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Papo de boleiro: Geninho mandou Cocito quebrar Kaká?

Adauto Evandro da Silva
Especial para o Diário
08/05/2004 | 19:58
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Fui cobrado por alguns leitores sobre o que teria dito Geninho ao Cocito naquele famoso jogo em que tirou o Kaká de campo no Brasileiro de 2001. Esse pessoal gosta mesmo de ver o circo pegar fogo, hein?

Naquele jogo, era muito importante o Atlético-PR se impor desde o início da partida. Sabíamos que com a qualidade que tinha o São Paulo, qualquer bobeira seria fatal. Além disso, existia um garoto que já tinha demonstrado todo seu talento durante o campeonato, e a mídia não parava de falar dele durante a semana. Até a imprensa paranaense, que sempre duvida de novos craques do eixo Rio-São Paulo, começava a dar destaque excessivo ao jogador.

Sentindo isso, Geninho sabia que alguma coisa tinha de fazer para apagar os ânimos daquele jovem boleiro cheio de vontade. O Cocito era nosso xerife. Quem viu o Cocito jogar no Corinthians não sabe que baita jogador ele é. É um monstro em campo, corre, luta, dá carrinho, mas sempre na maior lealdade. Ele é uma criança, sem maldade, apenas com muita vontade e garra, que vi em poucos jogadores em minha carreira.

Não existia nome mais certo que o dele para anular o Kaká. Era unanimidade no elenco que ele daria conta do recado, e que uma intimidação aqui, outra ali, desestabilizaria o jovem meia do São Paulo. Só não esperávamos tanto.

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Na preleção, como já era esperado, ficou definido que Cocito marcaria Kaká. Geninho abriu a preleção dizendo ao Cocito que ele teria de anular de qualquer jeito o Kaká. “Se ele fosse ao banheiro, que fosse atrás dele.” Por isso, o Cocito sabia que não poderia dar o menor espaço, e que sua concentração no jogo seria fundamental para o sucesso daquele mata-mata. A vontade foi tanta que ele tirou o jogador de campo.

Por isso, sempre ouço alguns jornalistas dizerem que a falta foi premeditada, que o Geninho mandou mesmo quebrar o Kaká, que só assim o Atlético chegaria ao título. A verdade é que os árbitros conhecem o Cocito e, por isso, ele não foi expulso naquela jogada. Nunca ele machucaria um companheiro na maldade. Estou certo disso. E nós ganhamos o título, e o Kaká a primeira grande lição de sua carreira.

Casos como esse do Kaká acontecem muito no meio do futebol. Aqui na Europa, jogar em países distantes de qualquer tradição do futebol faz com que nós, atacantes, sejamos alvo de muita pancadaria e, às vezes, grosseria mesmo.

Nem sempre os zagueiros são desleais. Às vezes, são grossos mesmo. Em Belgrado, capital da Sérvia e Montenegro (antiga Iugoslávia), por exemplo, jogamos as oitavas-de-final da Copa da Uefa e saímos de campo com nada menos que cinco jogadores contundidos, todos agredidos em campo.

Se eu tivesse tomado essa pancada em plena Arena da Baixada, seria menos mal. Agora, olhar para os lados e ver um povo furioso, a cidade destruída pela guerra, realmente aí dá muito medo. Você sente medo desde que chega no aeroporto até o momento do avião deixar o país. Curitiba é o paraíso, agora na Europa o Kaká verá isso.

Mãe é mãe...
Gostaria de aproveitar o espaço para mandar um feliz Dia das Mães para todas as mães do Brasil e, em especial, à minha mãe, Dona Lia, que infelizmente não posso abraçar pessoalmente hoje, pois estou em Praga, mas que anda em meu coração todos os dias. Mãe, eu te amo muito e sem você eu jamais seria alguém na vida. Amor materno é amor eterno, com o M de mãe. M de Maria Divina de Jesus, filha de Maria de Jesus, minha mãe-avó. Não posso me esquecer também das mães dos jogadores brasileiros que hoje estão longe de casa, em qualquer lugar do mundo, lutando bravamente para crescer e demonstrar seu valor. Apesar de estarmos longe, nossos corações estão mais perto do que imaginam. Parabéns às mães de todos os boleiros do Brasil.

Leucemia em jogador checo
Ao chegar em Praga, após minha recuperação no Brasil, tive uma notícia muito triste. Meu companheiro no Slavia Praga, o meia Vaclav Kolousek, teve diagnóstico positivo de leucemia (câncer no sangue), em caso idêntico ao do brasileiro Narciso, do Santos.

Kolousek machucou a canela no último jogo, contra o Synot, e sua ferida não parou de sangrar. Desconfiados, os médicos pediram exames para o jogador, e a doença foi constatada.

Kolousek é um jogador muito prestigiado na Europa, já passou por clubes da Itália e Holanda e, sem dúvida, o futebol perderá um grande jogador, um grande maestro. Que Deus ajude esse grande homem, pois acima de tudo está a vida. Já me prontifiquei a ajudar o jogador, contei do caso envolvendo o Narciso e talvez o jogador possa seguir a estratégia usada pelo jogador brasileiro, com tratamento em Curitiba. Vamos torcer por ele.

Visita do Grande ABC em Praga
Recebi do leitor Sander Queiroz um e-mail muito legal dizendo que seu irmão e mais três casais de amigos visitarão Praga no final deste mês. Ele até sugere um encontro deles comigo, o que infelizmente não será possível, pois este ano, com a Eurocopa, nossa temporada termina no próximo dia 15. De qualquer maneira, obrigado pelo carinhoso e-mail e diga a seu irmão que não deixe de ir ao Slavia, conhecer o jogo e a grande estrutura que tem nosso clube.

Parabéns da semana
Essa semana vou mandar um parabéns especial ao novo técnico do Santo André, Péricles Chamusca. Boa sorte ao novo comandante do Ramalhão. Tenho certeza de que nessa parceria os dois ganham, e muito. O Santo André está crescendo a cada dia, e a chegada do competente Péricles mostra a nova filosofia que o clube está implantando em seu departamento de futebol. Assim é legal, pensando grande!

Adauto Evandro da Silva, atacante de 23 anos, começou a carreira no Santo André e joga hoje no Slavia Praga, da República Checa. Para falar com o jogador mande um e-mail para [email protected] ou acesse www.adautogol.com




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