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Desafio é levar jovem para a biblioteca


Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

01/08/2011 | 07:33


 

O desafio apontado pelos especialistas é estimular a ida dos jovens às bibliotecas públicas. Muitas pessoas acreditam ser um espaço em que o silêncio deve ser predominante e destinado apenas para pesquisa escolar,e por isso é uma coisa chata.

"O estigma da biblioteca ser chata tem sido trabalhado há anos. As crianças ainda são fáceis de lidar, porque assim como gostam da tecnologia, também se interessam pelos livros. O desafio são os jovens, que já possuem essa ideia do ambiente", comenta a gerente de bibliotecas de Santo André Glaucia Lanzoni.

Para mostrar a mudança do papel da biblioteca, que visa a convivência, o Diário levou a estudante do 2º ano do Ensino Médio de São Bernardo Mayara Viganó, 16 anos, para conhecer a biblioteca Malba Tahan, no Rudge Ramos, em São Bernardo.

A jovem tinha a imagem de um espaço cheio de enciclopédias para pesquisa escolar e mesas para estudo. Ao conhecer a biblioteca na tarde de sexta-feira, Mayara mudou sua visão. "Pensei que a quantidade de livros seria menor. Achava que não encontraria livros que estão na moda, como a saga Crepúsculo", afirma.

Depois de conhecer, a adolescente confessa que voltaria para fazer pesquisas. Mas admite que prefere comprar livros ou baixar pela internet. A prática de baixar livros começou há dois anos. "Gosto de baixar as novidades que ainda não chegaram ao Brasil. É mais prático e também encontro obras que não existem nas livrarias", afirma a estudante.

Para o coordenador do programa de Educação Básica e professor da Universidade Municipal de São Caetano Antonio Fernando Gomes Alves, a facilidade que o jovem tem com a internet faz com que procure menos as bibliotecas. "O livro digital não substitui o de papel, mas as bibliotecas na internet muitas vezes trazem títulos que ainda não chegaram no País ou são difíceis de ser encontrados."

Mayara baixa pelo menos um livro por mês, mas confessa que ter o livro em mãos é mais prazeroso. "Você pode estar com ele onde quiser, terá sempre com você, dá para ver as ilustrações, a capa. O que nem sempre é possível ver quando se baixa pela internet."

Para Alves, a era digital é vulnerável. "Você perde o conteúdo no computador. Enquanto o livro dá aquele sentimento de posse e estabelece uma relação com o leitor, além de ser algo que terá para sempre."

Além disso, o coordenador avalia que, além da leitura, é importante o convívio social encontrado nas bibliotecas. "A troca de experiência com outras pessoas também enriquece o conhecimento."

ESTÍMULO - O operador de telemarketing de Santo André Márcio Mastrello, 33, sempre foi incentivado à leitura. Ele sempre ia na bilbioteca da escola e, desde os 16 anos, ficou sócio da Biblioteca Nair Lacerda, no Centro da cidade. Ele frequenta pelo menos quatro vezes ao mês, mas confessa que além de retirar alguns livros, baixa outros títulos pela internet. "Tem alguns exemplares que não encontro na biblioteca, por isso, com a internet, tenho essa facilidade."

Brasileiro lê até quatro livros por ano, diz especialista

O índice de leitura anual no Brasil ainda é pequeno se comparado ao de países desenvolvidos. Um jovem brasileiro lê até quatro livros por ano, enquanto na Europa o índice pode chegar a 15 títulos a cada ano.

A afirmação é do coordenador do programa de Educação Básica e professor da Universidade Municipal de São Caetano Antonio Fernando Gomes Alves, que afirma que o ideal seriam a leitura de dez livros. "Não é apenas o desestímulo, mas também o alto preço dos livros", explica Alves, que reforça a importância do papel das escolas e universidades na formação de leitores.

Na região, todas as escolas possuem espaço de leitura ou bibliotecas. O estudante de Mauá Lucas de Oliveira Parras, 10 anos, gosta de ler, mas admite que a professora não incentiva a ida dos alunos à biblioteca. "Geralmente, para os trabalhos da escola faço as pesquisas na internet, mas vou tentar frequentar mais a biblioteca", diz o garoto, enquanto observava os livros na biblioteca comunitária da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Feital, em Mauá.

A dona de casa Joyce Mara Silva, 20, sabe da importância da leitura. "Sei que preciso me empenhar mais, principalmente porque tenho dois filhos e voltei a estudar", afirma a moradora de Mauá.

Para a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental da Secretaria de Educação de São Caetano Adriana Martins, a responsabilidade de incentivar o gosto pela leitura não é apenas das escolas. "Se os pais estimularem em casa não tem como criar um hábito de leitura", afirma.

Foi assim que a professora de inglês de Santo André Zuleica Carmo da Silveira Oliveira, 34, fez com que a filha Marcela Oliveira, 8, gostasse de ler desde pequena. Nas férias, a estudante perguntou à mãe quando a levaria para conhecer a biblioteca.

A mãe ficou surpresa com a espontaneidade da filha, sobretudo por causa da idade. "Ela quis ir por conta própria. Ficou encantada, olhava tudo. Sempre a incentivei, desde bebê, com os livros de banho", recorda.

A cada 15 dias elas vão até a Biblioteca Nair Lacerda, no Centro de Santo André, para pegar três livros. "Consigo ler os três. Cada dia leio um e depois conto para a minha mãe. Gosto das histórias, das figuras e das cores dos livros", explica Marcela, que gostou muito de um que falava sobre uma bruxinha. Ela tem uma mini-biblioteca em sua casa. Pelo menos três vezes ao ano a mãe compra algum livro para ela.

 

 



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