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‘Não Estou Lá’ é Dylan na medida para iniciados



21/03/2008 | 07:05


Bob Dylan (Cate Blanchett) está visitando a Inglaterra e é aguardado para uma entrevista com um influente entrevistador da BBC de Londres, aqui denominado Keenan-Jones. Estamos num parque, talvez o Hyde Park. Depois de descer uma encosta rolando pela grama com os quatro Beatles, Dylan caminha em direção ao circo montado pela TV. Uma mulher de chapéu o reconhece e caminha ao seu lado elogiando sua mensagem de liberação.

 Em seguida, um garoto com cara de nerd se põe entre ele e a mulher, sempre em movimento, e o interroga: “Na música Generation Dungeon, quando você diz que ele tem ‘olhos de camelo e dorme’, é de Victor que você fala, certo? Vi uma foto dele numa revista fumando Camel”, diz o garoto.

 Essa luta livre insana entre o jovem herói hesitante e a incompreensão idólatra dos fãs é um dos elementos

recorrentes no filme Não Estou Lá, que estréia em São Paulo. O artista está no Olimpo, mas não quer assumir o papel de oráculo de ninguém.

 Não é possível afirmar se as pessoas que não têm intimidade com o universo dylanesco vão compreender o filme ou se o verão apenas como um delirium tremens. E também se, vendo-o como algo delirante, irão gostar.

 Por exemplo: Bob Dylan foi influenciado pelo cantor folk Woody Guthrie. No filme, há um menino negro que vagabundeia pelos Estados Unidos com um violão e se diz Woody Guthrie. Quando lê num jornal que Guthrie está nas últimas num hospital, vai até lá para levar flores ao músico. Dizem que Dylan fez o mesmo.

 Cate Blanchett engole o filme. Até a corcunda de Dylan ela assume como sua. Heath Ledger, o Dylan ator, é fugidio, trágico. É sempre defensivo, desconfiado. Milhares vão detestar esse filme. Mas é um retrato lírico e generoso de um homem sem rosto, de uma música sem âncora, de uma época sem lastro.


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‘Não Estou Lá’ é Dylan na medida para iniciados


21/03/2008 | 07:05


Bob Dylan (Cate Blanchett) está visitando a Inglaterra e é aguardado para uma entrevista com um influente entrevistador da BBC de Londres, aqui denominado Keenan-Jones. Estamos num parque, talvez o Hyde Park. Depois de descer uma encosta rolando pela grama com os quatro Beatles, Dylan caminha em direção ao circo montado pela TV. Uma mulher de chapéu o reconhece e caminha ao seu lado elogiando sua mensagem de liberação.

 Em seguida, um garoto com cara de nerd se põe entre ele e a mulher, sempre em movimento, e o interroga: “Na música Generation Dungeon, quando você diz que ele tem ‘olhos de camelo e dorme’, é de Victor que você fala, certo? Vi uma foto dele numa revista fumando Camel”, diz o garoto.

 Essa luta livre insana entre o jovem herói hesitante e a incompreensão idólatra dos fãs é um dos elementos

recorrentes no filme Não Estou Lá, que estréia em São Paulo. O artista está no Olimpo, mas não quer assumir o papel de oráculo de ninguém.

 Não é possível afirmar se as pessoas que não têm intimidade com o universo dylanesco vão compreender o filme ou se o verão apenas como um delirium tremens. E também se, vendo-o como algo delirante, irão gostar.

 Por exemplo: Bob Dylan foi influenciado pelo cantor folk Woody Guthrie. No filme, há um menino negro que vagabundeia pelos Estados Unidos com um violão e se diz Woody Guthrie. Quando lê num jornal que Guthrie está nas últimas num hospital, vai até lá para levar flores ao músico. Dizem que Dylan fez o mesmo.

 Cate Blanchett engole o filme. Até a corcunda de Dylan ela assume como sua. Heath Ledger, o Dylan ator, é fugidio, trágico. É sempre defensivo, desconfiado. Milhares vão detestar esse filme. Mas é um retrato lírico e generoso de um homem sem rosto, de uma música sem âncora, de uma época sem lastro.

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