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Bolsonaro: 'isso é que dá torturar e nao matar'


Do Diário do Grande ABC

16/06/1999 | 21:17


O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) , assumido representante ideológico da direita militar, voltou nesta quarta-feira a protagonizar uma cena digna dos momentos mais duros da ditadura. Ao ir até o Centro Médico da Câmara para saber do estado de saúde do ex-padre José Antônio Monteiro, que fora medicado e estava sob observaçao após chegar a Brasília com pressao alta, de 20 por 11, Bolsonaro disse: "Isso é que dá torturar e nao matar."

"Se a ditadura tivesse matado muita gente no passado, teria melhorado", argumentou Bolsonaro, afirmando que entre essas pessoas deveriam ser incluídos o ex-padre e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele acrescentou que tem imunidade para falar essas coisas e é "demagogia" a imprensa dar cobertura ao caso do ex- padre. "Se mais gente tivesse ido para o saco ou para a vala, seria melhor."

Nao é a primeira vez que o deputado faz declaraçoes polêmicas. Capitao da reserva do Exército, é conhecido pelas posiçoes radicais, como a adoçao da pena de morte. Em maio, num programa de TV, ele defendeu o fechamento do Congresso e afirmou: "No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique, que era das esquerdas, o que seria um grande ganho para a Naçao."

No programa, ele também criticou o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori. "É absurdo o secretário ter ido a Sao Paulo visitar os seqüestradores do empresário Abílio Diniz; com isso, ele demonstra ter mais estrume na cabeça do que o ex-ministro Sérgio Motta tinha na barriga", disse.

No dia seguinte, ele disse que só repetiu o que costuma dizer na Câmara, onde os colegas "já estao acostumados" com suas opinioes. Em 1993, ele já havia defendido a adoçao de um regime de exceçao. "Os graves problemas nacionais jamais serao resolvidos em uma democracia irresponsável."

Bolsonaro também se destacou por declaraçoes truculentas em outras áreas. Em abril de 1998, defendeu a pena de morte para os cinco chilenos, dois argentinos e dois canadenses condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz. Antes da execuçao da pena, porém os "seqüestradores devem ser torturados para revelar os nomes de todos os seus cúmplices". Para ele, o governo estaria tratando criminosos com benevolência. "Esses vagabundos deveriam estar todos mortos, mas antes devem ser torturados para contar quem sao os integrantes de suas quadrilhas."

No fim de 1997, Bolsonaro comentou o massacre do Carandiru cinco anos antes em Sao Paulo, no qual 111 presos foram mortos. Ele afirmou que a Polícia Militar deveria ter aproveitado para matar outros 889 presos. "Acho que a PM perdeu uma grande oportunidade de matar mil bandidos; já que houve (o massacre), que matassem mil", disse. "Perderam essa oportunidade de fazer uma limpa na vagabundagem deste país e, com certeza, muitos iam pensar mais vezes antes de virar bandidos."



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Bolsonaro: 'isso é que dá torturar e nao matar'

Do Diário do Grande ABC

16/06/1999 | 21:17


O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) , assumido representante ideológico da direita militar, voltou nesta quarta-feira a protagonizar uma cena digna dos momentos mais duros da ditadura. Ao ir até o Centro Médico da Câmara para saber do estado de saúde do ex-padre José Antônio Monteiro, que fora medicado e estava sob observaçao após chegar a Brasília com pressao alta, de 20 por 11, Bolsonaro disse: "Isso é que dá torturar e nao matar."

"Se a ditadura tivesse matado muita gente no passado, teria melhorado", argumentou Bolsonaro, afirmando que entre essas pessoas deveriam ser incluídos o ex-padre e o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele acrescentou que tem imunidade para falar essas coisas e é "demagogia" a imprensa dar cobertura ao caso do ex- padre. "Se mais gente tivesse ido para o saco ou para a vala, seria melhor."

Nao é a primeira vez que o deputado faz declaraçoes polêmicas. Capitao da reserva do Exército, é conhecido pelas posiçoes radicais, como a adoçao da pena de morte. Em maio, num programa de TV, ele defendeu o fechamento do Congresso e afirmou: "No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique, que era das esquerdas, o que seria um grande ganho para a Naçao."

No programa, ele também criticou o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori. "É absurdo o secretário ter ido a Sao Paulo visitar os seqüestradores do empresário Abílio Diniz; com isso, ele demonstra ter mais estrume na cabeça do que o ex-ministro Sérgio Motta tinha na barriga", disse.

No dia seguinte, ele disse que só repetiu o que costuma dizer na Câmara, onde os colegas "já estao acostumados" com suas opinioes. Em 1993, ele já havia defendido a adoçao de um regime de exceçao. "Os graves problemas nacionais jamais serao resolvidos em uma democracia irresponsável."

Bolsonaro também se destacou por declaraçoes truculentas em outras áreas. Em abril de 1998, defendeu a pena de morte para os cinco chilenos, dois argentinos e dois canadenses condenados pelo seqüestro de Abílio Diniz. Antes da execuçao da pena, porém os "seqüestradores devem ser torturados para revelar os nomes de todos os seus cúmplices". Para ele, o governo estaria tratando criminosos com benevolência. "Esses vagabundos deveriam estar todos mortos, mas antes devem ser torturados para contar quem sao os integrantes de suas quadrilhas."

No fim de 1997, Bolsonaro comentou o massacre do Carandiru cinco anos antes em Sao Paulo, no qual 111 presos foram mortos. Ele afirmou que a Polícia Militar deveria ter aproveitado para matar outros 889 presos. "Acho que a PM perdeu uma grande oportunidade de matar mil bandidos; já que houve (o massacre), que matassem mil", disse. "Perderam essa oportunidade de fazer uma limpa na vagabundagem deste país e, com certeza, muitos iam pensar mais vezes antes de virar bandidos."

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