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A tia da menina Isabella, Cristiane Nardoni, irmã do pai da garota, Alexandre Nardoni - apontado como um dos responsáveis pelo assassinato da filha -, relatou nesta quinta-feira supostos episódios de negligência da mãe dela, Ana Carolina Oliveira, à Justiça. Por ser parente de um dos réus, Cristiane foi dispensada pelo juiz Maurício Fossen de jurar que diria apenas a verdade, como fizeram as demais testemunhas.

A tia de Isabella, que também era madrinha da menina, disse que tinha um relacionamento "muito estreito" com a garota - a levava ao colégio e a deixava na casa da mãe depois das visitas a Alexandre Nardoni. Cristiane disse que, uma vez, a menina chorou e se escondeu atrás dela quando chegou à casa de Ana Carolina, que teria dito: "Pára com isso, filha, parece que você está vendo um monstro".

A tia relatou ainda que, "várias vezes", recebeu ligações de Isabella dizendo que estava sozinha, e ficou preocupada. Cristiane teria comentado essa preocupação com o pai da menina.

A tia contradisse nesta quinta-feira o depoimento da madrasta de Isabella, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, acusada pelo crime, à Justiça. Anna Carolina havia dito que Cristiane dormira três ou quatro vezes em sua casa para ajudá-la a cuidar das crianças. Cristiane, no entanto, afirmou, convicta, que dormiu apenas uma vez no apartamento de Anna Jatobá e Alexandre. As testemunhas de acusação haviam sugerido que a tia dormia lá por recomendação da avó paterna, Aparecida, por temor de deixar Isabella a sós com Anna.

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Como a maioria das testemunhas de defesa, Cristiane argumentou que a relação entre Alexandre e Anna Carolina era "normal, sem brigas" e que a madrasta tratava Isabella como uma filha. Disse ainda que Alexandre foi à festa de aniversário de cinco anos da menina, na casa da mãe dela. Anna Jatobá não teria sentido ciúmes, apenas ficara chateada por não poder ir ao evento, uma vez que o filho mais novo dela havia nascido há pouco tempo.

Ligação - Cristiane contou que recebeu uma ligação de seu pai na noite da morte de Isabella, mas não pôde ouvir o que ele dizia, pois estava num bar barulhento. Em seguida, ligou para Anna Jatobá e só entendeu que algo acontecera com Isabella. Assim, seguiu para a casa do irmão.

O namorado de Cristiane, Lucio Flávio de Souza, também depôs. Ele relatou que saiu às pressas do bar com Cristiane depois do telefonema. Mais tarde, acompanhou Alexandre e Antônio Nardoni até a delegacia. Souza disse que, nos dois anos durante os quais convive com os Nardoni, nunca presenciou brigas entre Alexandre e Anna ou deles com os filhos. O pai de Alexandre e Cristiane, Antônio Nardoni, é o último a depor nesta quinta-feira pela defesa. Ele fala ao juiz desde às 18h35.

Mais testemunhas - O gesseiro José Vandevaldo Gomes, mais conhecido como Vando, testemunha de defesa do caso Isabella, disse nesta quinta-feira à Justiça que depôs a pedido de uma amiga do advogado Antônio Nardoni, avô da menina assassinada e pai do acusado pelo crime, o consultor jurídico Alexandre Nardoni, que está preso.

Vando trabalhou em obras no Residencial London até o dia do crime e, no início do ano, trocou a fechadura dos apartamentos de Alexandre Nardoni e da irmã dele, Cristiane Nardoni. Segundo o gesseiro, a decoradora Márcia Regina Ferreira, que fez a decoração do apartamento do acusado pelo crime e depôs na última quarta pela defesa, telefonou-lhe dias após a morte, pedindo que ele "ajudasse o sr. Nardoni". O pedido foi reforçado pouco tempo depois por um funcionário de Regina.

Intimado a depor, o gesseiro afirmou que deixou a obra na residência do depoente depois do crime porque a própria família do patrão solicitou. Disseram que o chamariam para retomar o trabalho, mas isso não foi feito. Vando disse ter ficado um mês sem trabalhar depois do crime, pois muitos dos serviços dele eram no London.

Outros dois trabalhadores que prestaram serviços à família Nardoni no London depuseram nesta quinta-feira. Antônio Gomes Pereira e Paulo Rogério de Camargo trabalham na mesma empresa que o gesseiro. Pereira, Camargo e uma pessoa chamada William trabalharam no apartamento de Alexandre Nardoni. William foi pela primeira vez ao London no dia da morte da menina.

Pereira e Camargo relataram que conseguiam os serviços por indicação de Antônio Nardoni. Os dois trabalharam nos imóveis ainda desocupados. Eles relataram que entravam no edifício por uma porta lateral, chaveada, que era aberta por funcionários do prédio, pegavam as chaves do apartamento na portaria e, depois do serviço, as devolviam. Pereira e Camargo disseram que fizeram um registro na portaria e, depois disso, não precisaram mais se identificar para entrar.

Professora - A professora de Isabella, Fernanda Aleixo Nascimento, disse à Justiça que a estudante era uma das alunas "mais espertas" da classe e que parecia feliz e tranqüila. Fernanda relatou que Isabella retratava em desenhos a mãe, Ana Carolina Oliveira, o pai, Alexandre Nardoni, e os avós, mas nunca a madrasta, Anna Carolina Jatobá. Isabella afirmava, de acordo com a professora dela, que a mãe a ajudava a fazer a lição de casa. Fernanda disse nunca ter sido procurada pelo pai de Isabella.

Foi ouvido ainda um vizinho de Alexandre Nardoni, do London, que não estava no condomínio no dia do crime e diz ter falado com o pai de Isabella apenas uma vez, rapidamente. Uma das testemunhas convocadas não compareceu à audiência.




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