
Apesar disso, o público não se importou. Em sua terceira visita ao país, a banda, sabiamente, abriu os shows com as agitadas Around the World e Give It Away, ainda seu maior sucesso por aqui. Também foram acompanhadas em uníssono músicas como Scar Tissue, Suck My Kiss, Otherside, Californication e Under the Bridge.
Com um público tão imenso, é claro que o dia foi marcado por confusões. Primeira atração a se apresentar, a banda Diesel, vencedora do Escalada do Rock, até que agradou com seu rock com letras em inglês. Repentinamente, o grupo teve de cancelar sua apresentação no meio da quarta e última música. O vocalista Gustavo Drummond recebeu a informação de que um acidente havia ocorrido em um dos portões da Cidade do Rock e que, portanto, eles deveriam terminar o show.
O “acaso do destino”, como definiu o músico, felizmente não foi tão grave como havia sido anunciado. A equipe de segurança simplesmente solicitou que fosse interrompida a música porque houve um grande tumulto causado pelas pessoas que estavam na fila de entrada. Ansiosas, e ainda do lado de fora, muitas pessoas se espremeram ainda mais para conseguir entrar.
Controlado o tumulto, os pernambucanos do O Surto entraram no Palco Mundo com mais de 30 minutos de atraso. A banda, entretanto, mostrou claramente que sua escalação foi um erro e se deveu unicamente à desistência de seis outros grupos.
Tanto que, com exceção de A Cera (mais conhecida como Pirou o Cabeção), O Surto só conseguiu animar o público com covers do Charlie Brown Jr. e Raimundos. Sem outro hit, a banda apelou para uma medonha versão de Californication, do Red Hot Chili Peppers. A criação, que mais parece uma paródia, foi intitulada de Triste, Mas Eu Não Me Queixo.
Pela primeira vez na semana, o Corpo de Bombeiros teve de entrar em ação para esfriar os ânimos do público com jatos de água. Para acalmar o agito geral, o vocalista Bolo recomendou: “Vamos levantar poeira, fumar o da cera, e curtir onda? Já enrolou?”.
Com uma música chamada Hempadura, O Surto consegue ser uma versão piorada de vários grupos que, para aparentar rebeldia, a cada três palavras que proclamam, duas são palavrões. Apesar disso, O Surto não deixou de fazer média, chegando a agradecer Roberto Medina, o idealizador do festival, pela oportunidade. Na verdade, nem os próprios integrantes acreditavam que pudessem ser escalados.
Deftones – Outro erro na agenda foi o Deftones. Mas, nesse caso, o problema foi o dia reservado, já que a banda estaria melhor colocada na noite heavy metal. Um dos maiores expoentes da cena underground norte-americana, o Deftones não empolgou talvez em função do perfil e do gosto musical do público do domingo.
Os músicos prepararam uma pequena amostra de seus três trabalhos, um hardcore de qualidade, acompanhado de letras desconexas. No álbum recente, White Pony, há uma canção chamada Feiticeira, que tem como referência a própria Joana Prado. Moreno tomou conhecimento da modelo por meio do amigo Max Cavalera, batera do Sepultura, que apresentou uma fita de vídeo com uma performance da personagem no programa Super Positivo.
Se o público reagiu com uma certa apatia, os músicos, por outro lado, pareceram gostar. A única coisa que visivelmente não agradou muito foi a recusa dos seguranças em permitir a aproximação do cantor com o público. “Parece que a segurança não quer nos ver próximos”, reclamou.
Depois da pauleira, foi a vez do Capital Inicial. O grupo, em companhia de Kiko Zambianchi, mostrou o conteúdo de Acústico, um coringa que tanto pode agradar o público da Festa de Peão de Barretos (como realmente ocorreu na última edição da festa) quanto o do Rock in Rio. A apresentação fechou a bem-sucedida participação dos roqueiros dos anos 80 no evento. A voz de Dinho Ouro Preto não embargou, mas os pagantes tiveram certeza que o vocalista, visivelmente emocionado, verteu algumas lágrimas.
Depois, com o público mais tranqüilo, apesar de a guerra de garrafas plásticas não ter cessado, entrou no palco o Silverchair. Formado por jovens na faixa dos 21 anos, o grupo australiano teve seu auge no início de carreira, quando tinham como visível referência o Pearl Jam e o Nirvana. Em uma fase mais light, os músicos, que não faziam shows há mais de um ano (com exceção de uma apresentação de réveillon em seu país) e não renovaram contrato com a Sony Music, agradaram a platéia justamente com as canções mais lentas, como Miss U Love, que não decolaram em outros países.
Horas antes do show, o vocalista Daniel Johns não apareceu na coletiva de imprensa para poupar a voz, mas, no show, mostrou-se ofegante no fim de cada canção.
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