Fechar
Publicidade

Domingo, 24 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Política

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

‘Sigla partidária não é empecilho para o esporte’

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

16/03/2015 | 07:00


Empossado dia 5 de janeiro como secretário do Estado de Esporte, Lazer e Juventude, o vereador paulistano licenciado Jean Madeira (PRB), 38 anos, afirma que seu trabalho à frente da Pasta será pluripartidário, com foco nos ideais de fomento às modalidades esportivas e no uso do esporte como ferramenta educacional e de inclusão social.

Em entrevista exclusiva ao Diário, o republicano garante que costura projetos com cidades governadas pela oposição, fator que não atrapalha na construção de ações para população carente. “Não aceito que sigla partidária seja empecilho para fomentar o esporte. Quando atendo aqui, nunca pergunto qual o partido. Pergunto quantas pessoas serão beneficiadas. Governador (Geraldo Alckmin, PSDB) pediu para fomentar o esporte nas 645 cidades. É isso que vamos fazer”, discorre o titular do setor.

Madeira afirma que pode procurar iniciativa privada para equacionar o deficit financeiro dos Jogos Abertos do Interior e nos Jogos Abertos e cita que vai rediscutir convênios de instalação de ciclofaixas em cidades utilizando como critério custo-benefício e retorno da obra. “Se recursos saíram do Tesouro, quero saber para onde foram. Isso se aplica às ciclofaixas. Beneficiou de fato? Se não, é abrir torneira e deixar a água sair. Nosso papel é fiscalizar.”

O secretário também fala sobre o legado esportivo no Estado em momento no qual o Brasil é vitrine mundial: sediou a Copa das Confederações e a Copa do Mundo de futebol e, no ano que vem, vai organizar os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro – São Paulo será subsede da competição. “Gestão vem e vai. Não tenho de trabalhar apenas para minha gestão, tenho de trabalhar para o povo, para o esporte, para seu avanço. Ninguém é eterno.”

Quais projetos o sr. tem para o esporte de São Paulo?
Começamos o nosso trabalho no dia 5 de janeiro. E desde o dia que chegamos aqui, escancaramos as portas da secretaria para atender a todos. Todas as federações, confederações, ligas, institutos, atletas, pais de atletas, parlamentares, prefeitos, secretários. Aqui será a casa do atleta, do esportista. Vamos fomentar o esporte em todo o Estado. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), médico, sabe que o maior investimento na Saúde, Educação, Cultura, Segurança e Desenvolvimento Social está no esporte. Você faz com que pessoas tenham longevidade, elas vivem mais, mais sadias, sorriem mais, liberam energia para render mais no trabalho, têm vontade de viver. A Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude vai trabalhar para que todo calendário seja cumprido. São Jogos Regionais, os Jogos Abertos, os Jori (Jogos Regionais do Idoso), os Jogos da Juventude. Fora outros eventos, como SP Prime de surfe. Estamos trabalhando bastante para ampliar o cartão Vida Ativa, as academias ao ar livre para contemplar de fato a população. Também há ações para o esporte social, para poder ampliá-lo. Sei que o País passa por momento de crise financeira, vai passar, não há mal que dure para sempre. A secretaria não fomenta só o esporte de base, mas tem alto rendimento. Tudo tem plano. Nosso intuito é cumprir os planos.

Qual é o planejamento?
Há o de curto, médio e longo prazos. O curto é aquilo que hoje a secretaria pode fazer nas cidades. Nosso objetivo é contemplar todas as cidades. O médio prazo é o que costuramos, conversando, para poder apresentar para o governador. Tendo apoio do ministério, do governo do Estado, em parceria com prefeituras. Não aceito que sigla partidária seja empecilho para fomentar o esporte. Não pode ser empecilho, temos de somar força. Com ações, a criança sairá da rua, não ficará mais com tempo ocioso, terá contraturno escolar. Estamos pensando em tudo isso. São Paulo tem de ser mais ativa, agitada. O longo prazo é o legado. Gestão vem e vai. Não tenho de trabalhar apenas para minha gestão, tenho de trabalhar para o povo, para o esporte, para seu avanço. Ninguém é eterno. Temos de deixar legado para nossas crianças, elas precisam encontrar nos atletas paulistas os verdadeiros heróis. Hoje nossos atletas vão aos trancos e barrancos, são heróis e heroínas. Merecem total respeito e precisam ser mais valorizados.

O Brasil passa por momento esportivo histórico, com Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos sendo realizados no País. De que maneira esse movimento é aproveitado?
Preciso da imprensa para isso. Não tem como trabalhar sozinho. Precisamos divulgar os bons projetos. Como pode a corrida de rua crescer? Ela cresce por meio da internet. É só lançar uma e em menos de 24 horas as inscrições acabam. Se o nosso objetivo for de fato fomentar o esporte e ampliar as atividades para beneficiar o cidadão a gente consegue (aproveitar o momento esportivo atual). Temos de puxar todo mundo para o mesmo lado. Copa das Confederações e Copa do Mundo vieram e deixaram seu legado. A Olimpíada virá, vai passar. Precisamos valorizar os professores de Educação Física. O Brasil é o País do futebol, mas não só do futebol. Olha o (João Souza) Feijão (tenista), olha o (Gabriel) Medina (campeão mundial de surfe), tem atletismo, natação, vôlei, ginástica. É só (os atletas) serem ouvidos.

Facilita o fato de o PRB comandar também o Ministério do Esporte?
Não vou dizer que facilita. O que facilita são os mesmos ideais. Converso com secretários municipais de oposição com mesmos ideais e pensamentos. A gente converge em vez de divergir. Quando atendo aqui, nunca pergunto qual o partido. Pergunto quantas pessoas serão beneficiadas. Governador pediu para fomentar o esporte nas 645 cidades. É isso que vamos fazer.

Ter essa missão à frente do esporte nacional e estadual faz o partido ser mais lembrado pelo cidadão?
Partido será lembrado pelo esporte, mas também pelo Desenvolvimento Social (Rogério Hamam foi secretário da Pasta no primeiro governo Alckmin), pelo trabalho no Ministério da Pesca e Apicultura (Marcello Crivella foi ministro no primeiro mandato de Dilma Rousseff, PT). Onde formos colocados vamos nos debruçar na matéria.

Como São Paulo está estruturalmente e na parte de formação de atletas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, já que o Estado vai ser subsede da Olimpíada, abrigando partidas de futebol masculino e feminino?
Se você for observar, a própria secretaria não é o que recebe o maior Orçamento, mas isso não é empecilho. Temos atletas, como o Feijão, o número um do País, que era catador de bola. O tênis é esporte elitista? Não é. Ele vem de família humilde. Mas teve dedicação. É herói. Então vem a contrapartida do ministério e do Estado, de investir no atleta, no alto rendimento. A ponta do iceberg é a medalha. São Paulo está investindo em esporte de base. De fato estamos evoluindo no esporte. Dá para fazer mais? Lógico e iremos fazer, com trabalho.

São Paulo então está bem avançado nos dois quesitos?
O Estado em si vem trabalhando. Podemos e iremos fazer mais. No longo prazo, temos o legado para ser deixado. Olimpíada vem, 2016 vai passar e vamos rumo a 2020. O resultado de 2016 é o que foi feito há oito anos. O de 2020 é o trabalho deste momento, desta gestão.

Há muitas reclamações das cidades com relação aos aportes destinados às sedes dos Jogos Abertos e Jogos Regionais. Como equacionar essa conta?
Precisamos adequar. Estamos passando por momento que temos de fazer adequações. Você consegue isso sem impor, tem de dialogar. É conversando que a gente vai longe. Vamos adequar calendário bom para todos.

Vai buscar iniciativa privada?
É sempre importante ter as PPPs (Parcerias Público-Privadas). Quanto mais pessoas fazem parte do time, as coisas vão fluir. Não queremos ser o dono da bola, queremos jogar. O jogo é nosso. Vamos jogar e teremos bons Jogos Regionais, Jogos Abertos, os Jori. Queremos que tudo tenha bom andamento do trabalho. Tenho equipe muito boa, a secretaria tem equipe técnica excelente.

O que há de projetos para o Grande ABC?
Não posso exaltar o Grande ABC desmerecendo os demais. A missão é fomentar o esporte nas 645 cidades. Umas estão com esporte mais avançado que outras. Em alguns lugares estamos ainda começando, montando alicerces. Outras, como o Grande ABC, não. Tem corridas de rua, clubes. Quero junto com os secretários municipais, e isso tenho feito, compor esse trabalho. É aí que entra nosso planejamento. Converso com secretários municipais, alinho com clubes e converso sobre o que pode ser feito para 2015. Criamos, por exemplo, a secretaria itinerante. Para desburocratizar e poupar tempo. Só do Grande ABC são sete cidades. Teria de atender sete secretários, com tempo imenso. Com a secretaria itinerante, vou até a região. Ouço e levo minha equipe para ouvir, a todos. Poder é de todos, dos atletas. É eles que devemos ouvir para crescer o Esporte. Vamos montar também corpo de atletas para avaliar o bolsa atleta.

Como ficarão os convênios firmados entre prefeituras e Estado e que estão para ser renovados?
Temos de caminhar juntos com as prefeituras. Sobre convênio como esse, procuramos conversar diretamente com os prefeitos. Qual a contrapartida? De fato a população utilizou? Sou fiscal. Tenho de estar em todos os lugares. Fechamos os convênios, liberamos os recursos e fica por isso mesmo? Eu tenho de estar lá, oras. Não quero só tirar foto. Qual lanche estão dando para as crianças? Qual uniforme? Preciso comer, ver o que é. Pego o plano de trabalho e fiscalizo, com minha equipe tirando foto. Para ver se de fato se aquilo que foi liberado foi cumprido. Se recursos saíram do Tesouro, quero saber para onde foram. Isso se aplica às ciclofaixas. Beneficiou de fato? Se não, é abrir torneira e deixar a água sair. Nosso papel é fiscalizar.

Há algum plano para o Estádio do Pacaembu, ocioso agora com a construção da Arena Corinthians e do Allianz Parque?
É patrimônio da cidade. Está sob a batuta do secretário municipal (Celso Jatene). Creio que ele, junto com sua equipe técnica e prefeito (Fernando Haddad, PT), tenham uma saída ou de que maneira será utilizado.

O Estado não pode ser parceiro nesta missão?
Claro, de tudo. A gente está querendo trabalhar. Se é para fomentar o esporte, a gente está junto. Tudo é na base do diálogo.  



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;