Política

Lockdown se torna disputa entre Paulo Serra e Estado




A negativa do governo de São Paulo, gerido por João Doria (PSDB), em implantar lockdown para frear a velocidade do contágio da Covid-19 ao menos na Região Metropolitana de São Paulo, onde se insere o Grande ABC, se tornou disputa entre o prefeito de Santo André e presidente do Consórcio Intermunicipal, Paulo Serra (PSDB), e o Estado. O tucano atacou decisão da gestão paulista em evitar medida mais restritiva diante do quadro de recrudescimento da crise sanitária e sinalizando que faltou apoio efetivo do Palácio dos Bandeirantes para adotar o procedimento.

Em entrevista ao Bom Dia SP, da TV Globo, Paulo Serra trocou alfinetadas com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, também tucano. “Tentamos junto ao Estado desde quinta-feira, argumentamos (com estudos, sobre a necessidade de aplicação). Diferentemente de outras regiões, como Baixada Santista, Araraquara, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, a Região Metropolitana, em especial o Grande ABC, não tem capacidade própria de fazer mais restrições ou implementar lockdown sem a intervenção direta do Estado. O governo preferiu por iniciativa não implementar, perdeu grande oportunidade de demonstrar articulação regional metropolitana. O que restou foi justamente antecipação de feriados”, disse o prefeito, considerando o adiantamento uma ação paliativa.

Em nome de Doria, Vinholi surgiu no programa para rebater as declarações de Paulo Serra e declarou que Santos deu bom exemplo de gestão pública ao tomar as medidas necessárias “sem precisar jogar a culpa a terceiros”. “Ao invés de tomar decisão que entende e diz que é adequada, joga a culpa para terceiros. Não é a realidade. O Estado manifestou várias vezes apoio às medidas que entendessem que deveriam ser tomadas. O prefeito Paulo Serra teve comunicação ontem (segunda-feira). Encaminharam ofício pedindo apoio para o transporte coletivo, e assim nos manifestamos. Ele tem toda a autonomia (de acordo com decisão do STF – Supremo Tribunal Federal). As regiões podem ser mais restritivas. O que é completamente fora de cabimento é não tomar ação, quando diz que é correta, jogando para terceiros.”

Na visão dos prefeitos da Grande São Paulo, a medida isolada não faz sentido, uma vez que toda região está interligada. O pleito de apelo do Consórcio incluía restrição da circulação de usuários nos trens, ônibus intermunicipais no Corredor ABD e na Área 5, da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), mas não houve sinalização favorável. O titular de Transportes Metropolitanos do Estado, Alexandre Baldy, teria ficado de estudar alternativas, sem, no entanto, apresentar soluções.

Ao Diário, Paulo Serra alegou que, após consulta junto a especialistas, ficou constatado que se o Estado não adotar a medida de forma ampla “não funciona”. “O principal fator é que nós estamos em região conurbada, a mais do País e entre as mais do mundo. São 20 milhões de habitantes. Somente nos trens, há 100 mil usuários todos os dias, durante a pandemia. Antes das restrições, só a Estação Celso Daniel eram 50 mil. Portanto, com todo respeito, comparar nossa situação demográfica, geográfica e de transporte (sob responsabilidade estadual) com a Baixada, Araraquara, Ribeirão Preto, regiões isoladas desse Centro, mostra no mínimo desconhecimento da própria realidade da Região Metropolitana.”

O prefeito tucano emendou que a decisão do governo paulista denota “profundo desrespeito” com o Grande ABC ao ter visão linear que não é verdadeira. “Não são todas as fórmulas que servem para todas as situações. Lamento profundamente a postura. Faltou humildade ao governo do Estado.”  

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