Economia

Recuperação judicial deve atingir pico na região em outubro


Com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus, empresas de diversos setores tiveram agravamento na situação financeira. Em certos casos, o último recurso antes de fechar as portas é a recuperação judicial, utilizada para companhias que ainda possuem viabilidade financeira, mas com dívidas e dificuldades no caixa. Na região, 77 processos foram iniciados nos últimos quatro meses, e a expectativa é a de que o pico aconteça a partir de outubro. Quanto aos pedidos de falência, houve 18 no mesmo período.

De março a junho, portanto, foram registradas 95 solicitações de recuperação judicial e falência, ou 32,2% da Região Metropolitana, que totaliza 295 processos. No Grande ABC, São Bernardo lidera, com 32 demandas. Os dados são da 1ª e 2ª Varas Regionais Empresariais e de Conflitos Relacionados à Arbitragem da 1ª Região Administrativa Judiciária do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), inauguradas em dezembro. Ambas são especializadas na resolução de conflitos empresariais para falência e recuperação judicial e atendem a 29 comarcas da Região Metropolitana.

De acordo com o juiz responsável pela 1ª Vara, Marcello Perino, ainda não aconteceu nenhuma mudança perceptível em relação ao período pré-pandemia, no início do ano, já que a atuação começou em janeiro. “A expectativa do aumento nas falências deve ser mais imediata, entre agosto e setembro”, disse. Nos últimos quatro meses, foram 18 pedidos, sendo que um deles foi extinto.

No mesmo período, as recuperações judiciais totalizaram 77 processos, mas dez deles já foram extintos. “Esses processos devem demorar um pouco mais (para acontecer o pico), porque as empresas estão conseguindo alargar os prazos com os bancos para dívidas, e muitas estão aguardando aprovações de medidas voltadas para este assunto”, disse o juiz.

A previsão é a de que os aumentos nas recuperações judiciais aconteçam a partir de outubro e atinjam principalmente o Grande ABC, além das cidades de Barueri, Osasco e Guarulhos, por causa da concentração de empresas. “As recuperações devem atingir principalmente as médias empresas, já que as pequenas dificilmente vão ter caixa e vão acabar optando pela falência”, afirmou.

Entre as empresas que iniciaram o processo de recuperação judicial nos últimos dias, está o Grupo Cofran Lanternas, fundado nos anos 1970 em São Caetano, e que atualmente possui sede na divisa do município com São Paulo, além de uma fábrica em Mauá, totalizando 100 funcionários.

Segundo o especialista em recuperação judicial e CEO da OnBehalf, empresa que atua como consultoria em processos de recuperação e falência, Luiz Deoclecio, as micro e pequenas empresas são as que mais vão sofrer com esta crise. “Isso porque elas têm menos recursos. Então, o melhor caminho pode ser ir direto aos credores, conversar e homologar um acordo, antes de tentar uma recuperação judicial, que é um processo com custo alto. É necessário que a firma devedora arque com os custos de assessoria, advogados, administrador e do auxiliar de juiz. Por isso, o ideal é que ela procure meios alternativos para renegociar”, aconselhou, ao completar que caso isso não dê certo, o próximo passo é buscar o Poder Judiciário.

A especialização das varas de arbitragem procura trazer segurança jurídica maior aos empresários, já que os juízes e a equipe são peritos no processo. Além disso, a tendência é que a tramitação seja mais rápida. Após dar entrada com o pedido de recuperação, as empresas têm prazo de 60 dias para apresentar um plano e, caso nenhum credor conteste, a primeira assembleia deve ser marcada em até 150 dias. Na 1ª Vara há casos em que o trâmite foi de 50 a 70 dias.


Cofran, de S.Caetano, ingressa com pedido

O Grupo Cofran Lanternas, composto pelas empresas Codisa e W1, e que possui fábrica em Mauá, ingressou com pedido de recuperação judicial perante as varas especializadas da Capital. Nascida em São Caetano na década de 1970, com sede na divisa com São Paulo, a empresa tem 100 funcionários.

Segundo o sócio da Dasa Advogados Daniel Amaral, que é responsável pelo processo, a empresa viu o seu faturamento mensal cair de cerca de R$ 3 milhões para R$ 1,5 milhão nos últimos meses e, recentemente, precisou demitir 20% do efetivo. “Eles já vinham com dificuldades financeiras, mas aconteceu uma piora com a pandemia”, disse ele, que já observou aumento nos processos de empresas da região, com dez consultas nos últimos dias. “Muitas empresas dependem das montadoras, e mesmo que elas já tenham voltado a produzir, a paralisação acaba gerando efeito em cadeia”, contou.

O primeiro produto a ser fabricado foi o triângulo de segurança e, logo depois, espelhos retrovisores e lanternas em São Caetano. A empresa fabrica para modelos da Fiat, Volkswagen e GM (General Motors), inclusive com loja própria na cidade.

No pedido de recuperação, o grupo narra que a greve dos caminhoneiros de 2017 começou a afetar a empresa. Incêndio na fábrica da W1, em 2019, e enchentes que atingiram a região deixaram o parque fabril inundado, e tornaram a situação mais delicada.
 

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