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Banco do Povo Crédito Solidário libera R$ 6,5 mi

Mauá demandou maior parte dos empréstimos, com R$ 3,2 mi


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

25/11/2011 | 07:29


Quando o proprietário de um comércio de autopeças de Mauá João Batista Silva realizou seu primeiro empréstimo pelo Banco do Povo Crédito Solidário, há dois anos, estava com o nome sujo e não conseguia crédito para capital de giro de seu negócio em nenhum banco comercial. "Começamos com grupo de quatro pessoas (o máximo são sete) e fizemos a solicitação do empréstimo", conta.

O Banco do Povo Crédito Solidário permite que até 50% do grupo tenha restrições cadastrais. O valor máximo a ser emprestado por pessoa é R$15 mil, mas o gerente executivo Almir Pereira garante que ainda não se chegou a essa cifra. "Tudo depende da capacidade de pagamento de cada pessoa. Normalmente ela começa com um valor menor, que pode ir aumentando conforme o empréstimo anterior for quitado. A média dos financiamentos gira em torno de R$ 1.200 por pessoa", explica.

Esse modelo de oferta de crédito a um grupo de pessoas, que não podem ser parentes, e nem estar no mesmo negócio - aliás, os grupos solidários normalmente são formados por vizinhos, que possuem profissões totalmente diferentes -, começou a ser mais disseminado no ano passado. "Dos 650 grupos que têm crédito conosco atualmente, 85% são grupos solidários", diz Pereira.

Essa mudança é uma das principais responsáveis pelo expressivo crescimento na concessão de crédito nas cinco cidades da região em que o Banco do Povo atua: Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires. De janeiro a outubro foram emprestados R$ 6,5 milhões em 3.897 contratos. No mesmo período em 2010, esse montante chegou a R$ 4,4 milhões em 3.026 operações. Aumento de 47,7% nos valores liberados (R$ 2,1 milhões) e de 28,7% (871) no total de contratos.

Mauá foi a cidade que mais se destacou; não à toa, já que possui duas das cinco unidades. "O município tem muitos bairros populares e muita gente sem acesso aos serviços financeiros", diz Pereira. As liberações alcançaram R$ 3,2 milhões em 1.796 operações nos primeiros dez meses do ano; em 2010 foi R$ 1,5 milhão em 1,131 contratos.

Silva faz parte das estatísticas, pois já está em seu quinto empréstimo em grupo, que hoje possui sete integrantes. "Não temos atraso e nem inadimplência. Todos pagam para mim e eu quito o boleto. Só uma vez uma das pessoas estava sem o dinheiro, então fizemos rateio e, no próximo pagamento, ela quitou."

 

Pagamento semanal ou quinzenal é atrativo

Um dos diferenciais do Banco do Povo Crédito Solidário, considerados atrativos pelos contratantes, é a possibilidade de pagar por semana ou quinzena. "É muito melhor, pois da mesma maneira que o dinheiro entra, já quitamos parte da dívida", conta Maria Morales, proprietária de uma padaria em Mauá. "Além disso, a taxa de juros é muito menor do que a oferecida por bancos comerciais, que fica acima de 7%."

A taxa é de 3,9%. Embora seja menor do que a de bancos, é maior que a do Banco do Povo Paulista, também focada em oferta de crédito para investimento no negócio, e hoje em 0,5%. A diferença se dá pela fonte de recursos; o paulista usa capital do tesouro estadual, o crédito solidário, do BNDES e de bancos comerciais.

Maria possui dois empréstimos atualmente, um em grupo e outro individual. "Consegui comprar carrinho para colocar o pão, esqueleto e bandejas." Com empréstimos anteriores, ela conseguiu mudar para salão maior e contratar equipe. Hoje, são 30 funcionários.

Para conseguir financiamento é preciso ter avalista, que funciona como fiador (não pode ter nome sujo e, caso o contratante não pague, a dívida será cobrada dele), ou bens.



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Banco do Povo Crédito Solidário libera R$ 6,5 mi

Mauá demandou maior parte dos empréstimos, com R$ 3,2 mi

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

25/11/2011 | 07:29


Quando o proprietário de um comércio de autopeças de Mauá João Batista Silva realizou seu primeiro empréstimo pelo Banco do Povo Crédito Solidário, há dois anos, estava com o nome sujo e não conseguia crédito para capital de giro de seu negócio em nenhum banco comercial. "Começamos com grupo de quatro pessoas (o máximo são sete) e fizemos a solicitação do empréstimo", conta.

O Banco do Povo Crédito Solidário permite que até 50% do grupo tenha restrições cadastrais. O valor máximo a ser emprestado por pessoa é R$15 mil, mas o gerente executivo Almir Pereira garante que ainda não se chegou a essa cifra. "Tudo depende da capacidade de pagamento de cada pessoa. Normalmente ela começa com um valor menor, que pode ir aumentando conforme o empréstimo anterior for quitado. A média dos financiamentos gira em torno de R$ 1.200 por pessoa", explica.

Esse modelo de oferta de crédito a um grupo de pessoas, que não podem ser parentes, e nem estar no mesmo negócio - aliás, os grupos solidários normalmente são formados por vizinhos, que possuem profissões totalmente diferentes -, começou a ser mais disseminado no ano passado. "Dos 650 grupos que têm crédito conosco atualmente, 85% são grupos solidários", diz Pereira.

Essa mudança é uma das principais responsáveis pelo expressivo crescimento na concessão de crédito nas cinco cidades da região em que o Banco do Povo atua: Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires. De janeiro a outubro foram emprestados R$ 6,5 milhões em 3.897 contratos. No mesmo período em 2010, esse montante chegou a R$ 4,4 milhões em 3.026 operações. Aumento de 47,7% nos valores liberados (R$ 2,1 milhões) e de 28,7% (871) no total de contratos.

Mauá foi a cidade que mais se destacou; não à toa, já que possui duas das cinco unidades. "O município tem muitos bairros populares e muita gente sem acesso aos serviços financeiros", diz Pereira. As liberações alcançaram R$ 3,2 milhões em 1.796 operações nos primeiros dez meses do ano; em 2010 foi R$ 1,5 milhão em 1,131 contratos.

Silva faz parte das estatísticas, pois já está em seu quinto empréstimo em grupo, que hoje possui sete integrantes. "Não temos atraso e nem inadimplência. Todos pagam para mim e eu quito o boleto. Só uma vez uma das pessoas estava sem o dinheiro, então fizemos rateio e, no próximo pagamento, ela quitou."

 

Pagamento semanal ou quinzenal é atrativo

Um dos diferenciais do Banco do Povo Crédito Solidário, considerados atrativos pelos contratantes, é a possibilidade de pagar por semana ou quinzena. "É muito melhor, pois da mesma maneira que o dinheiro entra, já quitamos parte da dívida", conta Maria Morales, proprietária de uma padaria em Mauá. "Além disso, a taxa de juros é muito menor do que a oferecida por bancos comerciais, que fica acima de 7%."

A taxa é de 3,9%. Embora seja menor do que a de bancos, é maior que a do Banco do Povo Paulista, também focada em oferta de crédito para investimento no negócio, e hoje em 0,5%. A diferença se dá pela fonte de recursos; o paulista usa capital do tesouro estadual, o crédito solidário, do BNDES e de bancos comerciais.

Maria possui dois empréstimos atualmente, um em grupo e outro individual. "Consegui comprar carrinho para colocar o pão, esqueleto e bandejas." Com empréstimos anteriores, ela conseguiu mudar para salão maior e contratar equipe. Hoje, são 30 funcionários.

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