Palavra do Leitor

O termômetro do setor de papelão



O setor de papelão é termômetro da economia, como sabemos. E vice-versa, como podemos acompanhar agora. O desaquecimento em todos os outros setores, fruto de dificuldades diversas, vai afetar severamente os resultados dos fabricantes de embalagens, já que o número de vendas e, por consequência, de produtos para embalar, está em queda generalizada.


Para começar, ainda há reflexos persistentes da pandemia sem prazo para acabar. A desorganização provocada na logística mundial continua provocando falta de insumos em linhas de produção de diversos setores clientes das empresas de embalagens. O setor de eletrodomésticos, por exemplo, muito relevante nesse contexto, sofre com a falta de matéria-prima ou aumentos de até 200% em alguns componentes. O desemprego e a severa redução na renda no País, criados durante a crise sanitária e agravados por circunstâncias que se seguiram, também serão sentidos duramente pelo varejo por anos.


Além disso, temos problemas internos graves, que fazem o Brasil estar na lanterna da corrida pela recuperação econômica no mundo. Nossa inflação está acima de dois dígitos, os juros seguem colados e o dólar não cai. Junte-se a isso o custo da energia – tanto elétrica como os combustíveis –, a ameaça de apagão e ambiente político que mais parece caldeirão prestes a explodir. A verdade é que não há indicativos de que a situação vá melhorar, pelo menos não em breve.


A macroeconomia é a prioridade para o setor de papelão e embalagens no momento. Os empresários da área devem se unir ao esforço por soluções estruturais e avanços para o Brasil. É preciso engrossar o debate, demonstrar enfaticamente que a indústria não sobrevive com custos tão elevados. Que é urgente garantir fluxos de abastecimento e desburocratizar os processos, além de desonerar a produção.


Também é fundamental restabelecer alguma previsibilidade para a nossa economia. Reconquistar a confiança dos investidores com fundamentos sólidos e segurança jurídica. Redirecionar, enfim, o barco para a modernidade e as boas práticas observadas no mundo desenvolvido. E, principalmente, garantir renda e empregos para a enorme parcela da população que se encontra mais fragilizada do que nunca. Cenário foi mostrado em recente levantamento que tem o Brasil com a quarta maior taxa de desemprego do mundo, em ranking com 44 países.


Não é possível retomada plena com tamanha desigualdade e tantos brasileiros sobrevivendo sem as condições mínimas para se levantar. É preciso reagir, não apenas como setor de papelão e como a economia. Mas como sociedade. Como país.

Eduardo Mazurkyewistz é diretor da empresa Mazurky, em São Bernardo.


PALAVRA DO LEITOR

21 vereadores
A recente e indecente decisão da Câmara andreense em aumentar o número de vereadores na cidade nos leva a refletir sobre quem se beneficiará e quem perderá com mais essa excrescência. Serão beneficiados: partidos políticos, que enxergam maior poder de barganha junto ao Executivo com a possibilidade de aumentar seus vereadores e filiados; os próprios vereadores, que, com a redução do quociente eleitoral, veem aumentada suas chances de reeleição; os ‘candidatos culposos’, aqueles que concorrem sem a intenção de se eleger, apenas visando uma das vagas de comissionados para viverem à custa do erário. Finalmente, perderá o povo, que arcará com os custos de mais essa sem-vergonhice política.
Vanderlei A. Retondo
Santo André


O mais caro
O Poder Judiciário brasileiro é o que divulga ser o mais caro do mundo, com o maior número de funcionários por ministro, com a escolha de vários ministros inabilitados para a função e usando-a para fazer política e não para o seu fim, a justiça. A perseguição antidemocrática à corrente política oponente à sua é muito clara e incontestável. Além da quantidade absurda de funcionários à sua disposição, a Suprema Corte é também a que presta um dos piores serviços judiciais do mundo.
Benone Augusto de Paiva
Capital


Impedimento
Como de praxe, mais uma vez o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), por meio de ação civil pública, tomando como base a Lei do Ato Médico, ingressou com pedido de liminar, em junho de 2020, para impedir que enfermeiros habilitados fossem autorizados a utilizar DEGs (Dispositivos Extraglóticos) e pinça Magil com auxílio de laringoscopia; e a executar cricotireoidostomia por punção, para acessar a via aérea de pacientes. Esses procedimentos são autorizados pelo Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) por meio da resolução 641/2020, publicada no Diário Oficial da União, em 4 de junho de 2020, que estabelece a utilização dos dispositivos extraglóticos e outras técnicas para acesso à via aérea, restritas à situação de iminente risco de morte do paciente. A não utilização dos dispositivos extraglóticos, em situação de iminente risco de morte, culminará na morte do paciente.
Roberto Canavezzi
São Caetano


Extrapolando
Com frequência, extrapolando a Constituição, as múltiplas funções do STF (Supremo Tribunal Federal) desrespeitam os poderes Executivo e Legislativo, sob o olhar complacente do Senado, que, constitucionalmente, é o único que pode disciplinar o STF. O STF agindo assim, sem ser responsabilizado, é autêntico ditador. Os três poderes, em respeito à Carta Magna, deveriam funcionar independentes e harmonicamente, restrito à sua área, respeitando os demais.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)


Inércia irritante
Gostaria de resposta da Prefeitura de Santo André, que tem tratado o munícipe com pouco caso. Digo isso porque já faz um tempo que nós, moradores do local, reclamamos. E nada de solução. Falo da tampa de bueiro na Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, em frente à Travessa Cervantes, na Vila Silvestre, que, solta, tem causado desespero aos moradores. Isso porque os carros passam sobre ela, o que produz barulho insuportável, dificultando até mesmo o sono de quem precisa trabalhar no outro dia. Qual a dificuldade de arrumar um problema tão simples? Temos que pagar? Qual o valor? Se fosse pedido de moradores de bairros nobres da cidade ou do Centro, será que ainda estaria pendente? Quantas vezes mais precisaremos abordar esse assunto? Por que essa inércia? Estão esperando a eleição, para promover algum candidatozinhpo mequetrefe? Acordem! A população aprendeu a reagir?
Dulce Rocha
Santo André 

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