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Investigações apontam que Ricardo Teixeira usou Andorra para negócios suspeitos



25/05/2017 | 06:00


No dia 3 de junho de 1998, 5,5 mil pessoas assistiram a um jogo inusitado: campeã do mundo à época, a seleção brasileira, enfrentava, no campo do adversário, a modesta seleção de Andorra, criada dois anos antes e que entrou em campo com sete jogadores amadores.

A seleção se preparava para a Copa do Mundo da França e a decisão da CBF de levá-la ao principado para enfrentar uma equipe que jamais havia vencido uma partida e nem mesmo arrancado um empate foi bastante criticada. Mas não era apenas em campo que a CBF mantinha boa relação com Andorra.

Investigações recentes revelam que foi pelo sistema financeiro do principado que chegou o dinheiro desviado entre o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A suspeita é de que ambos teriam usado a seleção para lavar dinheiro.

Sandro Rosell foi preso na última terça-feira e nesta quinta será ouvido pelos procuradores em Madri. De acordo com apurações do jornal O Estado de S.Paulo, a rota do dinheiro envolveu Brasil, Catar, contas secretas na Suíça e bancos em Andorra. Por um ano, procuradores espanhóis monitoraram as transações, antes de lançar a operação.

Mas o caso é apenas o mais recente envolvendo o futebol brasileiro e o principado. Andorra e Ricardo Teixeira já estiveram "ligados". Foi por lá, por exemplo, que passaram os US$ 2,45 milhões (R$ 8 milhões) pagos por Teixeira e João Havelange de multa à Fifa para que caso de corrupção de que foram acusados (fraudar a entidade em R$ 40 milhões pagos em propina pela ISL) fosse arquivado.

A relação de Ricardo Teixeira com o principado não terminou com o caso ISL. Contratos já publicados pelo jornal O Estado de S.Paulo revelaram como Sandro Rosell transferia para Andorra a renda que obtinha em jogos da seleção brasileira. Em 24 partidas, ele acumulou 8 milhões de euros (cerca R$ 29 milhões).

Em 2012, ano em que deixou a CBF, Ricardo Teixeira oficialmente pediu residência em Andorra, país que não tem acordo de extradição com o Brasil. Para isso, fixou seu endereço em dois povoados (cidades) diferentes.

Os trâmites para convencer as autoridades a atender o pleito do brasileiro foram realizados graças a sócios de Sandro Rosell, entre eles Joan Besoli, preso na última terça-feira.

O ex-presidente da CBF acabaria por obter a permissão para residir em Andorra, mas essa benesse não durou muito tempo. A publicação em 2013 pelo jornal O Estado de S.Paulo de detalhes sobre o desvio de dinheiro dos amistosos da seleção para bancos do principado levou as autoridades locais a retirar a autorização de residência que havia sido concedida a Ricardo Teixeira.



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Investigações apontam que Ricardo Teixeira usou Andorra para negócios suspeitos


25/05/2017 | 06:00


No dia 3 de junho de 1998, 5,5 mil pessoas assistiram a um jogo inusitado: campeã do mundo à época, a seleção brasileira, enfrentava, no campo do adversário, a modesta seleção de Andorra, criada dois anos antes e que entrou em campo com sete jogadores amadores.

A seleção se preparava para a Copa do Mundo da França e a decisão da CBF de levá-la ao principado para enfrentar uma equipe que jamais havia vencido uma partida e nem mesmo arrancado um empate foi bastante criticada. Mas não era apenas em campo que a CBF mantinha boa relação com Andorra.

Investigações recentes revelam que foi pelo sistema financeiro do principado que chegou o dinheiro desviado entre o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A suspeita é de que ambos teriam usado a seleção para lavar dinheiro.

Sandro Rosell foi preso na última terça-feira e nesta quinta será ouvido pelos procuradores em Madri. De acordo com apurações do jornal O Estado de S.Paulo, a rota do dinheiro envolveu Brasil, Catar, contas secretas na Suíça e bancos em Andorra. Por um ano, procuradores espanhóis monitoraram as transações, antes de lançar a operação.

Mas o caso é apenas o mais recente envolvendo o futebol brasileiro e o principado. Andorra e Ricardo Teixeira já estiveram "ligados". Foi por lá, por exemplo, que passaram os US$ 2,45 milhões (R$ 8 milhões) pagos por Teixeira e João Havelange de multa à Fifa para que caso de corrupção de que foram acusados (fraudar a entidade em R$ 40 milhões pagos em propina pela ISL) fosse arquivado.

A relação de Ricardo Teixeira com o principado não terminou com o caso ISL. Contratos já publicados pelo jornal O Estado de S.Paulo revelaram como Sandro Rosell transferia para Andorra a renda que obtinha em jogos da seleção brasileira. Em 24 partidas, ele acumulou 8 milhões de euros (cerca R$ 29 milhões).

Em 2012, ano em que deixou a CBF, Ricardo Teixeira oficialmente pediu residência em Andorra, país que não tem acordo de extradição com o Brasil. Para isso, fixou seu endereço em dois povoados (cidades) diferentes.

Os trâmites para convencer as autoridades a atender o pleito do brasileiro foram realizados graças a sócios de Sandro Rosell, entre eles Joan Besoli, preso na última terça-feira.

O ex-presidente da CBF acabaria por obter a permissão para residir em Andorra, mas essa benesse não durou muito tempo. A publicação em 2013 pelo jornal O Estado de S.Paulo de detalhes sobre o desvio de dinheiro dos amistosos da seleção para bancos do principado levou as autoridades locais a retirar a autorização de residência que havia sido concedida a Ricardo Teixeira.

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