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Atuar com venda direta é oportunidade na crise

Em tempos de desemprego, a renda extra obtida
pode se transformar na principal fonte de recursos

Por Marina Teodoro
Do Diário do Grande ABC
02/11/2015 | 07:01
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Nario Barbosa/DGABC


Quem nunca pensou em ter uma fonte de renda extra para complementar os rendimentos mensais? Em momentos de crise econômica, como o atual, que impulsionam o desemprego, ter uma segunda fonte de recursos – ou extrair da atividade seu único salário – pode ser a garantia para enfrentar eventuais surpresas desagradáveis.

A venda direta é alternativa que tem sido adotada por muita gente no Grande ABC. Com a comercialização geralmente feita por meio de catálogos pela própria pessoa, que vai até os clientes apresentar os produtos que está comercializando, muitos conseguiram driblar a falta de trabalho e tornar o que antes servia como complemento ao antigo emprego em principal ocupação.

É o caso do ex-carpinteiro de São Bernardo Angelo Augusto Peppe, 35 anos. Com o salário da antiga profissão ele conta que mal conseguia pagar a documentação da moto e a pensão da filha. “Comecei porque precisava melhorar de vida. E então passei a vender para amigos, colegas de trabalho e familiares, mas percebi que poderia ir além, e passei a bater de porta em porta, vendendo para desconhecidos também. Foi quando, em pouco tempo, vi minha renda dobrar.”

Há dois anos como consultor da Luxor Cosmetic, empresa on-line de cosméticos, com o aumento das vendas, Peppe evoluiu dentro da empresa e hoje tem sua própria equipe, com consultores espalhados por todo o País, que ajudam a impulsionar seus ganhos. “Minha renda hoje gira em torno de R$ 5.000. Tenho meu carro, minha moto e minha meta é que, nos próximos três anos, eu consiga comprar a casa própria”, revela.

A diretora comercial da Luxor Cosmetic, Jan de Oliveira Marques, reconhece que a venda direta é um estímulo para a economia atual. “Não precisa de um local (físico) de vendas, o que reduz a carga tributária e resulta diretamente no preço final do produto, o qual o consultor da Luxor tem direito a 50% do total”, afirma Jan. A empresa expandiu, só em vendas diretas, 13% neste ano.

FACILIDADE - A flexibilidade das condições do trabalho foi o principal motivo pelo qual a são-bernardense Vanessa Gaudino Balthazar, 28, iniciou-se na venda direta. Começou como consultora da Mary Kay, firma de cosméticos especializada na modalidade, porque queria ter o próprio negócio. “Sou maquiadora e percebi que com um investimento pequeno, de R$ 1.000, poderia conseguir gerar renda, já que recebo 40% dos valores das vendas.”

Vanessa passou a comercializar os produtos no banco onde trabalhava, mas, com o aumento das vendas, decidiu pedir demissão para se dedicar totalmente aos cosméticos. “Igualei meu salário como bancária, que girava em torno de R$ 2.500, e sei que dedicando todo o meu tempo para a Mary Kay posso crescer ainda mais.”

Poder delinear o próprio salário, ter facilidade para comercializar em ambientes de convívio social e ter flexibilidade de horário estão entre as principais vantagens para a prática da venda direta. Entretanto, as opções de renda vitalícia e hereditária foram o que chamaram a atenção da Camila de Paula Miranda, 32, de São Bernardo.

“Comecei como consultora porque sou consumidora do produto, e queria ter os descontos que vão de 25% a 50%, dependendo do estágio que você atinge como vendedora. Mas quando li o plano de marketing, percebi que poderia ser uma ótima oportunidade de garantir o que equivale a uma aposentadoria”, explica ela, referindo-se à renda que recebe mensalmente por conseguir um cargo como supervisora na venda de produtos Herbalife.

Trabalhando em uma empresa familiar que enfrenta dificuldades financeiras, Camila aproveitou o momento para dedicar-se exclusivamente à consultoria. “Hoje faço parcerias com academias e salões de beleza, e chego a faturar de R$ 2.000 a R$ 2.500.”


Empresas do segmento esperam crescer até 20% neste ano

De acordo com a Abevd (Associação Brasileira de Venda Direta), no primeiro semestre de 2015 a modalidade cresceu 5,9% no Brasil e movimentou mais de R$ 18 bilhões. Nesse mesmo período, o número de revendedores chegou a 4,33 milhões, o que gerou crescimento de 2,9%, em relação aos primeiros seis meses de 2014.

A empresa de produtos de beleza Lumi Cosméticos atesta esse crescimento e afirma que neste ano já aumentou em 20% as vendas. “Hoje contamos com cerca de 174 mil revendedores cadastrados e mais de 1.600 distribuidores em todo o Brasil”, afirma a sócia-proprietária da Lumi Cosméticos, Natalia Antunes.

Ela comenta também que, junto com a expansão, o perfil de vendedores mudou. Antes eram donas de casa, que para ajudar nos custos domiciliares se utilizavam da prática. “Hoje, são pessoas antenadas que fazem a venda e divulgação on-line e que se capacitam para ser verdadeiros empresários, cadastram outros revendedores, formam equipes e oferecem treinamentos.”

“O mercado de venda direta pode ser oportunidade de renda em momentos de crise, pois oferece a oportunidade de carreira independente”, declara a gerente de desenvolvimento de vendas da Mary Kay, Rafaela Kammüller d’Almeida.

Neste ano, o ritmo de crescimento esperado para 2015 está muito próximo do resultado obtido em 2014. De acordo com a empresa, no ano passado eram 300 mil consultoras de beleza independentes, e até o momento chegou em 430 mil.
 




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