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Autopeças buscam conciliar exportação e lucro


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

10/07/2005 | 09:39


Vendas em alta mas lucros em baixa. A indústria de autopeças do Grande ABC vive o dilema de exportar para ampliar o leque de clientes e, ao mesmo tempo, conviver com rentabilidade apertada no exterior – em alguns casos negativa –, por conta do dólar desvalorizado. A dificuldade ocorre porque abrir mão de vendas ao exterior, depois de um demorado namoro com companhias internacionais, pode significar portas fechadas no mercado externo.

Para o Consórcio de Exportação de Autopeças do Grande ABC, que congrega nove pequenas empresas da região, o cenário econômico ficou mais complicado. "As margens de lucro diminuíram com o dólar a R$ 2,35, mas não se pode repassar 20% de aumento (a variação do câmbio neste ano). Quando se começa a exportar, não se pode parar de repente, porque depois fica difícil voltar", afirma Geraldo Nunes, gerente do consórcio.

A conjuntura não impediu que se fechassem novos contratos com clientes no exterior. Recentemente uma empresa do grupo, a Destaq, com sede em Diadema, acertou com uma montadora norte-americana a venda de autopeças, no valor de US$ 120 mil, o que traz a perspectiva de novos negócios.

Mas alguns fabricantes adiaram, por enquanto, o fechamento de novas encomendas. É o caso da indústria de peças forjadas Uniforja, de Diadema. Cooperativa de produção com 518 funcionários, a Uniforja exporta 10% do que produz e tem contratos firmados até outubro. "Tivemos de adiar. Com o dólar nesse nível fica difícil", afirma o presidente da cooperativa, José Domingos Peres dos Santos.

Para o presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Peças e Componentes Automotores), Paulo Roberto Butori, as projeções dos bancos, que estimam que o dólar pode chegar a R$ 2,20, preocupam. "Estamos assustados".

Montadoras – Além de conviver com o dilema de exportar com baixa margem de lucro, as empresas do setor enfrentam, no mercado interno, a possibilidade de redução das encomendas de peças por parte das montadoras. A diminuição poderá ocorrer por conta da perda de competitividade dos veículos nacionais no exterior devido à queda do câmbio.

Butori mantém projeções de crescimento de 6% na produção nacional de veículos neste ano, para o total de 2,35 milhões de unidades. No ano passado foram 2,21 milhões de unidades fabricadas. Do total deste ano, ele estima que 750 mil unidades serão destinadas ao exterior.

Para especialistas, o impacto da taxa cambial nas exportações de veículos deve ocorrer de forma mais expressiva em 2006. A avaliação é de que os contratos firmados deverão garantir a continuidade do forte ritmo de vendas ao exterior – no primeiro semestre houve crescimento de 36,6% em relação a mesmo período de 2004. "A preocupação fica para o ano que vem", afirma a diretora da consultoria MB Associados, Tereza Fernandez Dias da Silva.

Pessimismo – Mas uma grande empresa da região, a Metagal, de Diadema, já trabalha com um cenário um pouco mais pessimista. Para o diretor comercial da companhia, Hamilton Martins, devido ao recuo do dólar, que influencia a demanda de exportação, este ano deverá ser muito semelhante a 2004 em resultados.

A empresa tem 80% da produção direcionada a montadoras no país. Em relação à venda direta ao exterior, Marins afirma que há dificuldades para fechar novos contratos, por conta da variação cambial. "Mas estamos em processo de adaptação e buscando alternativas", afirma.

Fabricante de espelhos retrovisores, a Metagal (mil funcionários) investiu no ano passado R$ 18 milhões para se modernizar e lançou neste ano novos itens, como um espelho que não embaça (não junta gotículas) na chuva. "Esperamos em 2006 alavancar os resultados", afirma.



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