
O vereador de Santo André e candidato a deputado estadual Jurandir Gallo (PT) está na mira da Justiça. O parlamentar e a Associação de Construção Comunitária Santa Luzia, ONG (organização não governamental) fundada por ele em 1989, estão sendo investigados pelo MP (Ministério Público) por suposto desvio de verba na obra para erguer o edifício Alemanha, no bairro Camilópolis.
A construção na Avenida Pinhal, 700, foi iniciada em 2003, mas está paralisada desde o ano passado por falta de recursos financeiros. Representantes da comissão dos contemplados pelos 138 apartamentos entraram com representação na Promotoria Cível de Santo André cobrando investigação do caso, já que foram destinados aproximadamente R$ 6 milhões para a obra, orçada inicialmente em R$ 4,1 milhões. O órgão abriu inquérito.
Um comprador que não quis se identificar especulou que o suposto desvio de verba deu-se para beneficiar as campanhas de Gallo para a Assembleia, em 2006, e para a Câmara, em 2008. "Minha campanha é tão simples (em material publicitário) que não ganharia nem para síndico", rebateu o vereador.
Aparentando tranquilidade, Gallo atribuiu a acusação ao momento pré-eleitoral. "É claro que tem cunho político. Como não conseguem me atacar, atacam minha entidade. São as mesmas dez pessoas que entraram com o mesmo tipo de ação no ano passado", conforma-se o petista, ao recordar processo arquivado.
O vereador defende-se e argumenta que a construção foi paralisada por alteração no projeto inicial realizada pelos donos dos imóveis, o que encareceu a obra e necessitou de novo refinanciamento junto à Caixa Econômica Federal.
Gallo atenta para a impossibilidade de a Associação Santa Luzia acumular recursos financeiros. "Cada um investiu R$ 30 mil em apartamentos orçados em quase R$ 70 mil. O resto deveria ser levantado pelos donos com atividades desenvolvidas durante a obra, como a criação de uma cozinha. Isto é um mutirão. Ele se auto-gerencia."
Segundo cronograma da Caixa, após o novo refinanciamento o prédio deverá ser concluído em 16 meses. Com o imbróglio, uma construtora será contratada.
Outra denúncia contra o vereador foi o fato de seus assessores integrarem a direção da Santa Luzia, desenvolvendo atividades no horário de expediente da Câmara, o que os caracterizariam como funcionários fantasmas. "Meu pessoal trabalha na Associação sim. A atuação dele está totalmente relacionada ao meu mandato. Os 25 projetos de moradia que apresentei surgiram da experiência deles na Santa Luzia."
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