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Cai qualidade das escolas
estaduais do Grande ABC


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

11/04/2011 | 07:00


O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), indicador de qualidade das escolas estaduais, registrou queda nas sete cidades do Grande ABC em 2010, em relação a 2009. A secretaria estadual admite que a falta de professores efetivos pode ter contribuído para o desempenho negativo. Porém, especialistas ouvidos pelo Diário afirmam que não é possível atribuir os resultados somente à falta de docentes.

Formação e remuneração adequadas, tempo de permanência do aluno na escola e pouca participação dos pais são deficiências citadas.

Na região, foram avaliadas 234 escolas de 9° ano do Ensino Fundamental: 203 (87%) pioraram, 11 (4,7%) melhoraram, mas não atingiram a meta, duas (0,8%) obtiveram o índice e 17 (7,3%) superaram. Apenas uma escola empatou com o índice do ano passado.

No caso da 3ª série do Ensino Médio, das 203 escolas avaliadas, 146 (72%) pioraram, 12 (5,9%) melhoraram sem atingir a meta, três (1,5%) atingiram e 40 (19,7%) superaram.

Por cidade, a maior queda no Idesp foi da 3ª série de Ribeirão Pires, que caiu 15,5% em relação ao ano passado, ficando com 1,85. Não é, porém, a menor nota da região, que ficou com Rio Grande da Serra (1,70), embora a queda de rendimento em relação a 2009 tenha sido de apenas 2,8%.

Já no 9º ano, a maior redução está em Santo André (14,5%), cuja nota foi de 2,52. O menor índice, no entanto, é novamente o de Rio Grande, com 2,30 - redução de 13,2% em relação ao ano passado.

O Idesp considera dois critérios: o desempenho dos alunos nos exames do Saresp (que avaliam Português e Matemática) e o fluxo escolar. Em todo o Estado, a nota caiu 11,2% no 9° ano do Ensino Fundamental e 8,5% na 3ª série do Ensino Médio. O índice, que vai de zero a 10, é de 2,52 para o Ensino Fundamental e 1,81 para o Ensino Médio.

 

PROFESSORES

Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que a diminuição nos índices do Idesp está sendo analisada por técnicos, mas que é impossível "dissociar o recuo dos indicadores de desempenho da necessidade de mais professores efetivos". A região ganhou 1.003 docentes neste ano, mas a metade do total de funcionários da rede ainda é temporária.

A especialista em educação da Universidade Metodista, Marília Claret, ressaltou a importância do professor efetivo, que cria vínculo com a escola e a comunidade. Ela afirmou que não se pode culpar o docente por tudo o que ocorre no ambiente escolar. "O desempenho do aluno é resultado do trabalho feito por toda a escola."

Para Milton Linhares, do Conselho Nacional de Educação do MEC (Ministério da Educação), diversos fatores influenciam as notas. "Além da falta de professores, há docentes com formação deficiente, baixos salários, tempo reduzido de permanência dos alunos na escola e pouca participação dos pais", destacou. (Com Deborah Moreira)

 

Aluno sente na pele falta de professor

 

As duas escolas com pior desempenho no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) do Ensino Fundamental e do Médio ficam em Santo André. A E.E. Engenheiro Prefeito Celso Augusto Daniel, do Jardim Santo André, teve índice de 0,96 no 9º ano. Já a E.E. Pércio Puccini, no Parque Erasmo Assunção, tirou nota 0,66 para a 3ª série. Ambas registraram queda de desempenho em relação ao ano passado, de 40% e 48%, respectivamente.

Alunos das duas escolas são unânimes em afirmar: falta professor. "Aqui tem aula vaga todo dia. Às vezes a gente só entra e sai da escola, porque não tem ninguém para ensinar", afirmou a estudante do 7º ano da escola do Jardim Santo André Tifany Reis Azevedo Damacena, 13 anos.

A amiga Bianca da Silva Rodrigues, da mesma idade, reclamou ainda da falta de compromisso de alguns docentes. "Eles atendem celular no meio da aula, ou param para fazer ligações. Não sabem explicar direito e descontam na gente, que não aprende nada", disse.

Na Pércio Puccini, a queixa é semelhante. Kauany Garcia, 17, está na 3ª série do Ensino Médio e pretende fazer Medicina. "Mas não vou tentar esse ano, vou precisar fazer cursinho. Nos dois primeiros anos do Ensino Médio não aprendi matemática porque faltou professor", lamentou.

 

MELHORES

A E.E. Antonio Francisco Pavanello, também de Santo André, conquistou o primeiro lugar do Idesp no Ensino Fundamental, ao lado da E.E. Professora Maria da Conceição Moura Branco, de São Caetano, ambas com nota 4,13.

A Moura Branco é também a melhor do Ensino Médio, com nota 3,47. Apesar do bom desempenho, as duas escolas registraram queda no índice em relação a 2009, de 2% e 14%, respectivamente.

Os alunos da escola de São Caetano ficaram surpresos ao saber do bom desempenho, mas citaram projetos integrados, realização de festas, jornal, biblioteca, laboratório de química e teatro como indicadores da qualidade do ensino.

Mas nem tudo é perfeito, pois o Idesp de 4,13 ainda está bem abaixo da nota máxima, cuja escala vai de 0 a 10. "Temos poucas aulas vagas, mas ainda assim acho que terei de fazer cursinho", disse a estudante da 3ª série do Ensino Médio, Camila Bianca, 16, que quer cursar Direito.

A vendedora Ligia Galan, 48, está satisfeita com o aprendizado de seu filho Guilherme, 13. "A biblioteca é ótima e incentiva a leitura. Meu filho pegou emprestado livros novos no ano passado e adorou." (Camila Galvez)

 

Especialistas divergem sobre bônus para docentes

 

Os especialistas ouvidos pelo Diário divergem em relação ao bônus concedido aos professores conforme a nota obtida pela escola no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). O educador Milton Linhares acredita que essa é uma forma de melhorar a educação. "Em países desenvolvidos essa prática é recorrente e costuma dar bons resultados", explicou.

Linhares lembrou que as reações contrárias a esse tipo de bônus são esperadas. Foi assim em países como Finlândia, Coréia do Sul e Cingapura onde, atualmente, funcionam os mais modernos sistemas educacionais do mundo, sendo os estudantes que melhor se saem em testes internacionais de avaliação de desempenho em leitura e matemática.

A professora Marília Claret, da Universidade Metodista, é contra atrelar o bônus à avaliação. Para ela, o professor precisar ganhar bem, independentemente de bonificação.

"Concordo com avaliações e metas. Mas, não se pode avaliar na perspectiva do bônus. Primeiro tem que ser garantido um salário justo e uma carreira compatível com a profissão", ressaltou. A educadora defende ainda a municipalização gradual como uma das medidas importantes para a recuperação da rede pública.

Linhares concorda com a municipalização, mas frisa que só será eficaz se houver mais financiamento e que os recursos sejam repassados diretamente, sem morosidade e burocracia.

"A maior participação de pais de alunos também pode contribuir para pressionar as autoridades locais em busca de melhorias. O centro do processo deve ser o aluno, que é a razão da existência da escola", completou Linhares. (Deborah Moreira)

 

Sindicato critica forma de avaliação da rede estadual

 

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) discorda da forma como o Governo do Estado avalia a educação. Para os coordenadores da região, é errado vincular o desempenho das escolas ao salário dos professores.

No ano passado, a Secretaria de Educação pagou R$ 655 milhões em bônus para os docentes das escolas que atingiram as metas do Idesp. Neste ano, o valor caiu para R$ 340 milhões, já que poucas escolas chegaram lá.

Para o coordenador da Apeoesp de Diadema, Ivanci dos Santos, os resultados do Idesp refletem a falta de investimentos do Estado na Educação. "O governo cria metas cada vez maiores, mas não dá condições para que a escola alcance esses índices, pois não resolve problemas como baixos salários, violência, falta de material didático e de infraestrutura", enumerou.

Sobre a falta de professores admitida pela Pasta, Santos disse que a carreira não atrai. "Faltam condições de trabalho, o que desestimula os estudantes a cursarem licenciaturas", afirmou.

O coordenador da subsede de São Bernardo, Bruno Assis, disse que o Estado faz pesquisas para avaliar o que o professor já sabe: a qualidade do ensino está péssima. "Não adianta culpar só o docente. É preciso criar condições para que a educação melhores." (Camila Galvez)



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Cai qualidade das escolas
estaduais do Grande ABC

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

11/04/2011 | 07:00


O Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), indicador de qualidade das escolas estaduais, registrou queda nas sete cidades do Grande ABC em 2010, em relação a 2009. A secretaria estadual admite que a falta de professores efetivos pode ter contribuído para o desempenho negativo. Porém, especialistas ouvidos pelo Diário afirmam que não é possível atribuir os resultados somente à falta de docentes.

Formação e remuneração adequadas, tempo de permanência do aluno na escola e pouca participação dos pais são deficiências citadas.

Na região, foram avaliadas 234 escolas de 9° ano do Ensino Fundamental: 203 (87%) pioraram, 11 (4,7%) melhoraram, mas não atingiram a meta, duas (0,8%) obtiveram o índice e 17 (7,3%) superaram. Apenas uma escola empatou com o índice do ano passado.

No caso da 3ª série do Ensino Médio, das 203 escolas avaliadas, 146 (72%) pioraram, 12 (5,9%) melhoraram sem atingir a meta, três (1,5%) atingiram e 40 (19,7%) superaram.

Por cidade, a maior queda no Idesp foi da 3ª série de Ribeirão Pires, que caiu 15,5% em relação ao ano passado, ficando com 1,85. Não é, porém, a menor nota da região, que ficou com Rio Grande da Serra (1,70), embora a queda de rendimento em relação a 2009 tenha sido de apenas 2,8%.

Já no 9º ano, a maior redução está em Santo André (14,5%), cuja nota foi de 2,52. O menor índice, no entanto, é novamente o de Rio Grande, com 2,30 - redução de 13,2% em relação ao ano passado.

O Idesp considera dois critérios: o desempenho dos alunos nos exames do Saresp (que avaliam Português e Matemática) e o fluxo escolar. Em todo o Estado, a nota caiu 11,2% no 9° ano do Ensino Fundamental e 8,5% na 3ª série do Ensino Médio. O índice, que vai de zero a 10, é de 2,52 para o Ensino Fundamental e 1,81 para o Ensino Médio.

 

PROFESSORES

Em nota, a Secretaria de Educação afirmou que a diminuição nos índices do Idesp está sendo analisada por técnicos, mas que é impossível "dissociar o recuo dos indicadores de desempenho da necessidade de mais professores efetivos". A região ganhou 1.003 docentes neste ano, mas a metade do total de funcionários da rede ainda é temporária.

A especialista em educação da Universidade Metodista, Marília Claret, ressaltou a importância do professor efetivo, que cria vínculo com a escola e a comunidade. Ela afirmou que não se pode culpar o docente por tudo o que ocorre no ambiente escolar. "O desempenho do aluno é resultado do trabalho feito por toda a escola."

Para Milton Linhares, do Conselho Nacional de Educação do MEC (Ministério da Educação), diversos fatores influenciam as notas. "Além da falta de professores, há docentes com formação deficiente, baixos salários, tempo reduzido de permanência dos alunos na escola e pouca participação dos pais", destacou. (Com Deborah Moreira)

 

Aluno sente na pele falta de professor

 

As duas escolas com pior desempenho no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) do Ensino Fundamental e do Médio ficam em Santo André. A E.E. Engenheiro Prefeito Celso Augusto Daniel, do Jardim Santo André, teve índice de 0,96 no 9º ano. Já a E.E. Pércio Puccini, no Parque Erasmo Assunção, tirou nota 0,66 para a 3ª série. Ambas registraram queda de desempenho em relação ao ano passado, de 40% e 48%, respectivamente.

Alunos das duas escolas são unânimes em afirmar: falta professor. "Aqui tem aula vaga todo dia. Às vezes a gente só entra e sai da escola, porque não tem ninguém para ensinar", afirmou a estudante do 7º ano da escola do Jardim Santo André Tifany Reis Azevedo Damacena, 13 anos.

A amiga Bianca da Silva Rodrigues, da mesma idade, reclamou ainda da falta de compromisso de alguns docentes. "Eles atendem celular no meio da aula, ou param para fazer ligações. Não sabem explicar direito e descontam na gente, que não aprende nada", disse.

Na Pércio Puccini, a queixa é semelhante. Kauany Garcia, 17, está na 3ª série do Ensino Médio e pretende fazer Medicina. "Mas não vou tentar esse ano, vou precisar fazer cursinho. Nos dois primeiros anos do Ensino Médio não aprendi matemática porque faltou professor", lamentou.

 

MELHORES

A E.E. Antonio Francisco Pavanello, também de Santo André, conquistou o primeiro lugar do Idesp no Ensino Fundamental, ao lado da E.E. Professora Maria da Conceição Moura Branco, de São Caetano, ambas com nota 4,13.

A Moura Branco é também a melhor do Ensino Médio, com nota 3,47. Apesar do bom desempenho, as duas escolas registraram queda no índice em relação a 2009, de 2% e 14%, respectivamente.

Os alunos da escola de São Caetano ficaram surpresos ao saber do bom desempenho, mas citaram projetos integrados, realização de festas, jornal, biblioteca, laboratório de química e teatro como indicadores da qualidade do ensino.

Mas nem tudo é perfeito, pois o Idesp de 4,13 ainda está bem abaixo da nota máxima, cuja escala vai de 0 a 10. "Temos poucas aulas vagas, mas ainda assim acho que terei de fazer cursinho", disse a estudante da 3ª série do Ensino Médio, Camila Bianca, 16, que quer cursar Direito.

A vendedora Ligia Galan, 48, está satisfeita com o aprendizado de seu filho Guilherme, 13. "A biblioteca é ótima e incentiva a leitura. Meu filho pegou emprestado livros novos no ano passado e adorou." (Camila Galvez)

 

Especialistas divergem sobre bônus para docentes

 

Os especialistas ouvidos pelo Diário divergem em relação ao bônus concedido aos professores conforme a nota obtida pela escola no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). O educador Milton Linhares acredita que essa é uma forma de melhorar a educação. "Em países desenvolvidos essa prática é recorrente e costuma dar bons resultados", explicou.

Linhares lembrou que as reações contrárias a esse tipo de bônus são esperadas. Foi assim em países como Finlândia, Coréia do Sul e Cingapura onde, atualmente, funcionam os mais modernos sistemas educacionais do mundo, sendo os estudantes que melhor se saem em testes internacionais de avaliação de desempenho em leitura e matemática.

A professora Marília Claret, da Universidade Metodista, é contra atrelar o bônus à avaliação. Para ela, o professor precisar ganhar bem, independentemente de bonificação.

"Concordo com avaliações e metas. Mas, não se pode avaliar na perspectiva do bônus. Primeiro tem que ser garantido um salário justo e uma carreira compatível com a profissão", ressaltou. A educadora defende ainda a municipalização gradual como uma das medidas importantes para a recuperação da rede pública.

Linhares concorda com a municipalização, mas frisa que só será eficaz se houver mais financiamento e que os recursos sejam repassados diretamente, sem morosidade e burocracia.

"A maior participação de pais de alunos também pode contribuir para pressionar as autoridades locais em busca de melhorias. O centro do processo deve ser o aluno, que é a razão da existência da escola", completou Linhares. (Deborah Moreira)

 

Sindicato critica forma de avaliação da rede estadual

 

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) discorda da forma como o Governo do Estado avalia a educação. Para os coordenadores da região, é errado vincular o desempenho das escolas ao salário dos professores.

No ano passado, a Secretaria de Educação pagou R$ 655 milhões em bônus para os docentes das escolas que atingiram as metas do Idesp. Neste ano, o valor caiu para R$ 340 milhões, já que poucas escolas chegaram lá.

Para o coordenador da Apeoesp de Diadema, Ivanci dos Santos, os resultados do Idesp refletem a falta de investimentos do Estado na Educação. "O governo cria metas cada vez maiores, mas não dá condições para que a escola alcance esses índices, pois não resolve problemas como baixos salários, violência, falta de material didático e de infraestrutura", enumerou.

Sobre a falta de professores admitida pela Pasta, Santos disse que a carreira não atrai. "Faltam condições de trabalho, o que desestimula os estudantes a cursarem licenciaturas", afirmou.

O coordenador da subsede de São Bernardo, Bruno Assis, disse que o Estado faz pesquisas para avaliar o que o professor já sabe: a qualidade do ensino está péssima. "Não adianta culpar só o docente. É preciso criar condições para que a educação melhores." (Camila Galvez)

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