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Puberdade precoce preocupa os EUA

Das Agências
09/02/2001 | 14:20
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A puberdade feminina precoce é um fenômeno que cada vez mais preocupa as autoridades médicas americanas e as causas continuam sendo um mistério, segundo os especialistas.

Mais de uma em cada quatro meninas negras nos Estados Unidos e 7% das brancas registram sinais de purbedade aos 7 anos de idade, afirma um estudo sobre o tema, dirigido pela doutora Marcia Herman-Giddens e realizado em 1997, com base em 17 mil jovens americanas entre 3 e 12 anos.

Aos 9 anos, cerca de um terço das meninas brancas (32%) e 62% das negras têm seios e um sistema piloso, ou seja, um ou dois anos antes do registrado tradicionalmente.

O período da puberdade aumenta, sem que se modifique a média de idade para a ocorrência da primeira menstruação (12 e 13 anos).

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Há 10 anos, via-se as jovens chegarem à puberdade antes da idade normal, ou seja, aos 11 anos, explica Herman-Giddens, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Carolina do Norte.

O fenômeno, que se acelerou, levou os pediatras americanos a modificarem, para revisão em baixa, os critérios de 'normalidade' para o surgimento dos primeiros sinais de puberdade.

As conseqüências desta evolução que começou nos anos 60 e constatada em outros países, como a Grã-Bretanha, Suécia e Espanha, estão longe de insignificantes, indicam os especialistas. 'Qualquer que seja o aspecto exterior, (estas jovens) continuam sendo crianças', enfatiza psicóloga Diana Zuckerman.

Os diferentes níveis de maturidade - cognitivo, físico e emocional - correm o risco de defasar-se.

'Como farão para enfrentar os sentimentos confusos que pode implicar o surgimento de sinais exteriores? Com abordar a atração que podem gerar nos homens', questiona.

Alguns estudos indicam que uma puberdade precoce pode implicar mais depressões, agressividade, isolamento, inclusive suicídios, afirmou Zuckerman. 'A puberdade é um período difícil se ocorrer muito cedo e altera a noção de infância', opinou.

O fenômeno parece ter suas origens em outros males do século XX.

Inimigo público número um, a obesidade é assinalada pelos especialistas: a quantidade de obesos (11% das meninas de 6 a 11 anos nos Estados Unidos) duplicou desde os anos 60, quando apareceu o fenômeno.

De fato, a obesidade tende a favorecer a fabricação de um hormônio, a leptina, necessária à puberdade.

A falta de atividade física, a alimentação com consumo excessivo de carne ou de laticínios e o aumento do consumo de hormônios também são citados.

Outras causas possíveis são surpreendentes: o bombardeio de 'imagens de carácter sexual' difundidas na televisão podem estimular certos desenvolvimentos precoces, afirma a dra. Herman-Giddens.

Finalmente, os cientistas se inclinam para o papel de alguns estimuladores de estrogênio contidos em produtos químicos ou plásticos, principalmente a maquiagem e inclusive... o esmalte das unhas.

'A situação é complexa (...) Não existe uma causa única', afirma o dr. John Peterson Myers, autor de um estudo sobre a possível influência de produtos químicos no aparecimento da puberdade.

Frente as muitas explicações e à espera de estudos mais definitivos, os especialistas recomendam aos pais que lutem como puderem contra a obesidade de seus filhos.




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