Cotidiano

Tudo pode no distante reino do ‘Ó’


O nome do ministro anda mesmo na berlinda. Talvez ele não tenha imaginado, do alto de sua soberba, viver, um dia, uma situação de achincalhamento feroz como vive agora. Corre para lá e para cá feito bicho assustado, tentando explicar-se diante dos questionamentos que lhe são postos à mesa. E, a cada palavra sua, a confissão dos pecados se nos afigura clara como a luz deste dia em que o sol nos brinda a existência com a sua presença.

Mas porque é ministro num reino em que tudo é possível, onde o soberano executa flexão de braço para que toda a Terra testemunhe a sua força e sagacidade, é que o tal ministro julga que suas atitudes, pouco louváveis frente à Justiça, passarão incólumes, redondas como uma saborosa pizza. Pois é assim que determina a cultura de longa data aqui no reino do ‘Ó’, paraíso em que a diversidade de fauna e flora encanta gente de todas as partes do mundo. Gente que também começa a ficar apreensiva com a diversidade de criminosos que dele fizeram seu domínio.

A explicação para a saia justa em vigor, no entanto, vem da fragilidade de um governo em que o rei nada sabe sobre leis, economia, educação, saúde pública... Não sabe sequer qual é o seu papel à frente de uma Nação que fora grande um dia, mas que agora volta a dormir em berço esplêndido, coitada. O quadro é, pois, desanimador, e a presa moribunda, na verdade, quase morta, encontra-se à mercê das aves de rapina, prestes a devorar o que sobrou, porque sabem que ainda sobrou muito.

O que causa estranheza nisso tudo é que a elite desse distante e perdido reino promove a derrocada dele como se fosse mais uma fonte de lucro à sua falência. Não sabe, ao que tudo indica, que território inóspito, de ninguém, entregue às baratas, não rende vintém, e que, se o barco afundar, terá também que abandonar mansões e demais riquezas daqui para conquistá-las em outras terras. E logo tudo isso acabará também por esgotar essas paragens, como tudo nesta vida se esgota um dia.

Não podemos negar, ainda, que há guerra estabelecida neste reino de meu Deus. O obscurantismo da idade média luta para permanecer no poder, e teme por perdê-lo para a luz do entendimento. São seres que lançam seus grunhidos aos quatro cantos, proclamando seus feitos, que em nada contribuem para o crescimento da Nação, somente para a sua derrocada. E o desalento é companheiro nas horas em que vemos os nobres concedendo apoio irrestrito à horda com seu projeto de destruição da economia, do trabalho, da saúde, da educação... da vida. Não há mesmo como entender tamanho disparate.

Mas o ministro segue ministro, e tem o apoio do monarca que, afinal, lhe tem muito apreço, talvez pela afinidade que dividem. E também porque a memória do rei não é curta, e não lhe permite esquecer que deve ao outro o cetro dourado.

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