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Cinema: "A Hora Mágica" estréia nesta sexta


Do Diário do Grande ABC

28/01/1999 | 15:26


Guilherme de Almeida Prado é o diretor mais "falsificado" do cinema brasileiro. Nao é nem uma crítica - é uma constataçao. Seus filmes privilegiam o artifício, usam o próprio cinema como referencial para celebrar a linguagem. "A Hora Mágica" é o novo filme de Almeida Prado. Estréia nesta sexta na capital paulista na cidade, depois de passar (sem prêmios) pelo Festival de Brasília e de inaugurar a Mostra Internacional de Cinema do ano passado.

Sobram qualidades de estilo. O filme é bem feito, possui enquadramentos preciosos, mas deixa no espectador a incômoda sensaçao de que o cineasta nao tem muito a dizer. Seus personagens sao mortos - invólucros vazios. Nao é uma opiniao unânime. Há quem goste - e muito. Mas tem de ser pós-moderno de carteirinha. Vem sendo sempre assim com Almeida Prado, desde "A Dama do Cine Shangai".

O jogo de referências já havia sido estabelecido em "A Dama", na cena em que a personagem sai do cinema e um cartaz anuncia a próxima atraçao - "A Hora Mágica". Isso só foi possível porque o projeto de A Hora Mágica era anterior à Dama, mas terminou concretizando-se depois. As referências (brincadeiras) do diretor prosseguem em "A Hora Mágica" quando o personagem de Raul Gazolla vai ao cinema e a sala chama-se justamente Shangai, como aquela que Maitê Proença freqüentava no outro filme.

Segundo o diretor, trata-se de uma comédia, a que o espectador deve assistir sem rir, com um sorriso nos lábios. Baseia- se num conto do escritor argentino Julio Cortázar, mas Almeida Prado é o primeiro a reconhecer que "Cambio de Luces" é tao pequeno que daria no máximo um curta-metragem. Ele teve de criar muito em cima da situaçao principal - agregando personagens e situaçoes. Mas manteve a fidelidade à essência do escritor, que também gostava de misturar realidade e imaginaçao.

Desde o título, "A Hora Mágica" refere-se ao cinema. É aquela hora em que o sol já se pôs, mas ainda há luz suficiente para que o negativo capte imagens. Com luz natural, é possível obter, nesses minutos, um efeito noturno muito interessante. Essa busca da luz é coerente nao apenas com as densidades e sutilezas de Cortázar, mas também com a relaçao que se estabelece entre os personagens do filme de Almeida Prado.

A história, muito vaga, trata de um ator obscuro de radionovelas (Gazolla) que dubla o astro canastrao de filmes de aventuras vagabundos. Quando A Hora Mágica começa há uma série de assassinatos que parecem interligados - na novela e na vida. O ator tem um caso com uma jovem (Júlia Lemmertz) tao suspeita quanto insinuante e a era do rádio vai chegando a seu fim, substituída pelo surgimento da televisao. Há um policial que investiga o caso e um detalhe decisivo é fornecido pelo brinco que a protagonista perdeu próximo à cena de um dos crimes.

Tudo é muito pensado e trabalhado - a cor, a cenografia, o vestuário. O resultado é vistoso para os olhos, mas "A Hora Mágica" nao se propoe a outra coisa que nao a um exercício lúdico de (meta)linguagem. Diverte ocasionalmente, como quando o veterano José Lewgoy está em cena, vestido de diabo, quando Patrícia Travassos banca a telefonista atrapalhada ou quando Tânia Alves ataca de estrela do rádio. Vira um tédio e pode chegar até à irritaçao pela falta de alma. Para usar uma velha imagem - espremendo, nao sobra muita coisa, por mais que os valores de produçao mereçam aplausos.



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Cinema: "A Hora Mágica" estréia nesta sexta

Do Diário do Grande ABC

28/01/1999 | 15:26


Guilherme de Almeida Prado é o diretor mais "falsificado" do cinema brasileiro. Nao é nem uma crítica - é uma constataçao. Seus filmes privilegiam o artifício, usam o próprio cinema como referencial para celebrar a linguagem. "A Hora Mágica" é o novo filme de Almeida Prado. Estréia nesta sexta na capital paulista na cidade, depois de passar (sem prêmios) pelo Festival de Brasília e de inaugurar a Mostra Internacional de Cinema do ano passado.

Sobram qualidades de estilo. O filme é bem feito, possui enquadramentos preciosos, mas deixa no espectador a incômoda sensaçao de que o cineasta nao tem muito a dizer. Seus personagens sao mortos - invólucros vazios. Nao é uma opiniao unânime. Há quem goste - e muito. Mas tem de ser pós-moderno de carteirinha. Vem sendo sempre assim com Almeida Prado, desde "A Dama do Cine Shangai".

O jogo de referências já havia sido estabelecido em "A Dama", na cena em que a personagem sai do cinema e um cartaz anuncia a próxima atraçao - "A Hora Mágica". Isso só foi possível porque o projeto de A Hora Mágica era anterior à Dama, mas terminou concretizando-se depois. As referências (brincadeiras) do diretor prosseguem em "A Hora Mágica" quando o personagem de Raul Gazolla vai ao cinema e a sala chama-se justamente Shangai, como aquela que Maitê Proença freqüentava no outro filme.

Segundo o diretor, trata-se de uma comédia, a que o espectador deve assistir sem rir, com um sorriso nos lábios. Baseia- se num conto do escritor argentino Julio Cortázar, mas Almeida Prado é o primeiro a reconhecer que "Cambio de Luces" é tao pequeno que daria no máximo um curta-metragem. Ele teve de criar muito em cima da situaçao principal - agregando personagens e situaçoes. Mas manteve a fidelidade à essência do escritor, que também gostava de misturar realidade e imaginaçao.

Desde o título, "A Hora Mágica" refere-se ao cinema. É aquela hora em que o sol já se pôs, mas ainda há luz suficiente para que o negativo capte imagens. Com luz natural, é possível obter, nesses minutos, um efeito noturno muito interessante. Essa busca da luz é coerente nao apenas com as densidades e sutilezas de Cortázar, mas também com a relaçao que se estabelece entre os personagens do filme de Almeida Prado.

A história, muito vaga, trata de um ator obscuro de radionovelas (Gazolla) que dubla o astro canastrao de filmes de aventuras vagabundos. Quando A Hora Mágica começa há uma série de assassinatos que parecem interligados - na novela e na vida. O ator tem um caso com uma jovem (Júlia Lemmertz) tao suspeita quanto insinuante e a era do rádio vai chegando a seu fim, substituída pelo surgimento da televisao. Há um policial que investiga o caso e um detalhe decisivo é fornecido pelo brinco que a protagonista perdeu próximo à cena de um dos crimes.

Tudo é muito pensado e trabalhado - a cor, a cenografia, o vestuário. O resultado é vistoso para os olhos, mas "A Hora Mágica" nao se propoe a outra coisa que nao a um exercício lúdico de (meta)linguagem. Diverte ocasionalmente, como quando o veterano José Lewgoy está em cena, vestido de diabo, quando Patrícia Travassos banca a telefonista atrapalhada ou quando Tânia Alves ataca de estrela do rádio. Vira um tédio e pode chegar até à irritaçao pela falta de alma. Para usar uma velha imagem - espremendo, nao sobra muita coisa, por mais que os valores de produçao mereçam aplausos.

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