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Justiça põe fim à greve dos Correios

Vinicius Gorczerski
Especial para o Diário
12/10/2011 | 07:12
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A Justiça quebrou ontem a sequência de 28 dias de greve dos trabalhadores dos Correios, em reunião no Tribunal Superior do Trabalho que durou a tarde toda. Para alívio da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares, o relator do processo, ministro Maurício Godinho Delgado, do Tribunal Superior do Trabalho, bancou a primeira oferta do órgão; pelo menos na cláusula econômica, ao conceder R$ 80 em ganhos reais à categoria, retroativos a 1° de outubro, além de cobrir a inflação acumulada entre as datas-bases, de 6,87%, que serão pagos desde agosto. Esse acordo, que havia sido aprovado pela federação, mas refutado pelos trabalhadores, era considerado o melhor financeiramente pelo comando de negociação.

A derrota veio no corte dos dias parados, que motivou sucessivas derrotas nas reuniões entre trabalhadores e classe patronal. O relator, ministro Maurício Godinho Delgado, tentou buscar a compensação de todos os dias úteis de braços cruzados. A ala liderada pelo presidente do TST, João Orestes Dalazen, pedia o desconto de todo o período na folha de pagamento. Uma terceira via venceu, a da corrente do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Barros Levenhage, que autorizou que sete dias fossem descontados do ponto - seis dias já foram debitados da folha de setembro; a sétima dedução virá na folha deste mês. Os demais 21 dias devem ser compensados em fins de semana, a partir do dia 15.

Entretanto, a avaliação do diretor jurídico da federação, Manuel de Lima Feitoza, é de que ambas as partes perderam. O desgaste tanto abalou a logística dos Correios como não atendeu ao desejo dos trabalhadores, que não admitiam o corte no ponto e pediam, inicialmente, R$ 400 em ganhos reais, valor revisado durante a greve para a reivindicação de R$ 200. Os R$ 80 de aumento linear significam redução de 60% do valor pretedendido.

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"A questão, para os trabalhadores, eram os dias descontados. Queríamos fechar acordo sem trazer tumulto para a sociedade, que foi o que ocorreu", disse Feitoza, que contemporizou ao relatar que ao menos não houve proposta abaixo da inflação; possibilidade real por conta da súmula do TST.

Essa avaliação é compartilhada pelo secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva. "A empresa perdeu porque não chamou para negociar, e os trabalhadores porque tinham expectativa maior. Mas a decisão não foi tão prejudicial aos trabalhadores", disse, ao acrescentar que as consequências serão mensuradas após o "calor da emoção".

 

RETORNO IMEDIATO

A decisão do TST exige a volta dos trabalhadores a partir de amanhã. Assembleia havia sido marcada para esse dia, às 11h, ficando sua realização a critério dos sindicatos, mas a federação se reuniu na noite de ontem e deu orientação para a volta ao trabalho. Eventual falta daria margens para a empresa descontar o dia na folha. "Em Brasília já aprovamos retorno para amanhã. Não podemos peitar decisão da Justiça, colocando os trabalhadores em risco", afirma Silva.

O TST também concedeu vale-alimentação extra de R$ 575, para dezembro, vale alimentação de R$ 25 e vale-cesta de R$ 140.

 

NORMALIZAÇÃO - Com o fim da greve, os Correios frisam que a normalização nos serviços de entrega a fim de compensar saldo de 173 milhões de encomendas paradas nos centros de distribuição de todo o País não ocorrerá de imediato. Serão necessários sete dias para os efeitos serem sentidos pelos clientes da estatal.

Na região, o número de itens presos nas unidades de distribuição da empresa computou 13 milhões de correspondências. Isso porque a companhia informa que são entregues nas sete cidades 750 mil objetos diariamente. Mas apenas 100 mil teriam chegado aos seus destinos a cada dia de paralisação, diz o sindicato.

Atraso médio de cinco dias na Região Metropolitana até ontem ocorreu porque sindicato da categoria defende que pelo menos 70% do efetivo nos centros de distribuição da companhia seguiram comprometido. O pico foi de 90%. O fim do movimento contava com 20% do efetivo reduzido no País e 27% no montante de funcionários da Região Metropolitana




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