"Ela disse que foi violentada enquanto seu marido repetia sem cessar 'Alá akbar' (Deus é maior). Quando foi libertada, suplicou à sua irmã que a ajudasse a morrer para não ter de enfrentar o olhar de seu marido quando ele fosse libertado", disse Mohamed.

Três jovens camponesas da região sunita de Al-Anbar, que saíram grávidas de Abu Ghraib, foram assassinadas por suas famílias pouco depois da libertação. O drama foi relatado de forma separada por Khamas, Mohamed e Hoda Nuaimi, professora de Ciências Políticas na Universidade de Bagdá e militante dos direitos humanos.

Questionado sobre as acusações, o general americano Mark Kimmit, subchefe das operações militares no Iraque, afirmou que o departamento de prisões da coalizão "não está a par das informações". "Recebemos relatos sobre abusos cometidos pela policia iraquiana em suas prisões, mas não em Abu Ghraib", acrescentou.

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