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Contribuição ao saber


Ana Carolina Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

18/02/2007 | 18:42


De tão presente em nosso cotidiano, a língua portuguesa vez por outra é tratada como algo onipresente e que por conta disso acaba recebendo menos cuidado e atenção do que merece. Pensando na importância do emprego correto da língua, o Diário começa a publicar a partir desta segunda-feira, nas edições de segunda-feira, o Teste o seu Português, elaborado por Terezinha Bellote Chaman, jornalista e professora de língua portuguesa com especialização em lingüística de texto.

Mestre em comunicação pela Unesp de Bauru e doutoranda em comunicação e semiótica pela PUC-SP, a professora é produtora do quadro Teste o seu Português veiculado no Programa Mestre-Cuca, apresentado pelo chef Allan Vila Espejo na Rede Mulher. A seguir, a professora Terezinha fala um pouco sobre a língua portuguesa e a relação que as pessoas mantêm com ela.

DIÁRIO: De onde normalmente surgem as dificuldades que as pessoas têm com a língua portuguesa?

TEREZINHA BELLOTE CHAMAN: Sabemos serem os cidadãos civilizados não produto do acaso, mas de um processo educativo. Processo esse que se inicia no ventre materno e que continua até a morte. Não penso que as pessoas tenham dificuldade em relação à língua portuguesa, mas constato, ao longo de um trabalho que se iniciou há anos, ruidosos e crescentes aplausos ao progresso quantitativo e desenfreado a encobrir e mascarar o silêncio do pensar, do refletir, do produzir, do ler, do filtrar. Segundo Baudrillard, quanto mais informação menos sentido. Ouso completar: quanto mais informação menos sentido e mais massa. Volto à questão: como anda o processo educativo em nossa sociedade do desafio global e complexo? Não esconderia um outro desafio? Qual seja, o da expansão descontrolada do saber?

DIÁRIO: De acordo com a experiência da senhora, quais são os maiores desafios que a língua portuguesa enfrenta hoje em dia?

TEREZINHA: Reflitamos: se hoje informação e sociedade da informática são vistas como business, necessário se faz um trabalho conjunto de jornalistas e educadores, relativamente ao modo como transformar a informação em conhecimento. Koch lembra que [...]conforme postula Paulo Freire, o aluno necessita ser preparado para tornar-se o sujeito do ato de ler. Para tanto, é preciso que ele se torne apto a apreender a significação profunda dos textos em que se defronta, capacitando-se a reconstruí-los, a reinventá-los.

DIÁRIO: Quando e por que surgiu a idéia de criar o Teste o seu Português?

TEREZINHA: Há aproximadamente seis anos, quando na ocasião aceitei um convite do meu querido amigo chef Allan Vila Espejo. Culinária também é cultura. Então...

DIÁRIO: A professora poderia citar alguns livros fundamentais para se conhecer bem a língua portuguesa?

TEREZINHA: Não indicaria livros, já que os caros leitores devem conhecer boas listas deles. Indicaria sim, as estratégias que levam a um desempenho que una pertinência e colaboração para comunicar-se: ter ouvidos atentos, ler bons jornais, bons artigos de revistas, livros que não tenham apenas um final feliz, assistir a bons filmes. Enfim, necessário se faz saber ler, decodificar, interpretar e encontrar sentido em meio aos apelos persuasivos da comunicação. Necessário se faz discutir, contextualizar, repensar, reelaborar, reconstruir. Necessário se faz uma leitura e recepção críticas da mídia. Necessário se faz aprender a aprender, para aprender a pensar e poder, assim, escrever sua própria história, tornar-se historiador do cotidiano, e, conseqüentemente, sujeito da própria história.

DIÁRIO: De que maneira a imprensa facilita ou atrapalha o bom uso da língua portuguesa?

TEREZINHA: Partamos do princípio de que nenhum novo meio (rádio, televisão, internet) representa um autêntico desafio à imprensa. “Nenhum meio eliminou o outro, o velho e o novo coexistiram”, postulam Briggs e Burke. Não se pode negar, entretanto, que o desgaste dos métodos empregados pela imprensa periódica, nos últimos vinte anos, evidencia-nos uma concepção reprodutivista, crivada de automatismo e carente de vibração, por parte de muitos meios de comunicação. Esquecem-se, talvez, de que abrem um leque de estudo que mescla ideologia, entretenimento, opinião, formação. Esquecem-se, talvez, de que se destinam a elevar o nível da comunidade humana, objetivando a produção de sentidos. Esquecem-se, talvez, de que o leitor, hoje, é o homem qualquer, não mais a elite. O jornalista precisa beber na fonte literária, para ensinar o leitor a ser cidadão, a respeitar o comunicar-se com pertinência e colaboração. E isso exige muito mais do que simplesmente o domínio das palavras e da gramática.

DIÁRIO: Além de dar aulas, estudar e produzir o quadro do Programa Mestre Cuca, a senhora trabalha atualmente em outros projetos ou alguma publicação?

TEREZINHA: Tenho algumas frentes nas quais trabalho, atualmente: uma obra que enfoca a relação de interface jornalismo especializado em literatura no jornalismo periódico; questões referentes ao Teste o seu Português; atalhos poéticos que, se tiver coragem e patrocínio, tornar-se-ão um livro e um projeto atinente à tese de Doutorado, que envolve Comunicação e Semiótica.

Confira a primeira coluna



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