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Bairro Alvarenga será
a partida do metrô leve


Gustavo Pinchiaro
Do Diário do Grande ABC

09/02/2011 | 07:14


O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), venceu a ‘queda de braço' com o governo do Estado e garantiu a extensão de via de transporte coletivo, que agora terá saída do bairro Alvarenga para ir até a Estação Tamanduateí do Metrô. O Palácio dos Bandeirantes reconhecia trajeto com partida do Paço de São Bernardo.

Em reunião com o petista, ontem, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, garantiu início das obras entre abril e maio de 2012. "Vamos tocar a obra com ferro e fogo."

A gestão José Serra (PSDB -2006 a 2010) tinha resistência pelo fato de Marinho ter apresentado projeto funcional com início do traçado no Centro. Apenas no dia 20 de outubro chegou ao Estado a proposta de extensão até o Alvarenga, que abrange mais seis quilômetros e chega a 20 quilômetros no total.

Com a troca de comando no governo de São Paulo - Geraldo Alckmin (PSDB) assumiu neste ano -, e após algumas conversas entre as administrações petista e tucana, o projeto foi aceito. "A Prefeitura está reivindicando, é um direito dela. Vamos correr atrás desta obra com muita disposição", disse Fernandes.

O tipo de veículo utilizado no traçado será definido em 15 dias, quando o Estado recebe parecer técnico. São três opções: metrô de superfície, monotrilho ou ônibus elétrico. Por conta do projeto funcional apresentado por São Bernardo optar pelo traçado elevado, formado por viadutos, o modelo mais compatível, segundo Fernandes, seria o monotrilho. "Estamos pensando em um veículo de média capacidade. O metrô de superfície é usado em terreno plano, o ônibus elétrico também pode ser uma opção viável", completou. O custo da obra tem teto de R$ 3 bilhões, ou R$ 150 milhões por quilômetro.

Antes, tem de ser adquirido estudo de impacto urbano, de meio ambiente e financeiro ao custo de R$ 45 milhões. A União transferiu R$ 27,6 milhões ao Estado, que busca captar o restante. Com o dinheiro garantido, será aberta licitação do projeto básico: previsão é de que a concorrência seja lançada em quatro meses e outros seis meses para a conclusão do estudo. Assim, no fim do ano seria aberta licitação da obra. "Vamos ter que enfrentar obstáculos como licença ambiental e possíveis questionamentos de empresas na licitação", comentou o secretário.

Santo André, que tinha solicitado a inclusão de quatro estações no bairro Bom Pastor, divisa com São Bernardo, será incluída no projeto básico. "Os quatro prefeitos (Marinho, José Auricchio Júnior, de São Caetano, Aidan Ravin, de Santo André, e Gilberto Kassab, de São Paulo) estão comprometidos com o projeto", disse Fernandes.

 

Ligação da região com Guarulhos ainda é sonho

 

A disputa entre Mauá e Santo André para alojar uma estação inicial/final da linha de transporte coletivo que ligará o aeroporto internacional de Guarulhos ao Grande ABC só voltará à pauta do Estado após a conclusão do Trecho Leste do Rodoanel. A informação foi dada ontem pelo secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes.

Com a conclusão do ramal Leste do Rodoanel, que ainda não teve as obras iniciadas, o Estado planeja caracterizar a Jacu-Pessêgo como uma via urbana. Hoje ela é utilizada como ‘ponte de safena' para ligar a Capital ao acesso da autopista em Mauá. "Podemos criar um corredor de ônibus elétrico na avenida e caracterizá-la como uma via urbana comum", explicou Fernandes.

A notícia cai como um balde de água fria nas pretensões andreenses. A equipe do prefeito Aidan Ravin (PTB) planejava alocar a estação na parada Pirelli da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) desativada. A ação viria somar no projeto de revitalização da Cidade Pirelli, na Vila Homero Thon, que receberá megaempreendimento com nove torres mistas, comerciais e residenciais.

Se a Jacu-Pessêgo for utilizada como canal de ligação a Guarulhos, a cidade de Mauá é que saí na frente, já que a via é encerrada no acesso ao Trecho Sul do Rodoanel feito na cidade. Santo André tinha se antecipado e, a exemplo de São Bernardo, chegou a apresentar pré-projeto do traçado ao ex-governador José Serra. A relação de Aidan com o Estado, que lhe rendeu um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) transformado em Poupatempo da Saúde, animou o governo petebista, que chegou a dar como certo o projeto.

A previsão da gestão estadual passada era integrar o novo ramal às linhas 10 (Turquesa), 11 (Coral) e 12 (Safira), da CPTM, conexão com a Linha 3 (Vermelha), com o futuro prolongamento da Linha 2 (Verde), ambas do Metrô, e com o corredor de ônibus São Matheus-Jabaquara, da EMTU/SP, além da integração com os sistemas municipais.

 

Políticos locais protagonizam corrida por créditos

 

Com as discussões da ligação do Grande ABC ao Metrô, iniciadas em 2009, lideranças políticas da região despertaram interesse voraz pela conclusão da obra. Reuniões e propostas dos prefeitos Luiz Marinho (São Bernardo), José Auricchio Júnior (São Caetano), Aidan Ravin (Santo André) e dos deputados estaduais Alex Manente (PPS) e Orlando Morando (PSDB) são frutos do momento vivido pela região. E cada um em sua esfera de trabalho e em seu reduto buscam levar os créditos sobre o plano, que está se tornando realidade.

Na véspera do encontro entre o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, com Marinho, Morando também se reuniu com o titular da Pasta estadual para tratar do mesmo assunto. A conclusão do tucano foi a de que o governo de São Paulo não conseguirá executar o projeto se a presidente Dilma Rousseff (PT) não desembolsar alguns milhões para a obra.

No dia 12 de janeiro, Auricchio e Manente também se encontraram com o secretário. Na pauta, o tema metrô leve. O encontro teve colocações semelhantes às da reunião de ontem. Valores, prazos e dificuldades. Aidan também procurou o Estado para reivindicar inclusão de sua cidade nas paradas previstas no projeto funcional.

A faísca inicial se deu por iniciativa de Marinho, que elaborou o projeto funcional com R$ 1,3 milhão cedido pelo governo federal no ano passado, último da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Auricchio também deu seu apoio ao projeto, já que sua cidade estava em grande parte incluída no traçado inicial e forneceu técnicos da Prefeitura para trabalharem na iniciativa.

Os cinco políticos atuam isoladamente, dentro das suas funções, como chefes de Executivos ou como parlamentares. Mas o fato é que o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que poderia intervir efetivamente na questão, ficou de fora das discussões sobre o metrô leve. O que leva a uma disputa, ainda que implícita, sobre a paternidade do projeto.



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