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Não quero benefícios, mas redução de impostos, dispara Pablo Di Si

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Presidente da Volks quer que carro, com tributos que chegam a 54% do preço, fique mais barato ao consumidor, e fala sobre conversas para Rota 2050


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

22/01/2021 | 00:04


Diante dos últimos acontecimentos no setor automobilístico brasileiro, que presenciou há poucos dias o anúncio da saída da Ford do País e o consequente fechamento de três fábricas, além do encerramento da produção local de automóveis da Mercedes-Benz no fim do ano passado, o presidente da Volkswagen no Brasil e na América Latina, Pablo Di Si, afirmou em live realizada pelo jornal Valor Econômico que a indústria não quer benefícios, mas redução de impostos e condições para que as montadoras não só permaneçam no Brasil como programem investimentos e tenham condições para trazer carros elétricos ao mercado nacional.

“Primeiro precisamos olhar para o futuro e definir o que queremos, não como empresas, mas como governo. Queremos um País industrializado? Não falo só do setor automobilístico. Qual o futuro da indústria no Brasil? Vejo coisas na contramão, por exemplo, o aumento de impostos no Estado de São Paulo”, disse, referindo-se à elevação da alíquota de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) a diversos produtos, inclusive, veículos novos, de 12% a 13,3%, há uma semana.

Na avaliação do argentino de 51 anos, que atua na montadora desde 2014 e assumiu a presidência em 2017, o Brasil é País com pessoal altamente qualificado, muito bem treinado, com compromisso imenso. “Então precisamos definir essa parte estratégica. Em vez de ficar chorando, fazendo mimimi, o que não gosto muito, vamos trabalhar juntos para solucionar nossos problemas. Acredito que na agenda do governo precisamos apoiar não somente a redução tributária, mas simplificá-la, pois há muitos impostos no Brasil. Simplificando isso, já ajuda as empresas a colocar mais foco nas pesquisas com consumidores, na redução de custos, na parte logística. Precisamos aliviar a burocracia e liberar as empresas para serem mais leves e eficientes.”

Questionado sobre o fato de a indústria automotiva ter usufruído por anos de subsídios, Di Si avaliou que incentivos são válidos para estimular economias regionais e por um tempo limitado, “com início, meio e fim”. E que, uma vez que a empresa já se instalou, deve “viver com as próprias pernas”. “Na Volkswagen, não temos nenhum benefício. Eu ficaria feliz em receber o dinheiro que é devido de ICMS à montadora”, disparou, referindo-se aos créditos gerados a partir da devolução do imposto sobre exportações. “Temos de 53% a 54% de impostos no preço final do veículo. Não quero nenhum benefício. Quero reduzir os impostos para que o carro chegue mais barato ao consumidor.” A fala também responde declaração do presidente Jair Bolsonaro quando a Ford anunciou a saída e ele disse que faltou à empresa dizer que queria subsídio.

INCENTIVO

O executivo contou que em 2020 iniciou conversa dentro da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e o governo para criar o projeto do Rota 2050. “Não estou falando de benefícios, mas de regras claras que incentivem as empresas a investirem em tecnologia sustentável e poder acelerar”, disse, em alusão ao aprimoramento do Rota 2030, programa do governo federal que entrou em vigor no fim de 2018 com a proposta de devolver créditos tributários de até R$ 1,5 bilhão a cada R$ 5 bilhões de investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), mas que ainda luta para ser efetivamente implementado.

Conforme Di Si, na Europa, nos Estados Unidos e até na China, os governos incentivam o consumidor a fazer essa transição a uma economia mais sustentável. “Claro que esses benefícios não duram a vida toda, mas nessa transição é fundamental. É preciso ter regras claras para estimular todas as cadeias. Porque, se não fizermos nada, corre-se o risco de perder muitos empregos no futuro.


Volks tem plano robusto nos próximos 5 anos

Com relação à tendência mundial de veículos movidos a eletricidade, cuja produção ainda não aportou no País e conta com raros exemplares importados por aqui, o presidente da Volkswagen no Brasil e na América Latina, Pablo Di Si, afirmou que se trata de uma realidade, tanto que a montadora vai investir US$ 70 bilhões em mais de 100 carros elétricos e híbridos nos próximos 15 anos, que já começaram a ser comercializados em países da Europa desde o ano passado.

“Precisamos transformar essa indústria em sustentável. Hoje não é dia de anúncio, de que vamos trazer carros elétricos ao Brasil, mas temos plano robusto para nos próximos cinco anos trazer carros híbridos, no início, e elétricos”, assinalou o executivo, sem abrir os valores de investimentos.

O presidente da Volks contou que a montadora está auxiliando iniciativa da concessionária de energia EDP, Porsche e Audi de instalar postos de ultrarrápidos de carregamento. “Fui para Caraguatatuba (Litoral) no ano passado na inauguração de um deles. E vamos ter, desde Santa Catarina até o Espírito Santo, mais de 30 postos nos próximos anos. Então a infraestrutura é muito importante antes de trazer os exemplares ao Brasil.”

Outro ponto fundamental, conforme o presidente da Volks, é definir qual matriz energética que irá fornecer a eletricidade. “A pergunta não é só quando teremos carros elétricos. Mas qual é o ciclo completo. Como você abastece essa eletricidade no carro? O Brasil é um dos países mais sustentáveis, porque tem energia gerada a partir da água, do Sol, do vento e tem poucas plantas a carvão ou eletronucleares. É fundamental ter estratégia e visão”, disse, acerca de diretriz da matriz energética utilizada a este fim.

Di Si revelou que nos últimos meses tem conversado com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) sobre a possibilidade de tornar o etanol um insumo para a produção dessa eletricidade. Ele contou que existem pesquisas em andamento sobre como transformar o etanol para abastecer, com células, um carro híbrido ou elétrico.

No entanto, o executivo aponta que há dois grandes desafios. “Um deles é que o País precisa trabalhar transversalmente. Indústria automobilística, usinas e governos para criar um plano estratégico. Outro é levar o etanol para o mundo. Mas não como ocorre com a soja. Somos grande produtor, muito eficiente, mas em vez de produzir, industrializar e nos especializar em fazer produtos derivados, exportamos para a China e depois volta o produto já acabado. Não podemos fazer isso com o etanol. Nós temos um know-how, uma indústria sustentável, pessoas muito competentes e muita gente empregada. A oportunidade que temos é imensa”, pontuou.

MARKET SHARE

Questionado sobre a lacuna no mercado que a Ford deverá deixar, ao parar de produzir carros zero-quilômetro no País, como o Ka e a EcoSport, Di Si respondeu que a Volkswagen possui competência e produto para pegar uma fatia. “Nós não estamos obcecados por pegar 10%, 20%, não trabalhamos assim, mas estamos trabalhando dentro da empresa para ampliar nosso market share tanto do segmento dos SUVs como dos compactos. Porque são produtos que concorriam conosco. Vamos atrás da fatia desde que seja rentável”, apontou.

No ano passado, a montadora alemã ficou com 16,8% do total de vendas, próxima da GM, com 17,35% e pouco à frente da Fiat, com 16,5%. Ao longo do ano passado, por algumas vezes a Volks ameaçou a liderança do setor com as venda do compacto Gol e do SUV T-Cross. E, em meio à pandemia do novo coronavírus, começou a produzir o SUV compacto, ou CUV, Nivus, na planta da Anchieta, em São Bernardo.

Também no cenário de Covid lançou plano de assinaturas, em que tudo é feito de forma digital, desde a escolha do modelo até a assinatura do contrato. “O consumidor mudou. Muitos querem comprar e muitos outros querem ter o direito de usar por tempo determinado. E nós nos adaptamos”, disse Di Si.

Quanto à segunda onda de Covid, o executivo assinalou que ofereceram ao governo suas fábricas e pessoal para acelerar o processo de vacinação. “Temos menos de 5% do administrativo na empresa. E nas fábricas eles não ficam próximos, há espaçamento.” As pessoas se acostumaram a trabalhar remotamente, segundo ele. “A indústria de automóveis está muito melhor do que em 2020, os juros estão em bom patamar (2% ao ano) e vamos seguir assim por ora.”
 



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