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Mário Covas registra manhã de problemas e descaso com pacientes

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Diário flagra filas para medicamentos que chegam a
4 horas e homem com dor do lado de fora do hospital


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/04/2015 | 07:00


Uma manhã de problemas. Foi isso que enfrentaram os pacientes que precisaram de atendimento médico ontem no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. A equipe do Diário esteve no local e constatou demora, falta de suprimentos e desrespeito com usuários da unidade pública.

Problema antigo e nunca resolvido, a demora para a retirada de remédios na Farmácia de Alto Custo passava de quatro horas. Só a fila para pegar senha estava do lado de fora do hospital e demorava cerca de 40 minutos. Após o primeiro atendimento, o paciente era direcionado para uma das recepções para renovar ou fazer o cadastro para a primeira retirada. Na segunda, na qual os medicamentos são entregues, a quantidade de cadeiras não comportava o número de usuários.

“Hoje demorei três horas porque cheguei bem cedo. Normalmente venho preparada para ficar mais de cinco horas aqui. Apesar de tudo, dependo disso, já que o medicamento que pego custa R$ 560”, disse a atendente de farmácia Jéssica Neri de Araújo, 22 anos.

O aposentado Mário Pires Ferraz, 65, chegou por volta das 8h e estava indo embora ao meio-dia. “Todo mês é a mesma coisa. Venho sem pressa e preparado para ficar o dia inteiro fora.”

O problema do aposentado Oswaldo Soares Rocha, 88, foi ainda mais grave. Ele faz uso do remédio Lipitor 20 mg para problemas no coração. Como toma dois comprimidos por dia, precisaria retirar duas caixas com 30 unidades, mas só recebeu uma. “Isso aconteceu nas duas últimas vezes e dizem que essa é a quantidade. Mudei de médico, mas ele não informou que a prescrição mudou”, afirmou.

A equipe do Diário questionou a Secretaria de Estado da Saúde em relação às reclamações. Segundo o órgão, a Farmácia de Componentes Especializados do Hospital disse que para agilizar o fluxo de atendimento aos pacientes, realiza a distribuição de medicamentos por agendamento.

Segundo a nota, ontem houve aumento no fluxo de atendimentos por causa de pacientes que procuraram a unidade para retirar os remédios antes do feriado de Tiradentes. “A média diária é de 1.500 atendimentos e, até as 13h de ontem, cerca de 1.200 pessoas já haviam sido atendidas.” A previsão era que até o fim do expediente 2.000 pessoas passassem pelo local.

Em relação ao caso do paciente Oswaldo Soares Rocha, o hospital afirmou que a receita apresentada por ele especificava que a dosagem do medicamento deveria ser reduzida. Ele foi orientado a procurar o médico responsável.

DESCASO

Ainda na manhã de ontem, jovem de 25 anos com leptospirose, que preferiu não se identificar, ficou mais de uma hora em cadeira de rodas aguardando em frente ao prédio. Ele teve a autorização para a transferência do CHM (Centro Hospitalar Municipal), onde esteve internado por dois dias, para o hospital às 9h30.

Às 11h20, o paciente continuava do lado de fora. Ele pediu para sair da ambulância por causa do calor e não conseguiu falar com os familiares. “Pensei que ia ser tratado melhor aqui. Estou com muita dor nas pernas”, disse ele.

O hospital afirmou que ele apresentava quadro infeccioso e, conforme protocolo de atendimento estabelecido, deveria aguardar o processo de internação (abertura de ficha, primeira avaliação médica, definição de leito) dentro da ambulância para evitar riscos de contaminação.

Funcionários da área médica fazem refeições e fumam com jaleco

Durante a passagem da reportagem pelo hospital, foram flagradas diversas vezes profissionais da Saúde com jaleco fora da unidade. Muitos deles iam até os ambulantes instalados na rua para comprar salgados.

Cinco funcionários tomavam café da manhã em uma lanchonete do hospital. Na área aberta, médico fumava de jaleco e estetoscópio.

Duas funcionárias, utilizando roupas cirúrgicas, saíram para fumar. Logo depois, atravessaram a rua e também compraram alimentos.

O hospital afirmou que todos os profissionais recebem orientação para evitar o uso do jaleco ou outro uniforme fora do ambiente hospitalar. As orientações serão reforçadas.

Além disso, o Diário flagrou lixeiras transbordando em sala de curativos, suporte para sabonete líquido e álcool em gel quebrados e falta de papel higiênico em banheiros.

A administração respondeu que o Hospital Mário Covas tem área de 28 mil m² e uma equipe de limpeza e higiene disponível em tempo integral que zela permanentemente pela conservação da unidade. A situação apontada será averiguada e a zeladoria reforçada. 



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