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Preparo do elenco faz diferença em 'linha de passe'



03/09/2008 | 07:00


Há uma cena de Linha de Passe em que Cleuza, a mãe interpretada por Sandra Corveloni, faz uma festa-surpresa para um dos filhos, Dario (Vinicius de Oliveira). A festa reúne a vizinhança toda, que fica esperando o garoto chegar. É um momento exemplar pelo que revela do método de preparação de elenco de Fátima Toledo, que os diretores Walter Salles e Daniela Thomas admitem ter sido muito importante para a realização do filme.

"Fomos morar na casa antes que a filmagem começasse. A Fátima queria que nos reconhecêssemos como família, e também que a gente se integrasse com a vizinhança. No fim, foram eles que o Walter e a Daniela chamaram para fazer a figuração da cena da festa", conta Sandra.

Atriz no Grupo Tapa, de Eduardo Tolentino, Sandra, a princípio, não precisaria de preparação, mas ela se integrou ao grupo e se entregou nas mãos de Fátima Toledo. "Muita gente de teatro disse que eu não devia ir, mas consultei o Zé Carlos Machado, que já havia trabalhado com a Fátima, e ele disse que eu só ia crescer. A única coisa que me disse foi que eu evitasse me machucar."

Fátima tem um método discutido pela classe teatral. Ela é mestra em preparar não-profissionais para cenas de grande intensidade dramática, o que não significa que os transforme em atores em tempo integral. Seu método consiste em trabalhar as emoções das pessoas. Pode ser um processo penoso, mas João Baldasserini, que faz Denis, o motoboy, diz que o método, no limite, é gratificante. "Me sinto uma pessoa melhor. Foi uma coisa que me abriu mais para o afeto, para o outro. Foi muito bacana."

Vá dizer isso a alguém de teatro e a pessoa poderá retrucar - como muitos já retrucaram - que isso é terapia, não direção de atores. Seja como for, dá resultado e excelente. Sandra foi melhor atriz em Cannes, derrotando, entre outras, a top star de Hollywood Angelina Jolie, que muitos críticos consideravam imbatível para o prêmio por sua interpretação no filme de Clint Eastwood, The Exchange. "Ainda não caiu a ficha", ela admite. O filme e o prêmio no mais prestigiado festival de cinema do mundo não mudaram sua vida nem a dos garotos, mas Linha de Passe ainda não estreou. Tudo poderá ser diferente a partir desta sexta-feira.

Vinicius de Oliveira, que há dez anos foi o garoto Josué de Central do Brasil, faz agora Dario, o craque da família, que sonha com a carreira no futebol para dar uma guinada em sua vida. No filme, Dario tem 19 anos, já passou do limite da idade para entrar nos juniores dos clubes e falsifica seu RG. Ele busca um pai substituto - o pai ausente, tema recorrente no cinema de Walter Salles, com ou sem Daniela Thomas -, mas até quando encontra um homem mais velho para orientá-lo na carreira, esse sujeito termina por falhar.

Era a piada da equipe. Walter Salles teria feito Linha de Passe para impor Vinicius - em seu terceiro trabalho com o diretor, já que fizeram também Abril Despedaçado -- como jogador de futebol e vender seu passe para o Barcelona. A brincadeira é inevitável - já apareceu o emissário do Barça para negociar o passe, pergunta o repórter? "Não, mas o filme ainda não estreou na Europa", diz Vinicius. Você vai ver que o garoto joga um bolão no filme.

Walter Salles não queria truques, por exemplo, filmar o detalhe da perna numa jogada especial, substituindo o ator para o plano. Vinicius deu duro na preparação. "Sempre gostei de futebol, mas jogava em peladas, com os amigos. Para o filme, eu entrei na escolinha do Zico (no Rio), participei de ‘peneirões' (como são conhecidos os processos de escolhas de novos atletas pelos clubes) e até treinei nos juniores de duas equipes daqui (de São Paulo), o Santo André e o Palmeiras."

Tudo isso Vinicius fez para criar a exterioridade de Dario, mas, como ele diz, orientado por Fátima Toledo, não construí o personagem. "Busquei-o dentro de mim, como é o método da Fátima."

José Geraldo Rodrigues faz Dinho, o evangélico da família. Ele leu muito a Bíblia e freqüentou o culto como preparação. "Tinha um pastor com uma pregação muito forte e muitas vezes eu ficava com as palavras dele, que me serviam de inspiração para a vida, não só para o papel." Já João Baldasserini, que faz o motoboy teve de conduzir a moto por São Paulo. "Às vezes tinha de me refrear, porque dava aquela sensação de que podia tudo na direção da moto", Baldasserini lembra, e isso talvez ajude a entender por que ocorrem tantos acidentes com motoboys na cidade.



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