
O traficante Márcio Amaro de Oliveira (Marcinho VP), 33 anos, foi assassinado na tarde desta segunda-feira no presídio de segurança máxima Bangu III, no Rio de Janeiro. O corpo de VP foi encontrado por agentes penitenciários numa lata de lixo, durante a contagem de presos realizada após o banho de sol. O secretário de Segurança Pública do Estado, Anthony Garotinho, determinou a abertura de uma investigação para apurar as causas da morte. Os depoimentos começarão a ser tomados nesta terça-feira.
Chefe do tráfico de drogas no morro Dona Marta, em Botafogo (zona Sul do Rio), ele cumpria pena de 25 anos por homicídio doloso (com intenção) e tráfico. Ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV), Marcinho VP dividia a galeria A3 do presídio com mais 57 detentos – a maioria composta por membros do CV.
O corpo do traficante não traz marca de tiros. Segundo o secretário estadual de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, Marcinho VP foi morto por asfixia. O detento assassinado não estava sob proteção especial e não havia reclamado às autoridades sobre qualquer ameaça de morte.
A investigação do assassinato ficará a cargo da 34ª Delegacia Policial, em Bangu (zona Oeste do Rio).
Viciado em matar - Márcio Amaro de Oliveira, morto nesta segunda, tem o mesmo apelido do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, chefe do comércio de drogas no morro do Alemão. Aliado de Luiz Fernando da Costa ('Fernandinho Beira-Mar'), Nepomuceno é acusado de participação na chacina que resultou na morte de quatro presos da penitenciária Bangu I, em setembro de 2002. O traficante Ernaldo Pinto de Medeiros ('Uê') foi uma das vítimas do massacre. O Marcinho VP remanescente cumpre pena em Bangu I – no mesmo complexo em que o outro foi morto.
Márcio Amaro de Oliveira despontou para a 'fama' em 1996, quando o diretor norte-americano Spike Lee foi obrigado a lhe pedir autorização para a gravação de um videoclipe do cantor Michael Jackson no morro Dona Marta. Marcinho VP passou a dar declarações à imprensa e, empolgado, chegou a dizer que não tinha vícios - "a não ser matar".
Logo depois das entrevistas à imprensa, VP foi preso pela polícia fluminense no morro Dona Marta. Mas escapou da cadeia em 1997 e saiu do Brasil. Três anos depois, foi recapturado numa ação policial no morro do Fallet (centro do Rio).
No ano da segunda captura, o traficante foi protagonista de nova polêmica. Em 2000, tornou-se pública a amizade entre ele e o cineasta João Moreira Salles, herdeiro do Unibanco. Os dois se conheceram durante as negociações para a gravação do documentário 'Notícias de uma Guerra Particular', em 1995. Salles confirmou que chegou a pagar uma bolsa de R$ 1,2 mil por mês para Marcinho VP escrever sua biografia e abandonar o crime.
No mesmo ano, Marcinho VP prestou depoimento para a comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Narcotráfico. Depois da audiência com os parlamentares, ele foi encaminhado para cumprir pena no complexo de Bangu.
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