Economia

Com transporte funcionando, greve geral perde força


A greve geral, realizada ontem em todo o País, contra a reforma da Previdência, teve a adesão de 116,7 mil trabalhadores no Grande ABC. Apesar de a paralisação atingir as seis montadoras da região, com o funcionamento do transporte público o movimento acabou perdendo força e gerando menor impacto para a população.

A previsão era a de que a Linha 10 –Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que faz o trajeto entre as estações Brás e Rio Grande da Serra, não operasse, conforme o Sindicato dos Ferroviários de São Paulo. Porém, como na quinta-feira a proposta sofreu algumas mudanças na Câmara dos Deputados, a exemplo da manutenção do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e do reajuste dos benefícios pela inflação, a categoria decidiu não paralisar.

“Tiveram alguns avanços no relatório. Por isso, decidimos manifestar apoio aos atos contra a reforma da Previdência, mas não paralisar”, afirmou o presidente da entidade, Mauricio Alves de Matos, ao destacar que a questão da liminar do TRT-2, que determinava a manutenção dos funcionários, não influenciou na decisão.

Os ônibus coletivos também circularam normalmente pelas sete cidades. De acordo com o vice-presidente do Sintetra (Sindicato dos Rodoviários do ABC), Leandro Mendes da Silva, o intuito era paralisar. “Por se tratar de greve geral, fomos para a porta das garagens para tentar conscientizar o pessoal. Porém, como o trem e o Metrô, que eram para estar parados, não pararam, os trabalhadores optaram por assumir os postos, até porque eles iriam perder o dia”, disse.

Segundo o economista e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, os impactos na região, conhecida como berço do sindicalismo, foram menores do que na Capital. “Eu diria que foi mais um dia de mobilizações do que uma greve geral. Na Argentina, tivemos uma greve geral há duas semanas que foi bem representativa. Aqui no Brasil é mais difícil ter este tipo de movimentação porque é um País maior. Em São Paulo houve mais impactos do que na região. Aqui a vida seguiu dentro da normalidade, os transportes funcionaram, então foi tudo muito tranquilo”, disse o especialista, que também destacou que não é possível dizer que o movimento fracassou.

SUCESSO?

Prova disso foi que as seis montadoras da região tiveram as produções paralisadas. Ao todo, 78,2 mil metalúrgicos aderiram à greve. Somente na base do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) foram 65 mil. O movimento atingiu 98% das fábricas do setor de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, incluindo as cinco montadoras – Mercedes-Benz, Volkswagen, Scania, Toyota e Ford. “Podemos afirmar com tranquilidade que a greve na nossa categoria foi um sucesso. É a demonstração da contrariedade da nossa base em relação a uma reforma que acaba com o direito a aposentadoria decente depois de décadas de trabalho duro”, destacou o presidente da entidade, Wagner Santana, o Wagnão.

Em Santo André e Mauá, 50% dos operários da base aderiram à paralisação, ou seja, 6.000. “O importante foi toda essa discussão dos trabalhadores em torno da reforma da Previdência, se ela de fato vai ajudar numa retomada do crescimento econômico”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino Martinha.

Em São Caetano, os cerca de 7.200 funcionários da GM (General Motors) também pararam. “O pessoal votou a favor e aderiu pacificamente à paralisação”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão.

A Mercedes afirmou que a manifestação interrompeu a produção e que todos os colaboradores foram impedidos de entrar na fábrica. “Mais uma vez, o País deixa de produzir em um momento tão importante e crucial para a recuperação da econômica brasileira”, informou em nota. A Volkswagen, a Scania e a Toyota também confirmaram que não houve produção. A GM preferiu não comentar.

OUTRAS CATEGORIAS

Cerca de 250 agências bancárias, do total de 450 na região, ficaram fechadas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Belmiro Moreira, a adesão foi de “70% dos trabalhadores da base (de 7.000, ou seja, 4.900 participaram da movimentação). O que foi muito positivo”, disse.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Caetano, Edison Luiz Bernardes, 40% dos trabalhadores da base (7.000), ou seja, 2.800 colaboradores paralisaram. “Nossa principal empresa do setor de móveis é a Bartira, e como ficamos dez dias parados em greve (por conta de mudanças na jornada de trabalho) optamos por não parar lá”, disse.

“Fizemos paralisação na Recap (Refinaria de Capuava) em conjunto com os petroleiros, porque representamos os trabalhadores terceirizados da montagem industrial, que somam cerca de 200 na planta. Fizemos essa ação somente na parte da manhã”, afirmou o presidente do ConstruMob (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário em Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), Luiz Carlos Biazi. Ao todo, 810 petroleiros cruzaram os braços, apenas 10% do efetivo para manter a refinaria funcionando trabalhou.

Em São Bernardo não houve paralisação. O presidente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário) de São Bernardo e Diadema, Admilson Lúcio da Silva, afirmou que a entidade participou de ato na Marechal Deodoro, que reuniu cerca de 600 pessoas.

“Tivemos poucos problemas, pois a maioria dos 30 mil trabalhadores da categoria nem saiu de casa”, contou o secretário-geral do Sindicato dos Químicos do ABC, Paulo José dos Santos, o Paulão. “É cobrando das empresas que devem ao governo e aprovando reforma tributária que sairemos da crise, e não tirando direitos dos trabalhadores, que nem sabem se conseguirão se aposentar. Por isso, acreditamos que a reforma ampliará o desemprego, e não será ela que salvará o Brasil.”

BALANÇO

Ao longo do dia, houve pontos de manifestação em Santo André e São Bernardo, mas o trânsito fluiu sem grandes transtornos em toda a região. Por volta das 7h, manifestantes fizeram barricada na Avenida dos Estados, na altura da UFABC (Universidade Federal do ABC). De acordo com a Polícia Rodoviária, também houve protesto na Rodovia dos Imigrantes, na altura do km 16, em Diadema. Nos dois locais, o trânsito foi liberado rapidamente.

(Colaborou Soraia Abreu Pedrozo)

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