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Cem anos da indústria automotiva

José Ronaldo Marques da Silva
03/02/2025 | 09:20
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Efeméride é uma palavra que deriva do adjetivo efêmero, algo passageiro, de um dia de duração. Designa aquelas datas redondas que demandam comemoração ou lembrança de algum tipo. São aproveitadas em peças publicitárias, atos governamentais e um sem-número de eventos. Algumas delas não passam de bobagens. Outras levam à reflexão histórica mais profunda.

Foi no dia 26 de janeiro de 1925 – portanto, há 100 anos – que a General Motors se instalou no Brasil, em São Caetano. Foi a segunda montadora a fazê-lo, uma vez que a Ford havia chegado em 1919, mas a primeira a ser criada no solo do Grande ABC.

A empresa norte-americana de Henry Ford havia feito suas primeiras instalações na Rua Florência de Abreu, no Centro de São Paulo. A GM, ainda naqueles idos dos anos 20 do século XX, fazia os primeiros movimentos que resultariam, mais tarde, já nos anos 1950, no polo automotivo da nossa região.

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A história da indústria automotiva se confunde com a modernização do Brasil, e creio que esse seja o motivo para não deixar passar batido o centenário aqui comentado. 

As primeiras fábricas de carros aqui criadas, no Grande ABC, consolidaram uma região de trabalhadores, divididos em uma série de categorias, que iam do chão da fábrica aos empregados do setor dos serviços. Os metalúrgicos, mais numerosos no passado, se notabilizaram por criar nos anos 1980 um movimento sindical moderno, necessário. E igualmente ficaram famosos ao dar ao País um líder que seria o primeiro operário eleito presidente da República.

Nós, os cegonheiros, também fazemos parte dessa história. Quando a indústria automobilística foi aqui criada, os carros e demais veículos eram levados aos diversos cantos do País sendo dirigidos por motoristas – um caminho que, para além do desgaste da distância percorrida, colocava em risco o produto vendido, no caso um carro que chegava às mãos do dono sem mais ser zero quilômetro.

Nós criamos as primeiras cegonhas. Eram caminhões com carrocerias de madeira e tinham capacidade para transportar cinco veículos por vez. Foi nos anos 1960. De lá para cá, as carretas, agora de ferro, transportam até 11 carros e formamos um ramo de serviços que emprega 100 mil pessoas no Brasil.

A sede do nosso sindicato, o Sinaceg, que é nacional, fica em São Bernardo. Também na nossa região, que ensinou ao País que a indústria automotiva daria certo. 

Os cegonheiros somamos 60 anos. Temos a certeza de que nossos filhos e netos chegarão ao centenário com um País mais próspero e justo, com automóveis usando tecnologia limpa, com tecnologias inteligentes e uma indústria nacional fortalecida. A efeméride da GM mostra que nunca podemos esmorecer.

José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, é presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros.




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