
O Grande ABC tem um parque estadual com 340 mil metros quadrados que é reconhecido como parque somente no nome.
Há mais de 20 anos, a área verde da Chácara Baronesa, na divisa de Santo André com São Bernardo, é tema de discussões para a criação de um espaço de educação e lazer para a população.
Na última reunião do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, na primeira segunda-feira do mês, os prefeitos decidiram que irão cobrar providências do governo do Estado.
Antes da operacionalização do parque, que teria a Prefeitura de Santo André como parceira, é preciso resolver a situação das 337 famílias que moram irregularmente no terreno.
Como o espaço foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio, Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) na década de 1990, é preciso desmembrar parte da área para possibilitar a construção das moradias populares.
Mesmo sendo uma discussão antiga, que envolve a Assembleia Legislativa, CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Prefeitura de Santo André, a situação pouco evoluiu.
Presidente da Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Movimento Chácara Baronesa, Vera Lúcia Rotondo teme que a demora em iniciar as atividades prejudique a preservação da natureza.
"O protocolo de intenções existe, mas a situação está emperrada e não avança nada ao longo dos anos. Alguma autoridade está deixando de fazer sua parte", sugere a ambientalista.
Espaço serviu para o treino de cavalos
Conhecido também por Haras São Bernardo, desde a década de 1930, o terreno da Chácara Baronesa pertenceu ao Conde Crespi, que vendeu mais tarde a propriedade ao Barão Von Leittner, marido da baronesa Maria Branca Von Leittner.
Até meados da década de 1960, o espaço era utilizado para treinamento de cavalos de competição e chegou a ter mais de 70 funcionários.
Na década seguinte, a poluição trazida pelo avanço da industrialização na região passou a prejudicar o desenvolvimento dos animais e inviabilizou a permanência do sofisticado haras.
A reserva ambiental do Grande ABC foi então adquirida pelo Inocoop (Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais).
A entidade pretendia erguer no terreno 3.000 moradias, mas o projeto para criação das residências não prosperou e foi descartado.
Aos poucos, a chácara foi sendo abandonada pelo Poder Público e ocupada pelas famílias, que vivem até hoje em situação de pobreza.
Na segunda metade dos anos 1980 o espaço foi alçado à condição de APA (Área de Proteção Ambiental) e posteriormente tombado pelo patrimônio.
Em 2001, 340 mil metros quadrados do local - são cerca de 360 mil ao todo - foram transformados oficialmente no Parque Estadual Chácara da Baronesa.
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